Um bom texto para tratar da defessa comúm duma constitução.
Quando chegar estes debates são invevitáveis a aparições de anjos,
arcanjos, querubins&serafins que olham para o consenso conseguido
numa época histórica complicada como uma pérfida confabulação entre
uns fracos esquerdalhos e uns opulentos donos da fazenda. O posibilismo
não da réditos no debate , todos iriam mais lá para chegarem o mundo
ideal. Há uma carreira por ensinarnos o céu mais lindo possível. Como
se uma constitução fosse capaz de arranjar todo quanto problema futuro
viesse, e como se for um livro sacro que Deus deija num Sinaí
imaginario. Não, só é uma declaração de intenções e princípios para
conseguir o artelhamento e funcionamento das estruturas do Estado, e
sobre todo na que se vejam representados uma grande maioria dos
cidadãos.
ORGULHO IBÉRICO.
https://aspirinab.com/valupi/orgulho-iberico-3/
Assim é. Comparto iste orgulho e mais o anterior do blogue.
O valupi, no asprina b.fez um posto concludente e clarinho sobre a desumanização do outro na política. Em Espanha é cousa do dia a dia. Então senão em que consiste a campanha de sete anos contra uma pessoa Sánchez e assim construir a um tempo teoria fantasiosa a eliminar chamada Sanchismo?.
Tudo desumanizado para terem argumentos para irem contra um demo causante de todos os maus.Uma vez desumanizado todo vale contra um algo a eliminar.
Pois mesmo assim parece, não sim?
Para que serve a desumanização? Para o
mesmo efeito que pode ter o álcool ou outra droga com efeitos
semelhantes: inibe a actividade do córtex pré-frontal, desligando a
empatia e a avaliação moral. Tal é necessário para exercer a violência, a
qual pode ser extrema e horrenda consoante o contexto. E para que serve
a violência? Para defender ou conquistar recursos, materiais e/ou
simbólicos. Assim, na política o mais comum é a desumanização do
adversário quando só com o assassinato de carácter não se conseguiu a
vitória.
A história da desumanização na política
portuguesa, no pós-25 de Abril (também há desumanização à esquerda, é
universal), teve um momento de mudança de fase a partir de 2007 por
confluência de abalos tectónicos e ameaças existenciais no tecido
oligárquico causados pela crise económica internacional, a implosão do
BCP, BPN e BPP, a ameaça de o BES também cair, e pela presença de um
Sócrates que parecia imbatível e implacável. Essa conjuntura teve partes
folclóricas, como o ensaio marreta de agitar alguns militares fora de
prazo à volta de Cavaco para uma tomada do poder executivo, mas teve
também partes gravemente subversivas que deram origem ao Face Oculta e à
Operação Marquês, verdadeiras operações de judicialização da política
que nunca antes (que se saiba) tinham sido tentadas cá no burgo. A
principal figura charneira deste período foi o então ocupante de Belém.
Ele no mínimo foi conivente, no máximo poderá ter sido o mandante. A
Inventona de Belém dá peso à segunda hipótese.
Em 2009, na campanha de Ferreira Leite
em que o Pacheco Pereira aparecia esbaforido nas vestes de Torquemada
dos diabólicos socráticos, e na campanha de Passos em 2011, a
desumanização correu solta. Figuras gradas do PSD na altura compararam
Sócrates a Saddam, ao Drácula e a Hitler. Toda a estratégia do PSD e de
Cavaco passava por tratar o PS como uma organização criminosa. Dessa
forma, conseguiram montar uma aparelho que juntou procuradores, agentes
da Judiciária, juízes e jornalistas, gastando os recursos do Estado,
para meter nos tribunais os seus adversários. Conseguiram com pleno
sucesso.
Mas a desumanização política em
Portugal, embalada pelos triunfos recentes da direita, viria a conhecer
um salto quântico em 2017. Este foi o ano em que um partido fundador da
democracia portuguesa quis ter sob a sua chancela um discurso racista e
xenófobo. Passos, mesmo que não tivesse estado na origem dessa travessia
do Rubicão, podia ter cortado a cabeça à serpente com a sua autoridade,
a sua palavra. Não o quis fazer, pelo contrário, foi para o palco com
ela. E essa dupla de calhordas não tem parado de chocar ovos desde aí.
Com um sucesso histórico, assombroso, fulminante.
Redes sociais? Não, mano. Exemplos de quem manda, e de quem quer mandar, que normalizam a abjecção.
Numa escapada polo https://aspirinab.com/, blog amigo, coa máscara de "reis", andei um pouco por alí. O Valupi fixo uma pergunta e da resposta quis por amizade tirar um post. Agradeçido deixo aquí o recordo.
«Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.»
Agradeço a pergunta. Cingindo-me só a
Galiza : Gostaria muito que assim fosse. Pois uma direita organizada e
moral para o conceito de nação política galega é imprescindível. Houve e
há uma grande tradição de nomes que cumprem esse requisito, mas estão
já na história. No caso de valorizar a uma pessoa política pela sua
moral, acho que não sou sectário, pois ainda que pareça virar, e vire,
para a esquerda, não tenho, ataduras nem reparos em admirar, seja quem
for, o bom fazer e estou co olho posto nos personagens da direita ou do
centro. No caso de desejar o melhor para Galiza no desenvolvimento de
nação política e cultural qualquer que ararar com esses bois, é prá mim,
um dos “bons e xenerosos”, conceito moi usado no nacionalismo e
galeguismo histórico para definir as pessoas com “moral”.
Postos assim, ainda a risco de ser um pouco maçado no relato, citarei :
Afonso Daniel Rodriguez Castelao: pai do nacionalismo moderno. Médico,
artista pintor, saltou a areia política como necessidade de mudar as
condições de Galiza e os seus cidadãos. Na procura dum mundo próprio
para os galegos, dentro de Espanha, era um homem de centro e mais tarde
de centro esquerda que liderou o ressurgimento galego nos tempo da
República e que ninguém discute hoje, desde a direita a extrema
esquerda, a sua liderança, luta e moral pelos ideais de todos os
galegos. Ministro da vencida República, era pragmático, possibilista e
homem de paz. Morreu no exílio em Argentina depois duma vida cheia de
moral, laica, social, respeito os direitos mais fundamentais das nações e
das pessoas.
Ramón Otero Pedraio: católico, fidalgo,
intelectual, professor. Companheiro de Castelao no partido galeguista da
época republicana, respeitado como figura emblemática, honesta, com uma
moral católica e profundo sonhador e activista duma Galiza dono de se
mesma. Ninguém hoje duvidaria do seu magistério, liderança para o nosso
país e respeitado por todas as camadas sociais.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem
me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos
muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da
variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível, e tal vez
acho que apropriado, no entanto, seria mui injusto receber o apelativo
de sectário. Este homem ( para dar contexto) foi ministro com Franco.
Mente privilegiada, catedrático, homem de acção, visceral nas formas,
era todo o contrario do estereotipo que os espanhóis têm de nós os
galegos ( estereótipos nada positivos, mas essa é outra história). Foi o
grande líder da direita espanhola depois da morte de Franco, ainda que o
Rei não contou com ele para dirigir a transição, mais tarde fundaria o
actual partido da direita o PP, actualmente na oposição. De família
humilde, emigrante durante a sua infância na Cuba, foi um avançado e
reformador na ditadura ( do pouco que se podia). Depois de dois intentos
para atingir o poder para Presidente do Governo de Espanha, desistiu da
liderança da direita espanhola e apresentou-se na Galiza para ser
presidente da Xunta de Galiza. Foi Presidente quatro legislaturas.
Tinha, política mente, essa dupla personalidade de ser para uns o grande
líder espanhol e para outros, os galegos, um homem que representou a
Galiza dentro de Espanha com personalidade e valentia que nos entendia,
que sintonizava co país, que era um dos nossos. Tal vez fosse populismo e
tactismo, no entanto o coração não engana. Nos seus governos havia
nacionalistas ou galeguistas de direita e dentro deste jogo fez
políticas avançadas e manifestou-se ele, de forma supressiva, como um
líder da ideia da Galiza, da língua, do ser, e da gestão dos nossos
recursos. Essa é a parte positiva além de que no plano moral, e de
honestidade pessoal e política ninguém duvidava. Nunca tive, nos muitos
anos de actividade política, suspeita de corrupção. Conseguiu boas
relações com a esquerda nacionalista, coas elites económicas e
culturais, e pode-se dizer que atingiu ser respeitado moralmente pela
sociedade em geral. A sua figura era moi respeitada tanto na Galiza como
em Espanha e isso dava sempre um plus de categoría a Galiza.
Depois a parte negativa, dizer que
gostava do culto a sua personalidade o que fazia que misturada a sua
grande vocação política e o seu narcisismo, fizera políticas populistas e
mentíreis por vezes. Que não fiz reformas profundas e que o seu lado
cresceu o clientelismo e o caciquismo secular. Que havia um partido
nacionalista de direitas galego que ele conseguiu atrair para si e pouco
a pouco ficarão mergulhados no seu grande partido. Foi isto uma grande
mágoa para a política galega, pois um partido nacionalista como têm
bascos e catalães e necessaario. Embora o seu poder atraente ganhou e os
parvos perderam, eis a questão da vida. Depois, perdeu uma legislatura e
deixou Galiza. Os seus voltaram a ganhar com Nuñez Feijoo a Xunta e até
de agora. Neste caso calha a perfeição, o dito popular de quem melhor
era o mão conhecido pelo bom por conhecer. Deixou um baleeiro grande na
política galega e chegou a vacuidade, a indigência intelectual e a
pilhéria de quem hoje pretende, desde a oposição ser presidente do
governo de Espanha.
Todos mortinhos, mágoa.
Hoje ando a buscar em Galiza, e não encontro. Depois de Fraga os
medíocres e ordinários ocuparam e ocupam o poder “daquela maneira” que
não seja prioridade nenhuma Galiza como ente política e a defensa da
língua, a economía e a cultura galegas. São mandados, gestores de
alguém, e obedintes as consignas do seu partido em Madrid. Priorizam
políticas populistas para a sua clientela e o mantenham-se no poder
controlando como seja os meios de comunicação, públicos e privados.
Pouca moral. Eles não têm toda a culpa.
__
Oferta do nosso amigo reis. Para entender o contexto, ler este seu primeiro comentário.
thoughts on “Bons e xenerosos”
o primeiro que me veio á mente , quando lhe perguntaram sobre
figuras “morais” galegas foi exactamente Castelao , depois um cura
obrero velhinho , velhinho , anónimo, e a seguir Fraga. curioso.
Quixen saber quen fora o vampiro no mundo dos homes e fun ler o seu nome de
bronce no rico mármore da campa. O nome só abondoume: fora un canalla que
roubaba para dar regalía ao seu bandullo de porco; dono da xustiza, roubaba
dende a súa confortábel casa. Para que dicir máis? Era… era un cacique !
Yo: todos estamos cheios de contradições, assim pula e avança o mundo. A tua curiosidade acho ter resposta já no escrito.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma,
pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e
habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua
portuguesa. Será compreensível
Obrigado Valupi pela publicação.
A cousa andava como assim. Antecedentes.
Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino
Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas
vidas.
Por desgraça não poso opinar do Agostinho da Silva, mas tanto de
Torga como de Aquilino Ribeiro, também gosto da sua moral como módelo
para qualquer grupo de cidadãos. São os dois moi grandes.
reis, nenhum desses três está vivo. Não sabemos o que diriam e fariam se estivessem. Logo, a questão remete para os vivos.
Como é aí na Galiza, ou que seja a Espanha, identificas alguém como autoridade moral?
outro que sucumbe às modas ou ao l air du temps… esses
senhores são como o tailleur chanel , intemporal. e fica bem a toda a
gente.
mas não existe uma figura que tenha reconhecimento comunitário nessa dimensão por palavras e actos.
Eis a questão para mim sim há algúm referente moral da vida pública,
mas concordo moito co post e ressalto esa frase tua da falta de
reconhecimento comunitario, pois a sociedade está tão quebrada
ideológicamente que o meu candidato seria esterco para outra gente. Em
Espanha hoje é imposível conseguir um consenso sob um personaje,
incluido o rei, pola informação e pulheria da direita nacional de
converter todo em terra queimada até conseguir o poder.
No entanto a minha opinião na Galiza: José Manuel Beiras, Camilo
Nogueira, Gonzalez Laxe, já retirados da vida pública, podiam concitar
uma certa unanimidade de homes públicos, honestos e com moral. Na
Espanha, eu eligiria, sem dúvida, o ex presidente Zapatero, que pode dar
moi bons serviços a cidadania.
Embora os meus candidatos seriam motivo de chacota ou de
enfadamento por moita gente. Eles são todos de esquerda dialogante e os
tempos não estão para reconhecementos de valoração cidadana.
este excerto é delicioso para ilustrar a tartufice do valupi ,
um ser amoral , tal e qual o seu ídolo e mentor nestas questões de
moral:
“. É precisamente por ele saber disso, e apesar do óbvio dano à sua
imagem pública ter assumido fruir desse imóvel, que a sua atitude é
brilhantemente amoral. Está para além do que os outros lhe querem impor
como suposta correcção ou dever social. É uma escolha de quem sabe que a
liberdade não tem de pedir licença à moral para ser essencial e
existencialmente boa.” autor ? o valupi , claro,
«Grave? Não. Grave é ir à rua, perguntar a quem passa o que seja
a moral, e descobrir que quase ninguém elaboraria uma resposta acima da
indigência intelectual.
Segundo Bernard Williams ainda hoje o melhor pensamento ético é o dos
gregos antigos que não inclui Deus nem precisa dele. Não usa de nenhum
imperativo categórico vazio dado que, num sistema de ideias não existe
qualquer ‘moralidade’ no sentido de uma classe de razões ou exigências
fundamentalmente diferentes de outros tipos de razões ou exigências.
Assim não há um abismo entre a esfera das ‘regras morais’ públicas e as
dos ideais pessoais privados.
Williams considera um erro identificar, completa ou tendencialmente, o
conhecimento ético como conhecimento científico e conceber a ética
filosófica como uma ciência exacta (lógico-matemática ou da natureza).
Daí recusar a teoria Kantiana de atribuir a moral a um ‘dever’ que o
poder, utilitariamente, transforma em ‘lei’.
A “moral” é um conceito do pensamento abstrato, metafíco aplicado ao
nosso comportamento diretamente relacionado com cada vida e experiência
pessoal; assim o conceito de moral varia de acordo com a evolução do
conhecimento e costumes de cada época histórica; é um conceito com
aparência de uma crença que depende do conhecimento e das circunstâncias
de cada idade histórica.
jose neves, tens de rever os apontamentos acerca do que é a
ética nos gregos antigos. Deixo-te só uma pista: quem é que não quis
morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?
Poderia citar vários nomes de quem já cá não está, mas
actualmente só existem duas pessoas: o Sr.º Dr.º Alberto João jardim e o
Sr.º Dr.º Rui Rio.
Hahaha o melhor pensamento etico é o dos gregos antigos que tinham a instituição da escravatura. Genial
bla bla bla ,
moralidade é a coerência entre os valores proclamados , entre as
palavras e os actos , entre o que se diz e o que se faz. um bandido
confesso é moral , não trai a confiança de ninguém.
a definição de moralidade como coerência toca num principio transversal
a todas as épocas e culturas s: a repulsa pela duplicidade. a
hipocrisia é detestada em quase todo o lado — porque destrói confiança,
e sem confiança não há sociedade.
“… quem é que não quis morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?”
Há autores que defendem que Sócrates o que disse foi “Críton, deves
um galo a Asclépio”. Por via da duvida que Sócrates colocou anos antes
quando, ao passarem em frente ao altar das oferendas a Asclépio, este
declarou que as oferendas ao deus para ter uma vida melhor não serviam
para nada. Ao que que Críton lhe contrapôs “veremos se manténs o mesmo
no dia da tua morte”. Faz toda a diferença e dá bem nota da certeza que
Socrates tinha na consciência de cada um como a ultima instância moral.
E valupi, o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro
estão vivos. muito mais vivos que uma grande parte dos ungidos públicos
contemporâneos. E quando equiparados com escroques infames como
Zapatero, como faz o Reis, é a prova cabal de que já estão, no mínimo,
moribundos muitos espíritos cujos dedos martelam teclados. O que não
falta em Torga, e só nos Novos Contos da Montanha, não é preciso
procurar muito, é uma mão cheia de exemplos de autoridade moral que já
não se evocam, por desconhecimento e, nos casos piores, por taticismo.
Miguel M. Elias,, por alusões. Ninguém comparou.O jogo estava
em nomear referentes vivos, niste caso concordamos nos mortos, aleluia.
Tal vez as suas informações, além do seu proprio estudo e
conhecemento, sejam apanhadas de certos opinadores espanhois, amorais a
mais não poder, para referir a Zapatero como: escroque infame.
Tampouco, nem quem assim pensamos temos o espíritu moribundo, sinto
comunicar-lhe que é todo o contrario. Tal vez não chegaremos a
acercar posiciões, seja como for nem eu ,nem Zapatero , estou seguro,
defineremô-lo a você, como escroque infame.
reis, não conhecia José Manuel Beiras, Camilo Nogueira e
Gonzalez Laxe. Mas fiquei a saber que são os três da esquerda galega.
Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É
só uma curiosidade.
Quanto a esse pobre diabo que veio aqui despejar fel para cima de
Zapatero, o seu castigo é não conseguir compreender o que lhe disseste.
Nem que ficasse a pensar nisso até o Inferno congelar.
Faz vinte anos, eu enfoscado como um tal "reis" descobri um blog português para comentar, ler, partilhar impresões,toda a vez para também aprender um pouco de português. Pois, milagre do tempo, a cousa chega até hoje despois de vinte anos.
Faz dez anos o aspirina b cumpría dez anos, daquela tivemos un agarimoso intercambio de mensajes de felicitação e recordações dificéis de olvidar. Aquí neste link está o post da celebração dos dez anos.
Já passarom dez anos. Era o desejo que daquela tinhamos todos e o mesmo valupi (patrão da barca). Cousa bem difícil de conseguir. Daquela o post titulou-se :
10 anitos de iniciação à aprendizagem. Moi estilo simples e sarcástico de Valupi. Hoje o título é 20 anos de pardieiro, que leva também esa sencillez e socarronería valupiana. Sabendo que pardieiro, tanto para o galego como o português, vem a ser algo assim como casa pobre triste, em ruinas ou envelhecido.
Neste vinte cumprimento de anos, 20, voltamos os parabéns e os agarimosos saudos.
“Algo se muere en el alma cuando un amigo se va…. no te vayas
todavía no te vayas por favor, que hasta la guitarra mía llora de
melancolía cuando dice adios”. ( sevillana popular). Parabens
pelos vinte anos. Já andei mais por cá do que ando nos últimos tempos,
embora ainda ando. Sempre foi e segue sendo um prazer ler os post. Eu
moito tenho aprendido aquí, de uns e outros, especialmente do patrão da
barca. Adiante meu, isto ojalá não morra, já temos moita esterqueira à
solta por ahí, assim que isto tinha que ser Bem de Interês Cultural a
conservar BIC), e que veham então os enveloppes.XD. Seja o que for,
obrigado sempre pelos vinte anos.
Muito obrigado, reis, pelas tuas generosas e graciosas palavras.
Fazes muito bem em não gastar o teu precioso tempo por aqui. Felicidades nessa terra de encantos, a Galiza irmã.
Um
exército não é mau nem bom, depende da comunidade.
«Ainda nos vamos arrepender de ter tolerado, alguns com bonomia, a alegoria da ‘guerra’ para descrever a resposta à covid-19. Estava-se a ver que a imagética guerreira se iria espalhar sem amanhã, os governantes adoram imaginar-se como Churchill de charuto ou como Eisenhower na sala dos mapas, com tanques miniatura à voz dos chefes (Schwarzkopf na “Tempestade do Deserto” é um mito mais infeliz, melhor ficar com Eisenhower). O problema é que uma guerra que não é guerra conforta governantes que se pensam como um comando militar, permitindo a ideia de que viveremos em exceção permanente. Não faltarão ministros inebriados pelo silêncio no espaço público ou pela vontade de calar oposições. Há um Orbán escondido em cada esquina do poder.» Francisco Louçã
*_*
Do que fala o Anacleto? As utilizações da semântica militar são de uso corrente, desde sempre e para todo o sempre, nos discursos medicinais e das políticas de saúde. Acaso os antibióticos e as vacinas não são uns dos melhores recursos que os humanos descobriram para “combater” as doenças? Estamos no reino dos clichés mais estafados – mas precisamente porque são úteis, eficazes, bondosos na sua ênfase retórica. No caso da crise da pandemia de coronavírus e suas consequências patológicas, a COVID-19, alguns dirigentes políticos aplicaram em discursos que se pretendiam institucionalmente fortes termos directamente relacionados com as guerras entre povos e nações. Estavam a recorrer a uma analogia de percepção e entendimento imediato para alertarem e prepararem as sociedades para alterações radicais na economia e estilo de vida que, exactamente, só comparam com situações de guerra militar mesmo que esta crise de saúde e de produção e consumo económicos tenha inúmeras e inevitáveis diferenças. O curioso é constatar que quem tal simetria adoptou nas democracias ocidentais não sofre de tiques ditatoriais nem se lhes conhecem pulsões bélicas. Foram precisamente aqueles que entram nesse retrato perigoso e decadente, como Trump e Bolsonaro, quem disparou na direcção oposta, negando durante meses as evidências que vinham da China e alastravam pelo mundo e preferindo o pensamento mágico e uma ignorância científica que não estará longe de ser criminosa.
O comentário deste comentador profissional (é nessa condição que o faz) é, portanto, absurdo. Não existe qualquer imagética guerreira a espalhar-se seja onde for, especialmente se falarmos da Europa, a não ser nos vulgares discursos mediáticos sobre aqueles que estão “na linha da frente” e a quem se tem reconhecido o justo “heroísmo” com que “lutam” arriscado a sua vida para salvar as nossas. Não existe, e é pena, pois há uma tradição guerreira, que os militares de vocação cultivam, inerente à génese da democracia – portanto, garante da liberdade sobre a qual se erigiu o Estado de direito. A religião e o exército, para um fanático como o Anacleto, podem não passar de excrescências imperialistas que os amanhãs que cantam estão fadados para apagar da História, daí ter carregado de lança em riste contra moinhos. Mas bastaria recordar os inventores atenienses da “política”, recordar Rousseau, recordar o 25 de Abril, para reconhecer que um exército não é mau nem bom, depende. Depende da comunidade.
No vídeo musical à disposição acima, vemos um dos maiores sucessos populares (em visualizações) com cantores portugueses. Os valores de produção da coisa são paupérrimos e a realização é amadora. Contudo, o efeito de mergulho emocional na audiência é imediato e os mecanismos de narrativa presentes (elementos das Forças Armadas Portuguesas, o apoio médico e social à crise, a bandeira nacional, a letra patriótica, a melodia lírica – e os artistas, com a sua semiótica corporal e vocal) despertam um sentimento de ligação colectiva profundamente envolvente. Ninguém de ninguém sai da experiência que o vídeo oferece com vontade de pegar em armas, de culpar chineses ou de abolir direitos cívicos. É precisamente ao contrário, ficamos unidos subjectivamente a qualquer outro ser humano que se encontre a sofrer ou a ajudar quem sofre – independentemente do género, idade, cor da pele, nacionalidade e profissão. Queremos imitá-los, ou saudá-los, agradecer-lhes.
Portugal teve uma guerra colonial que causou milhares de mortos, feridos, mutilados e traumatizados. Quando o regime mudou, esta gente foi alvo de esquecimento, desprezo e mesmo ostracismo. A um sofrimento indizível, o combate onde se pode morrer de um momento para o outro, seguiu-se um sofrimento inefável, a morte lenta na pobreza, na dor e na impotência. A cegueira ideológica à esquerda nunca se preocupou com eles e a cegueira ideológica à direita apenas os explorou oportunisticamente. E, apesar dos pesares, nos militares está depositada a arte da guerra sem a qual não teríamos sobrevivido como espécie e não nos teríamos civilizado.
A cegueira ideológica, ou egocêntrica, é um combustível inesgotável para os nossos comentadores profissionais.
reis
Mas bastaria recordar os inventores atenienses da “política”,
recordar Rousseau, recordar o 25 de Abril, para reconhecer que um
exército não é mau nem bom, depende. Depende da comunidade.
Explêndido texto , concordo de princípio a fim .
Há quem ainda não evolucionou dos clichés estereotipados de
leninistas e imperialistas. O mundo é amplo, pula e afortunadamente muda
tanto nas pessoas como nas opiniões. O problema da olhada de Louça tem o
seu paradigma na Espanha, na que , por causas varias, muitos ainda
misturam alhos com bugalhos o falarem de uniformados.
O Fernando Venâncio honrou-nos com a sua presença durante dois anos, de 2006 a 2008. E em boa parte a sobrevivência deste blogue a ele se deve, pois ficou por cá aquando da grande debandada da maior parte dos fundadores e autores ocorrida em meados de 2006, ainda não se tinha sequer completado um ano de existência. Também por ele vieram aqui escrever Daniel de Sá, Jorge Carvalheira, José do Carmo Francisco e Soledade Martinho Costa, cada um marcando fases e aspectos desta coisa bizarra e periclitante chamada blogue colectivo.
As diferentes metamorfoses ocorridas sob a égide Aspirina B ao longo de 10 anos dão a ver, para quem delas tiver memória, conteúdos e estilos estupendamente diversos. Seres de raças diferentes calhando serem postos lado a lado. O resultado de este ser um barco à deriva, feliz da vida por não ter um mapa a impedir as surpresas da cósmica sorte. O destino distante ou próximo, todavia, será ir ao fundo, como convém num conto de aventuras.
Dos comentarios colamos o do autor de este blog e no aspirinab "reis".
A teoría de F.V. , com todo o meu respeito e aminha pouca sabedoria do tema, é racional, lógica e bem fundamentada. Isso não faz mais pequeno nem o mito de Camões nem da lingua portuguesa. Porque Camões escreveu em português, no português culto da época, na lingua desenvolvida e estável do reino. No entanto as línguas são fruto da história, da política e tantos factores sociais que sería longo dizer. Só pensemos na influëncia do inglês nas nossas linguas nos nossos días.
No português de hoje há muitos castelhanismos,que por vezes assombram a um galego, e que como bem di F.V. são chegados o português na época da dinastía filipina. Época na qual os escritores portugueses puxavam por escrever em castelhano ou misturar muitos termos en castelhano que lhes proporcionava certa imagen de modernidade com o poder e assim ficaram. Camões é homem do seu tempo como é Pessoa que moderniza e vigoriça a lingua e não tem olhada para a literatura espanhola. Eram outros tempos.
Se engadimos que Camões era de origem galega, que seu pai lutou como muitos galegos cos reis de Portugal nas guerras comtra reis castelhanos, e que fuxiu para Portugal e que se supõe que ser o pae, duma aldeia perto de Vigo chamada Camoes e que o apelido Camoeiras é comum na Galiza,pode ser que alguém sofra no seu mundo mitológico, mas sería para estudar. Embora tudo isso faria mais grande a Camões como grande português de sempre.
E bom revisar os mitos e os feitos históricos narrados de formas muito diferentemente interesadas o longo dos séculos. Se fosse certo que Felipe II da Espanha, na dinastía filipina, no seu afã de procurar uma capital para o reino gostava e defendía que devía ser Lisboa a capital pela sua situação marítima atlántica estratégica para o comercio, a guerra e o controlo da América coloniçada, a sua centralidade e o sentido de união dos dois reinos . Assim podíamos pensar doutra maneira do mito negativo de Felipe II respeito a Portugal. Além de ser Felipe II filho duma grande portuguesa, falava português e sempre esteve muito unido a mãe e sem dúvida a sua costela portuguesa tinha influéncia nessa decisão. Finalmente decidiu-se por Madrid, como bem sabemos.
A teoría de F.V. ajuda a conhecer e se calhar a viver sem mitos na historia para compreender na melhor realidade os proprios mitos
Convencionou-se que o dia 25 de Novembro seria a data da fundação do Aspirina B, embora a primeira publicação tenha ocorrido dois dias antes. Em 2005, ano do lançamento, era o Luis Rainha quem regia a orquestra, tendo partido dele a ideia de criar este pardieiro. Talvez tenha partido dele, igualmente, a colagem ao 25 de Novembro, por oportunidade e subtexto. Se alguma vez falámos sobre isso, já o esqueci. O elenco inicial era retintamente esquerdolas, versão agitprop, daí a eventual graçola.
Que momentos tão lindos podem surgir na blogosfera. As vezes vale a pena. Sinto as palavras do "reis" como se fossem minhas.
E eu venho de outro cantinho, aquí por acasso aparecí, fiquei, e aquí gratos momentos passei.
Digo com emoção pela boa gente que sempre encontrei e agradecido pelo muito que aprendí e aprendo. Foi boa sorte andar por aquí, abriu-me um caminho novo e ajudou-me a namorar-me da lingua portuguesa e ajudou-me a sentir-me mais perto de quem tenho em grande estima, a patria portuguesa.
Se por aquí ficamos sem duvida é pelo constante trabalho e os magníficos comentarios dos que labouram día a día esta seara.
Agradeço o patrão da barca, Valupi, e a todos os colaboradores e comentadores.
Que venham mais cinco, ( ou mais dez)
Faça o favor de continuar senhor Valupi. Mais dez anos.
Keep on, Val.
Queridos amigos, a vossa generosidade e simpatia merece uma estátua. Desejo-vos as maiores felicidades e a fruição plena da vossa liberdade.
E viva o Al Gore, que foi quem inventou a Internet.
1 dezembro de 2005
Um tal Valupi contestava desta forma tão bela a um comentario dum tal Fernando Venâncio.
” O Fernando, …….
Olha, eu é que conto com a tua escrita, seja aqui ou ali. Tens um estilo de um apuro estético que fascina, melodia gráfica para olhos que saibam ouvir. E a alma que habita no corpo das tuas palavras tem espaço. Largo, vasto espaço interior. Que paisagens guardas por detrás dos altos muros com que te sonhas, ó Fernando? “
reis, e esse Fernando Venâncio é o português mais amigo, e até mais amante, da Galiza que conheci – quiçá, que existe…
Muito obrigado por essa saborosa recordação que trouxeste e grande abraço
[A inconfidência é minha mas a culpa é do Google, Valupi.]
Como galego na parte que me toca, agradeço e é um orgulho sentir como galego o F.V. , grande sabio e escritor.
Grande abraço.
Reis, a Galiza do Fernando Venâncio está aqui (são passados dez anos e inadvertidamente este post, que parecia estar fechado, reabriu-se à patine do Aspirina B).
[Myrtilis é a “cidade” alentejana milenar, Valupi? }
serviço público.
obrigado. Acho que perdí coisas bem interesantes que houve antes de chegar eu o aspirina.
“No regresso, o Fernando partilhava o seu amor pela Galiza, pelos galegos e por essa Língua nossa. Eu, ao volante, agradecia aos deuses da Internet pela graça daquele momento e daquele dia”
o primeiro que me veio á mente , quando lhe perguntaram sobre figuras “morais” galegas foi exactamente Castelao , depois um cura obrero velhinho , velhinho , anónimo, e a seguir Fraga. curioso.
Quixen saber quen fora o vampiro no mundo dos homes e fun ler o seu nome de
bronce no rico mármore da campa. O nome só abondoume: fora un canalla que
roubaba para dar regalía ao seu bandullo de porco; dono da xustiza, roubaba
dende a súa confortábel casa. Para que dicir máis? Era… era un cacique !
Yo: todos estamos cheios de contradições, assim pula e avança o mundo. A tua curiosidade acho ter resposta já no escrito.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível
Obrigado Valupi pela publicação.
A cousa andava como assim. Antecedentes.
Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas vidas.
Por desgraça não poso opinar do Agostinho da Silva, mas tanto de Torga como de Aquilino Ribeiro, também gosto da sua moral como módelo para qualquer grupo de cidadãos. São os dois moi grandes.