sábado, 30 de mayo de 2020

E os portugueses são todos iguais?.

    
        Igrexa de Santa Lucia, Viana do Castelo.
Trago aqui este comentario do Fernândo Venâncio no facebook onde ele partilha muita informação e comentario. A sabiduria dele é incustionável, mas tambén o é o poder de provocação sobre temas varios. Não é um portugués que se esconda, todos os temas gosta de meter faca neles sem medo, e não se importa de nadar rio acima. Neste caso arrima a brasa a sua sardinha, como é habitual nele, e presenta os dois carácteres, our formas de ser,  que ele diz há nos portugueses. Tenho escutado en varias ocasiões esa sua teima que leva das vivências juvenis quando ainda criança nos anos cinquenta, veu do alentejo a estudar a Braga o seminario. Era outro Portugal bem mais diferente entre o  Norte e o Sur,  questião que se reflectía na lingua com sotaques muitos distintos e que ele diz que sufriu por isso da arrogancia minhota. Isso foi  uma das causas de ele fazerse linguista.  Vaia pois o comentario. 
OS ALTIVOS E OS AMENOS
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Um miúdo de dez anos é um oscilógrafo de alto-lá-com-ele. Apercebe-se da psique alheia com uma fidelidade assombrosa. No meu modesto caso, o dum alentejano com aquela idade transplantado de Lisboa para o Minho, dei-me perfeitamente conta de como era olhado e apreciado em volta.
Eu era um ser estranho, que se exprimia por pronúncias incomuns e mostrava do mundo um julgamento pouco expectável. O normal (como não percebia eu isso!?) era aquilo que agora ali me cercava, e convinha sobretudo não me dar ares.
Assim aprendi que os nortenhos eram dotados duma auto-estima que superava até o necessário. Eram altivos, e via-se-lho no olhar, na voz, nos modos. Eram o exacto contrário dos compatriotas meridionais, gente amena, doce, coração nas mãos.
Ainda hoje, passados tantos decénios, os sinto assim, a uns e outros. Existe esta amenidade do Sul, esta condescendência, uma capacidade de relativização que abarca este mundo e o outro. E existe aquela altivez setentrional, decerto sincera mas desnecessariamente brusca, de quem dispensa arrebiques, nem saberia como tê-los.
Somos todos portugueses? Certo. Mas convém lembrá-lo de vez em quando. Portugal foi criado por ocupantes nortenhos, armados até aos dentes, vindos desinquietar quem estava sereno.
Sim, essa dum "modo de ser português" supõe uma mais que razoável ingenuidade. E foi, é mais que certo, uma invenção de filósofos do Norte. 

    Como no Minho ainda não havia o milho, caminharam para sul, onde abundava a bolota.


    As apreciações pessoais, sao isso mesmo. Divergem talvez de pessoa para pessoa. O que me parece indiscutivel e o tal modo de ser comum,
    Não há um amigo que tenha vindo de fora e que não nos consudere diferentes de outros países.
    Lá fora somos todos tão, mas tão parecidos , qye ninguem distingue um trabalhador de Viana do Castelo de um rural de Silves ou do Pico, ou de Sao Miguel!



    Sim e não. Eu vivi "lá fora" quase 50 anos. E, se é certo os portugueses se distinguirem como um todo de por exemplo os espanhóis, um olhar atento percebia que havia portugueses de tipos irredutíveis.



  • Gosto muito deste texto. Ele vem ao encontro de muita coisa que pude observar ao longo de quase quarenta anos, quando tive oportunidade de conviver com pessoas de todo o Portugal. Muita coisa nos escapa, mas outras são verdadeiramente pertinentes. Os nortenhos são mais empreendedores. Mesmo no sentido mais normal . Mesmo nas pequenas coisas do dia a dia. Diante da mais simples, "arregaçam logo as mangas". Passam logo à acção. E isso cria neles uma cumplicidade social verdadeiramente orgulhosa. Sem que com isso queiram diminuir os outros.
    Mais a sul, com a alma sincera e aberta, e, com uma solidariedade genuína, perde - se um pouco no sentimento, e na abnegação, a mesmíssima força que nos faria mover.
    Somos diferentes. Quantas razões sócio-económicas nos assim moldaram. Uma coisa é certa. Somos um povo extraordinário. Cheio de amor para dar. Está no nosso ADN.


    Palpita-me que o tema vai aquecer. Declaro desde já, para minha defesa futura, que sou algarvio, com mãe alentejana e avô materno minhoto. 🙂



    , ui, eu nem falo de ascendências, não quero estragar o post ao Fernando.

    Puis you sou mirandés de ls siete cuostados mas mie bó de las Saias era spanhola, arrimada al riu Douro.


  • E a bela herança árabe que tivemos a sorte de viver no sul?
    Não foi a avançada e cosmopolita civilização islâmica, de que beneficiámos alguns séculos, que nos tornou diferentes das “bárbaros” do norte?
    Sim somos portugueses como “eles” mas somos hifenados: portugueses-moçárabes

  • De acordo. Só que os nortenhos também arranjam os "hífens" que os distingam. 😉


  • sim sim cada qual arranja o hífen que lhe convém para a identidade que reivindica.
    Mas o que não se arranja é a mistura de sangues, não é mestiço quem quer. São muita brancos lá para cima nem uma gota de sangue berbere lhes colora a pele...


  • Declaração constitucional, à moda do
    : sou Coimbra por genética paterna e Abrantes pelo lado materno; gerado e nascido em Macau, aos 4 anos assentei em Espinho; fiz a escola em Abrantes e vim acabá-la em Lisboa. Tantas vezes vou aos Açores que os meus colegas de profissão pensam que sou açoriano; os alunos tratam-me por "Mirandês".
    Tenho uma percepção menos aglutinadora que o
    acerca do português no estrangeiro. Concordo, no geral, com o que o
    Fernando Venâncio
    estabelece como diferenças entre o português setentrional e o meridional; mas há uma característica em que os acho muito parecidos: prudentes, desconfiados, em relação aos forasteiros; quando a gente lhes ganha a confiança, dão-se inteiramente.

    Dualismo cartesiano: a castanha e a bolota.


    Sou minhoto e convivi desde criança com trasmontanos, durienses, beirões, estremenhos, ribatejanos, alentejanos e algarvios sem nunca notar qualquer sobranceria ou altivez da minha parte. Houve sempre uma sadia convivência, respeitando as naturais riva…
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    Alcançou-se um certo tempero que permite o uso da expressão de norte a sul. É como o cozido à portuguesa que se come no barlavento algarvio. Com batata doce a acrescentar e potenciar sabores.

Faladoiro ( lugar no que se murmura) Fotos que falan.


Se aprueba la renta mínima vital
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Estados Unidos vuelve a recordar sus conflictos raciales.
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Un sobrino del rey de Bélgica viene a Córdoba a una fiesta y es positivo por coronavirus.



Parece que vamos mejorando mucho,los muertos han descendido a la treintena.
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Una lectura pendiente, vida de Mussolini y repaso a la historia europea.  Lo leyó Sabina, Giuliana dice que es colosal. Tiene que serlo, primero intentar conseguirlo.
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La Guerra de los Cien Años - Grandes Batallas 5

As relacións portugués/galego, a diglosia, o proceso de hibridación co español e as supostas palabras inventadas que non son tal.( Carlos Callón 2010)


A imagem pode conter: ar livre

As bolachas e o pobo. Carlos Callón, ano 2010. 


....."Máis que a un andazo de lusofilia, este exemplo lémbrame a como se foron e van substituíndo determinadas palabras galegas por outras formas españolas que son totalmente desnecesarias. Son moitos os casos nos que convive o vocábulo do noso idioma co introducido a partir do castelán, mais especializando os usos de cada un de acordo cun esquema diglósico. Deste xeito, a forma xenuína fica reservada para o máis tradicional e primario, mentres a interferencia do español ten unha acepción unida ao mundo urbano e moderno. Así, hai quen fala das luras que se pescan e dos *calamares conxelados como se fosen especies diferentes, das billas dos bocois e dos *grifos da auga corrente, da corte das vacas e da *cuadra da equitación, da vasoira elaborada con xestas e da *escoba industrial, da randeeira feita á machada e do *columpio dos parques... E, en fin, das bolachas das romarías e das galletas de mil sabores e formas que se compran no supermercado. A distribución de funcións, con certeza, é un paso previo até a suplantación total da forma propia pola allea.

Haberá quen diga que ao usar lura, corte, billa, randeeira, vasoira ou bolacha se sente como se estivese a falar a través dun tradutor automático e que son termos artificiais, polo que nunca os utilizará, a non ser para os usos primarios antes sinalados. Haberá quen diga que son formas inventadas, que nunca existiron porque nuncas as ouviron ou nunca repararon nelas. Haberá quen diga que a maioría destas palabras son lusismos máis ou menos disimulados. Mais a verdade é que fan parte do tesouro do noso idioma e que podemos aspirar a restauralas para todas as funcións".