Amosando publicacións coa etiqueta 25 abril. Amosar todas as publicacións
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venres, 24 de abril de 2026

Manhã é 25 de Abril. A realidade que foi. Oxalá nunca mais voltar.

 
Encontrei-me por acaso com este artigo, que não sei que titulo teria, de Clara Ferreira Alves, apanhado não sei onde. Creio que merece ficar no presente-passado-futuro do que foi Portugal e do que éramos os seus vizinhos. Sirva também para recordar o 25 de Abril

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

 

venres, 24 de maio de 2024

Ontem foi 25 de abril.

Abril, cumple cincuenta anos. Ainda que  com retraso, aquí na  "rompidadodia",  não deixamos no olvido uma data que nos asombrou daquela e co paso do tempo  nos engaiolou, asombrou e seduziu.

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Para mim este é, sem dúvida, o momento mais importante e decisivo do 25 de abril! A coragem (única) do capitão Salgueiro Maia e o não disparar por parte do cabo José Costa. 



   Como comentário engraçado fica um recordo duma  administração estatal que não acreditava no  novo orde que começava a correr no país. Esclarece o documento que esta revolução não foi autorizada pela superioridade, não como quase todas as revoluções que sim são autorizadas, repare-se na revolução francesa ou na rusa que sim forom autorizadas pelo rei Luis XVI e pelo zar Nicolás II, que também autorizavam a sua futura morte. Sem dúvida Dom Ambrósio era um homem de ideias fijas no seu trabalho e não gostava  de  ninguém  andar a remover, agitar , remexer ou deslocar os seus papeis. 👇👇

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Na Galiza como sempre se recordou esta data, tal vez iste ano com algo mais de intensidade pelos cinuenta anos. E difícil de explicar esta adoração por este facto e por Portugal. Assim em Santiago cantou-se o Grandôla o jeito popular. 
              


luns, 24 de abril de 2023

Manhã é 25 de abril. Revolução dos Cravos.

 Josep Carreras i Lluís Llach junts - " Abril '74 "

    Um ano mais,  uma pequena entradinha,  como recordo a revolução dos cravos. Iste ano fica  aquí  a pegada desta bela interpretação, no Palau Sant Jordi,  do ano 2002 de Josep Carreras e Lluis Llach duma canção, de Llach,  titulada "abril 74". Esta bela canção composta  após o momento revolucionario português é  uma homenagem as gentes e a revolução  militar do 25 de abril.

 


 https://www.youtube.com/watch?v=KXOsZuFV4Xw

       letra:  

  Companys, si sabeu on dorm la lluna blanca, digueu-li que la vull però no puc anar a estimar-la, que encara hi ha combat. 

Companys, si coneixeu el cau de la sirena, allà enmig de la mar, jo l'aniria a veure, però encara hi ha combat. 

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, porteu tots els meus cants i un ram de flors vermelles a qui tant he estimat, si guanyem el combat. 

Companys, si enyoreu les primaveres lliures, amb vosaltres vull anar, que per poder-les viure jo me n'he fet soldat. 

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, porteu tots els meus cants i un ram de flors vermelles a qui tant he estimat, quan guanyem el combat.      

 

 

 

luns, 25 de abril de 2022

Ontem foi 25 de abril.

Quando Salgueiro Maia e o posto de comando ainda estão a suspirar de alívio por ter passado a ameaça da Gago Coutinho, surgem cinco carros de combate M/47 de Cavalaria 7 seguidos de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, e alguns soldados da PM de Lanceiros 2. Um brigadeiro comanda a coluna. Salgueiro Maia, de braços erguidos, agitando um lenço branco, tenta o diálogo, mas o brigadeiro não aceita encontrar-se com ele a meio caminho. Dá ordem a um alferes que abra fogo. O jovem não obedece. Irado, o brigadeiro, repete a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. Salgueiro Maia está a descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. Nem as tripulações dos carros nem os outros soldados obedecem. Dando vozes de prisão a torto e a direito, disparando para o ar, o brigadeiro salta do carro e desaparece. Toda a coluna fica sob as ordens do capitão Maia.