Rapinhado nas redes.

Rapinhado nas redes.

Post já publicado no 2023 no blog.
Esta-se a falar estes días, ( estou a falar no 2023) nas redes e entre uns poucos, não vaiam a pensar em mais, em quanto a que o Bierzo, a Seabra e territorios asturianos do occidente possam ser incorporados a Galiza. Engade-se, num exercicio de fantâsia pondo o carro diante dos bois, que previamente deveríam fazer para isto um referendum.
Direi
antes de nada que isto atopeino por acaso nas redes sociais,
melhor dito no twiter, X, que é a única na que ando a ouviar, a asubiar, ou
a
pesquisar, à solta, um pouco de todo. Andar ando e moito mais ainda do que deveria.
Esta quimera, evidente, ainda
que saudosa prá qualquer galego, são criadas por
dous ou tres twiteiros neste caso,
que fornecidos com moitos seguidores, ganhados no dia a dia com manhas
de todo tipo.E como se tivessem um bom altifalante, sabem fazer barulho
momentâneo e
parecem uma multitude participante. Uma vez deitada a informação no
twiter ( agora no X) já os algoritmos
se encargarão de flassehar a torto e a direito a mesma para chegarem a
todos
aqueles que por alguma curiosidade anterior tenham escoitado uma música
parecida. Do mesmo jeito, dende aquí, estos mesmos entre
a sorpresa e a ledicia vão espargir, difundir e divulgar o grão, e
assim dão por feita a sementeira. Cousa na que me loubo, neste caso, em participar a espalhar.
O caso é que, o chegar-me esta informação, também com sorpresa e ledicia, deseguido veu-me o recordo o conceito de "Terra de foris". Um princípio ou regra não escrita que para entenderem-se os galegos daquela , usava-se no Reino medieval da Galiza. O falarem de que tal terra ou lugar era " Terra de foris" , estavam-se a referir a toda aquela terra considerada dentro dos senhorios da coroa do reino de Leão ainda que não era considerada terra propria do Reino nuclear galego, eles considera-na por tradição histórica e cultural como galega. Não sei seguro se a Seabra era "Terra de foris", eu acharia que sim o era. Astorga e as suas terras não eram "terra de foris". No obstante... ( Ainda que no documento que mostramos o final o bispo de Astorga firma como pertecente o Reino de Galiza, não sei se porque ele era galego de nazón, ou a diócese de Astorga era sufragánea de Compostela e neste senso se considerava galega). Parte do occidente asturiano não era considerado "terra de foris" outra parte a mais próxima sim. O Bierzo, claramente, era "Terra de foris" pois bem sabemos que foi sempre terra galega do reino nuclear galego e deixou de ser considerada como terras do Reino depois das guerras de dominação dos Reis Católicos que derom esta terra, do Bierzo, a dependência do Conde de Benavente e desposeirom dela os Castros nessa altura os mais altos representantes da nobreza galega. É bem evidente que nas fronteiras citadas que antes eram consideradas parte da Galiza nuclear e que hoje já não pertencem a Galiza administrativa actual, ficam pegadas culturais, sociais, costumes e formas idiomáticas evidentes que demostram que perante moitos séculos forom territorios dos senhorios galegos e que se sentiam dentro duma unidade política, cultural, idiomática, económica e histórica que se concretizava no chamdado Reino da Galiza. Este reino que é herdeiro dos galegos dende a antigua Gallaecia que foi minguando o seu terrritorio até a Galiza já Sueva e posteriormente Reino Galego medieval con Rei en Leão até 1230.
Despois
desta data, 1230 coa união num só reino em Castela, seguiu sempre Galiza considerada Reino ou entidade
cultural e política com personalidade propria como tal até a
configuración administrativa das provincias de Javier de Burgos no
1833.
E se não me credes, uma olhada este documento ajuda, tal vez, na
sustenção do dito. Este é um documento no que firmam os bispos da orbe
católica, lá pelos 1545 , uma petição pra convocar um concilio, neste
caso, nem mais nem menos, o de Trento. Pois bem os bispos Galegos neste caso o de Astorga (duvido se era Terra de foris) e o de Ourense identificam-se como espanhol do
Reino de Galiza e em troques o de Zaragoza como espanhol do reino de
Espanha.
Ainda que há quem defende hoje, com bom criterio, que o Reino como tal numca foi abolido e, defende, ou gostaria de que Galiza fosse denominada na actualidade Reino de Galiza. Tal como assim, estou a falar, este senhor tão ilustrado:
Eduardo José Pardo de Guevara y Valdés.
Es un historiador y genealogista español, especializado en el estudio de la nobleza bajomedieval gallega y profesor de investigación del Consejo Superior de Investigaciones Científicas.
Ainda que o não constar como tal na Constitução espanhola não seja fácil defender esta postura.
Ainda que isto último seja outra histoira.

imaxe de Reimundo no Tombo da Catedral de Compostela.
Tras ser la sede provisional del Parlamento de Galicia —desde su constitución el 19 de diciembre de 19811 hasta que se trasladó al pazo de Fonseca, en verano de 1982
"Configuración do mundo" de Ibn Hawqal


Representação do século XIX de Inês de Castro, no teto da Sala dos Reis, Quinta da Regaleira, Sintra, Portugal.
Fernando Ruiz de Castro nun cadro do século XVII no Pazo dos condes de Ficalho, en Serpa, Portugal. Foi o último Castro que morreu no exilio em Bayona, Francia, despois de pertecer o bando perdedor na guerra entre Pedro I e Enrique II Trástamara.
Já se falou diste tema no blog: aquí. E Aquí.
Alguns nomes da época que andavam por alí, neste século XIV.
Fernando Rui de Castro,Pedro Fdez de Castro, Alfonso IV de Portugal, Pedro I de Portugal, Joãao de Avis, Fernando I, Inês de Castro, Joana de Castro, Pedro I de Castela, Enrique II Trástamara, Duque de Lancaster, Alcobaças, , Conde de Andeiro, Conde Arraiolos, Casa de Trava, Casa de Trastámara, Avignón, Cisma de Occidente, Braga, Santiago, Conde de Lemos, Sarría, Ribeira e Cabreira, Guerra dos cem anos, Duguesclin, Comendeiro de Santiago, Adiantado maior de Galicia, Pardo de Cela, Os Andrade, Santa Irmandade de Galicia, Irmandinhos, Pardo de Cela, Pedro IV o ceremonioso de Aragón, casa de Bercelona, Joán I de Aragón o cazador, Martimho Ide Aragón o humano, Alfonso IV de Castela, Alfonso XI de Castela.
Fazendo fição, podíamos dizer, que um jornal do Reino de Portugal, dava no seu manchete esta notícia no ano 1355 no día sete de janeiro:
Ontem na Corte em Coimbra foi assassinada dona INÊS DE CASTRO, dama da corte, namorada do herdeiro a coroa portuguesa, o infante Dom Pedro. O casal teve dous filhos, bastardos, pois por oposição do seu pai o rei Dom Afonso IV e certa parte da nobreza cortesa não permitirom o casamento oficial ou legítimo, que Dom Pedro desejava fazer com Inês.
A dama receveu varias coiteladas por parte de duas persoas da nobreza cando esta nos seus aposentos privados, no lugar da Quinta das Lágrimas . O príncipe moi apenado acusou ò seu pai do assassinato e prometeu que cando for rei faria jurar a toda nobreza lealdade a Inês e considerâ-la rainha de Portugal. Dona Inês vai ser enterrada no mosteiro de Alcobaça no lugar do panteão dos reis de Portugal.
Inês era galega, nascida na Limia, e filha de Dom Pedro Fernádez de Castro, o da guerra, senhor da casa dos Castros , a familia mais importante da nobreza galega. Dom Pedro Fernádez de Castro é o senhor de Lemos,Sarria, Ribeira e Cabreira e conde de Trastámara. É mor-domo maior do rei de Castela Alfonso XI, adiantado maior de Galicia, pertigueiro de de Santiago e comendeiro de Lugo. Era neto por parte materna do rei Sancho IV de Castela e tataraneto do último rei de Galiza e León Afonso VIII. D. Pedro coa morte do seu pai no 1304, cando ainda era un neno, foi trasladado a corte de Portugal para educar-se. Educou-se e criou-se co infante Pedro Afonso, conde de Barcelós, e filho ilegítimo do rei D. Dinis. No 1320, con dezaseis anos retornou a Galiza pra ocupar o dominio da casa de Lemos. Morreu faz dez anos desta noticia, em Algeciras em 1343, em combate comtra os mouros.
Até aquí a noticia dos feitos. Esta fição de noticia é , mais ou menos, o que nos chegou por parte da historiografia oficial portuguesa e espanhola. Embora surge-nos pronto umas perguntas:
Inês de Castro, além da sua relação romántica e amorosa, jogava um papel político, ou a sua morte tem mais que ver coa geopolítica da época e a influências que a simples relação do príncipe Fernando?
A resposta é um sim. Detrás do que significava que a galega Inês de Castro pudesse ser a mulher oficial do rei de Portugal da-nos pé pra investigar e, deixando a um lado a historigrafia espanhola e portuguesa, que elementos de poder político e partidos políticos da nobreza estavam envoltos em todo este sarilho que chega a que um rei mande assassinar a mãe de dous dos seus netos e namorada do seu filho. Tal vez, sem dúvida, no rei D. Alfonso IV pesou mais a política estratégica de evitar un casamento cuma nobre galega que o facto de ser ela quem era na sua familia. Na idade Media os matrimonios jogam um papel fundamental nas confluências políticas. A política exterior e os equilibrios de poder faziam-se por medio de matrimonios.
Como é que uma familia nobre galega, que na historiografía espanhola nem conta pra nada, salvo menção colateral obrigada, e sendo a familia nobre mais forte da Galiza, cual é a relevância de Galiza para a corte portuguesa que consigue que uma filha de D. Pedro Fernández de Castro vaia casar co herdeiro português?.
É evidente que a resposta só pode ser uma. O poder quase real dos Castro como nobreza que dominava Galiza.
Ainda mais, como é que esta casa da nobreza galega, além de ter uma filha pra ser rainha de Portugal, tem outra mais Joana de Castro irmá de Isabel, que casa co rei de Castela D. Pedro I, que pasou a historia dos perdedores com o nome do Cruel. Certo que Joana só foi casada com Pedro uma noite da que quedou prenhada e tuvo um filho.?
Pois uma prova mais da importância e o poder da Casa galega dos Castro. Situando-nos na Idade media, ainda que só fosse uma noite pra que houver casamento co rei tinha que haver influência política da casa de Lemos. Sem dúvida foi um selo de lealdade que Pedro I buscou na casa nobre mais forte da Galiza.
Então estamos ante a casa de nobreza rectora do Reino de Galiza. Fora teima de Fernando II,(1157-1188 reinado) rei galego enterrado em Compostela, buscar ou potenciar una casa nobre que sustituira a dos Froila na liderança da nobreza galega.
Os Froila, conde de Traba e Trastámara acabarom extinguindo-se em outras familas da nobreza. Antes disso a sua relevância histórica é fundamental. Só recordar que um Traba vai educar o neno , futuro Afonso VII, que sera coroado rei de Leão por Gélmirez na catedral de Santiago. Este Traba casaria com Dona Teresa de Portugal, mai de Afonso Henriques primeiro rei de Portugal, depois de estar enviudar do seu marido Henrique de Borgonha.
Neste caso, século XIV encontramos em pleno apogeo a Casa de Lemos regida polos Castro. Os seus territorios extendiam-se dende a fronteira coas terras do Reino de Leão, já Terra de foris, e comprendíam o Bierzo até meia Galiza de hoje, chegando as terras dos Andrade que abrangiam Vilalba, Pontedeume e Ferrol.