mércores, 23 de setembro de 2026

Lendas da minha aldeia. De como fomos uma tarde, em segredo, ver a velha mina do Wolfram. II

 

…..—O Gonzalito sorriu  e dixo-me:

—Manel, aquí nesta cova tem que haver algo do que buscamos. Imos ter éxito, vamos descubrir a causa do assassinato, já verás.

—Home, Gonzalo, não será pra tanto, vamos amodo.

— O malo e que estou vendo que  como entramos na cova. Como podes ver está bem fechada por uma anteira de pedra.

—Manel, se entrou alguém, também podo entrar eu. Bem se vê  que alguém entrou e meteu material, olha as pisadas a terra movida. Inda que parece que já faz algún tempo,  pois não são recentes.

—Foda-se, meu. Como vas entrar ahí? Ti não sabes o que pode haver. E o pior e que não vejo maneira de entrar.

—A esquerda da anteira nesse oco, abrindo-o um pouco podemos intentâ-lo, Manel. Mira, eu entrar dou entrado, seguro. Sou o mais fraquinho de todos nós. E temos uma lanterna e vou vendo que há.

—Ostras rapá, mira que és destemido. Mãe que me pariu, Gonzalo, tenho medo.

—Manel, não digas isso. Aquí o mais destemido de todo es ti. Então que estivo na morte do Carlos, quem viu  os assassinos esconder-se e quem valentemente se puxo a investigar todo e nos atraiu a nós todos nesta historia. Se andamos aquí e porque sabemos que ti es corajoso.  

—Já, Gonzalinho, pero isto  pode ser perigoso.

Então chamei o Tonho e o Rude:

 —Vî-de eiqui.  Tonho deixa-me a lanterna. Descobrimos esta cova, e está marcada por umas sinais que venhem dende alá atrás. Toma Gonzalito.

 —Vou entrar pra ver que encontro.

—Si home, e por onde vas entrar, não ves que está fecha de todo.—Falou o Rude.

—Não ves naquela esquina a esquerda como se tivera um peqeno buraco?. Pois vou ir, escavancando cos maus e  metendo a cabeça e coa lanterna vou mirando dentro e se vejo algo já me meto mais dentro ou saio.

O Rude não acreditava . O filho do veterinario, o  de familia de senhorio, que nem galego fala na casa, vai e é o mais atrevido de nós. Como se andivera toda a vida metendo-se nos cotos dos coelhos, nem que fora um furão.

O Gonzalo, lanterna em mau foi serpenteando polo pequeno oco da entrada e quando tal, o tipo,  já tinha meio corpo dentro e o outro meio  fora.

A sua voz soava com  eco, e falava alto para que ouviramos e eu penso que como reação lógica o medo.

—Estou indo, estou bem. Tenho a lanterna encendida, estou a olhar. A cova e fonda, eiqui cabem varios persoas. Vejo que está usada. Pode ser um lugar de acubilho para gente também. Estou a ver umas caixas e outros materiais que não sei que som. Acho que vou entrar mais dentro para ver melhor.

—Aquí tem habido gente a dormir ou a acocharse. Há palha e erva seca, até vexo uma zamarra velha. No teito até me parece ver morcêgos. Há tres caixas longas de madeira e umas caixas de cartão.—Seguia a falar-nos dende dentro. E nós calados e tremendo. Eu berrei-lhe.

—Conho, Gonzalo sai pra   fora, foder. Deixa a cousa assim.

—Vou ver as caixas.

—Ordia, joder. Não o ides creer. As de madeira tenhem cada uma tres escopetas ou fusiles da guerra, em total haverá nove escopetas. As de cartão  por fora ponhem “peligro dinamita” e estão cheias duns cartuchos grandes. Seguro que inda há de haver mais cousas.

—Vou sair. Isto já me da um pouco de medo. Daquela vou ir pra fora.

Sacou a cabeça e um braço todo e apareceu todo envolto naquela terra negra e húmida. Tinha a cara roxa e puxa-va com força para sair, pero ficou entalado no buraco polo que entrara.Tinha a cabeça fora, estava de lado, pero não conseguia sacar para fora a outra parte do corpo. Ficava entalado naquela merda de buraco no que nunca deveu entrar. Ficamos um pouco nervosos e asustdos e ele também.

—Não perdas a calma, tu tranquilo que entre todos vamos te conseguir sacar.

—Estou bem, vou tentar sair  doutro jeito. E se não,  vou sacar primeiro as pernas haver se me ajeito melhor.

—Não fagas isso, por favor. Se quedas presso e coa cabeça dentro, será pior, vas passar mais medo. Desta maneira, vamos intentar estar tranquilos. E sempre podemos ir buscar ajuda e mentres falamos contigo. Dame arrepio, sinto angustia só em pensar que não te vemos.

Mentres tanto o Tonho fincava forte co seu ombro contra anteira para conseguir uma firgua mais de espaço para liberar o Gonzalito. O Rude também andava intentar fazer oco na terra do arredor da entrada, mas todo era pedrogulho, cascalho e peneda.

—Calma Gonzalito—falou con tenrura o Rude— temos que seguir calmos, vamos a pensar.

—Ajudai-me, não me deixedes, tenho medo. Manel da-me a mão, precisso de vos.

—Es o nosso amigo,Gonzalo,  todos para um e um  pra todos. Ánimo, neno, imos sair adiante. Vamos calmar e pensar. Tem que haver uma maneira de sair. Se foste capaz de entrar, porque merda não se pode sair polo mesmo sitio.

Ficamos em silenço. Passarom apenas cinco minutos. E aquil silenço magoava-nos e afogava-nos. Porque foi tão destemido o Gonzalito? Algo tinha que sair mal, merda. Imos precisar de ajuda, o Tonho e o Rude tenhem que chegar a Santantuinho numa carreira e eu ficarei aqui co Gonzalito e todo se solucionará;

havia que pedir quanto antes ajuda, devem ser já entre as sete e oito da noite, as nove já será lusco-fusco; as nove e meia noite pecha. Temos de aviar-nos já.

Antes de eu falar. O Rude escomençou a escavancar no chão arredor da anteira.

—Então Rude, que fas?.

—Olhai. A esta cova entra e sai gente. Tem que haver uma porta e só pode ser movendo esta anteira. A força não se da, já o Tonho e mais eu tentamos e nada. Pensei nos canteiros. A mim gustan-me moito os canteiros quando andam a levantar uma parede duma casa, tenho-me fixado que rodam  pedras bem mais grandes como se fosse um pau de bimbio. E como fam?.Ponhem debaixo da pedra ums roliços pequenos de madeira  e  a pedra vai rolando por toda a parede até chegar o seu lugar.

—Daposto que aquí debaixo agochado na terra tem de haver algo que faga rolar a anteira. Algo que só conhecem uns poucos. Confiam em que ninguém consiga saber dos roliços.

Puxemo-nos todos a escavancar com toda a nossa força. A terra ia esparexida para tras com toda a raiva que tinhamos. O Gonzalito estava expectante e mirava-nos confiante.

—Rude, falou o Tonho, olha aquí já se ve a base da anteira. Olha está sujeita nas esquina por uma pedrinha, vê-la.

—Caralho, puta- que- a- pariu, sim fica debaixo um oco prá meter uns roliços e que se mova.- O que eu dizia, hostias. Me-cajo-na-puta, imos te abrir, filha-da-puta.

Num momento descobrimos também a outra cara da anteira também sujeita por outra pedra pequena no seu borde.

 

Pero. U-los os roliços?.Ninguém falou.Mira-mos arredor, algo falta ainda. 

O Gonzalito, ergueu a sua cabecinha e dixo:

— Estamos bem.Os que venham aquí não vão preparar uns roliços de madeira cada vez. Tampouco vão andar com eles o lombo. Tenhem que estar escondidos por aquí, como algo fácil para abrir esta cabrona desta anteira.

—Pois, adiante meus, a buscar, algo tem que haver cerca.

Dali a pouco berrou o Tonho eufórico:

—Niste buraco entre as pedras, aquí estam.

Tres roliços pequenos ferrugentos amanhados de material das máquinas da mina, estavam bem guardadinhos ali. O Rude pegou neles coma um tolo e colocounos na parte aberta da base da anteira. Cuma pedra desplazou as duas pedrinhas que sostinham a base e ficou a anteira descansando naqueles cilindros.

—Tonho, Manel,  empuxai  que eu controlo que não se saiam os putos chirimbolos istes.  

Assim foi. Sem demasiada força a porta deslizou-se para a direita  como se nada, aqueles cilindros  pareciam a última modernidade da mecánica. Berra-mos à solta; juramos cada um o nosso jeito coa raiva alegre do trunfo. O Gonzalito zafou-se da puta cova como um lagarto e abraçou-se a nós. Chorava e tremia e nós, com dissimulo,  também estavamos a chorar. Passáramos moito medo. Numca nos sentíramos noutra igual.

Ficamos sentados, aquietados. Aquelas penedas mal-feitas, penduradas umas nas outras pareciam querer baixar e brincar monte abaixo. O céu estava limpo, o sôl já esmorecendo davâ-nos nas costas. Estávamos sós, desfrutando do estar,  como se fossemos  os donos da mina;

naqueles momentos olvidáramos o motivo polo que estávamos ali. Que mais dava todo e isso que nas nossas costas fixeramos uma grande descoberta. Tentáramos o demo e saimos ceibes, só nos quedava fugir dali;

antes tinhamos que deixar tudo bem arrumado pra quedarmos limpos de todo e olvidar-mos  do pesadelo que tivemos;

recordo as palavras do Nestor. Se vos colhem com algún contrabando podem ir contra vós ou os vossos país. Então quando cheguemos a Baltar já será noite. O Nestor ao ver que os nossos país perguntem por nós, será o primeiro de dizer-lhes que vinhemos a mina. Incluso com seguridade  a Guardia civil e o pedáneo tocaram a concelho para vir-nos buscar;

se alguém voltasse ali e notasse qualquer mudança saberia que houvera visitas.. Temos que deixar todo bem arrumado e liscar;

companheiros, isto é o que ha: Eles assintirom  e começa-mos o trabalho com todo o interés. Fechamô-la porta empujamos a anteira. Tapamô-la coa terra escanvancada, gardamos os roliços e colocamos as pedrinhas que a sustentavam. Pasamos umas gestas a modo de vasoira para borrar pegadas......

martes, 22 de setembro de 2026

O manuscrito do capitám: 1965. JULHO. A patria é a infância.

  

.....Nestes días Madrid é um forno, fai um calor abafante. Eu acostumo a madrugar para aproveitar um pouco o fresco do amencer porque no  resto do día fai-se  o trabalho com lentidão, e tudo parece mais maçado. Este sol meseteiro invita a sestear. Tenho ganhas de ir a Celanova coa familia e dar umas voltas por Ourense. Tenho saudades galegas, preciso respirar a humidade térrea, e desfrutar os amenceres frescos e a alentidão do solpor nestes dias longos do ano. Sim, a patria é a ianfància. 

Pressinto, que mais pronto que tarde,   vou  ir dar uma volta por alá. Motivos profesionais.

Os días aquí passam, de repente, de aborrecidos a trepidantes. No Servizo de Informaçao numca podes dizer o que vas fazer amanhã. Os días estão agendados, embora os aconteceres não.  Agora tudo parece andar tranquilo. Rutina. Nos últimos meses houve que dar muitos “Informes”  sobre os movementos na Universidade das organizações comunistas, concretamente a chamada UJCE, “Unión de juventudes comunistas de España”. Ainda que os  jornais nada dizem o respeito, na rua andam a fazer moito  barulho e isso preocupa as altas esferas do poder e então os jefes pedem resultados e explicações.  De momento andam a levedar coas suas asambleas clandestinas  e co reparto de propaganda. Pararom cos peches de aulas e sentadas nos campus. É evidente que estão a medrar em  organização e em militantes, tal como manifestam os informes da gente que temos inflitrada. Eu já alertei de que são sem dúvida um problema futuro, por varias razões, uma delas e que moitos dos futuros quadros dirigentes  do país estão a recever formação e informação moi contraria os ideais do “Movimiento”, e iso presenta um futuro cambio político que ainda que não parece vislumbrar-se, algúm dia chegará. A universidade em Madrid está moi revoltada, aquí esta-se a dar  a batalha contra o Regime. É uma mecha que está inzando de candeias outras universidades. É um campo moi perigoso para o Regime. Entre os dirigentes do Movimento há  moita asneira dirixente e não vem, e ainda pior é que não há gente com preparação suficinte para encarar estes problemas inteligentemente, eles creem nos  paus, malheiras e detenciões. Despois da expulsão de Aranguren, Tierno e Garcia Calvo como profesores, por exigirem o dereito de manifestação, mais bem parece que se perdeu o medo. O nosos axentes tenhem moito trabalho em quanto a informação que eu despois tenho de clasificar  e sintetizar e remitir os meus jefes. Eu, bem acompanho os meus informes com  sugerencias que podem valer para aminorar a influencia marxista, no entanto ninguém sabe como atalhar um assunto que pula e avança e que só terá como remate um cambio político num futuro não moi lonxano. Agora coas férias as asambleias e os disturbios pararom, eu aproveito para sintetizar todos os informes e com calma.

Também, ainda que não é do me campo de trabalho, estou a ouvir que está emergendo moito  o movemento sindical clandestino. Estes andam de mãos dadas cos estudantes e  são os mesmos activistas os que trabalham  tanto num campo coma no outro. Nos dous casos são gente joven e moi activa. Sempre está detrás o Partido Comunista que move gente dum lado para o outro. São duros, tabalhadores e arriscados. Eu vejo que são gente que se cresce na clandestinidade e manexam moi bem as técnicas do controlo das masas em geral.

     Em quanto o movemento sindical já vi que há informes do noso servizo de Informação que recomenda que se debe modernizar a lei sindical do “Movimiento”, que tal vez esteja já obsoleta para fazer frente o sindicalismo clandestino.   

     O futuro do Régime e de Espanha pasa por o controlo que as camadas dos chamados tecnócratas, do Opus, tenham do governo. A outra posibilidade é o meu paisano Fraga Iribarne. Fraga é listo e ambicioso. Tem  ideias modernas além dum grande ego político. Ele sería um verdadeiro renovador ou actualizador do Regime para os novos tempos. Franco sabe-o e confía nele, porém os falangistas, descerebrados e apresebrados em geral, exercem a vixilancia e pureza das ideias e não permitem evoluir. Franco,  a través de Carrero, confia moito no Opus e especialmente en Lopez Rodó. Estes são os que podem conducir a Espanha a modernidade política e  económica. Franco tem que andar a fazer equilibrios  na procura da harmonia e o contrapesso para evitar os   falangistas tolos saltarem a ciscar  discursos morais de autenticidade de ideias ancladas na victoria da guerra. Eles não dam deixa-do este discurso. Ppor sorte a  economía está já em maus do Opus, dende o Banco de Espanha até todos os quadros económicos. A falange vive no populismo e na pura asneira. Quando tiverom responsabilidades económicas subiron os salarios sem mais um oito por cento criando uma inflação que por pouco funde e deixa a rasca a nação. Os tecnócratas falarom com Franco e derom-lhe conta da situação. Esta gente tem que estar só para decorar o sistema e fazer discursos delirantes para conmemorar historias mitológicas que os mais fieis precisam de vez em quando. Sem dúvida se não fosse a figura de Franco que é respeitado  e temido, por todos os bandos, acho que o equilibrio sería moi difícil e tudo isto saltaría polo ar.

     Ontem chegou um mensagem da Pide portuguesa por vía confidencial. O operador pasou-lho directamente o Coronel quem  me chamou e me dixo que tinhamos tema cos portugueses. Primeiro a creação do movemento Ibérico de libertaçao o chamado DRIL; despois o  secuestro do barco Santa Maria, cheio de ciidadão americanos,  por parte deste movemento. Recentemente   o assassinato  do general Humberto Delgado em Badajoz por parte da mesma PIDE. Esta gente anda moi alporiçada, querem que nos movamos mais. E aqui a gente está por calar e que não se sepa nada. Para isso se fixo o Pacto Ibérico, recentemente, entre Franco e Salazar.

Em resumo, por cousas da vida,  recevi a encomenda do análise e controlo das informações correspondentes a estes  asuntos. Como segúm o meu jefe o trabalho relacionado coa juventude e universidade apenas tinha carga de trabalho e importancia podía adicar-me bem estes outros asuntos dos portugueses que o fim e o cabo tenhem uma importancia relativa. Assim desta maneira, entre outros, chegarom até mim os nomes de José Velo, um tipo de Celanova, Sotomayor, um militar da Armada da república, também galego. E os portugueses  maior Galvão, e por suposto o general Humberto Delgado. 

 Seja como for,  estamos em maus de indocumentados, até que esta geração de políticos e militares  deixem a dirigencia, pouco podemos esperar. Estes alféreces provisionais que pelo simples feito de ser uns entusiastas loitadores numa guerra que ganharom, e que empurrados polos seus colegas da camisa azul medrarom no poder e na liderança dos principais orgãos de decisão, não dam mais de si. Vivem  fora do mundo real e a sua preparação para actualidade é moi duvidosa. Nem estão preparados para comandar qualquer posto de dirigencia que exija certa preparação.Estão desfasados da realidade, sobra-lhes entusiasmo e berro mitineiro e estão faltos de modernidade e adaptação o mundo que está a chegar.

O mensagem por telex codificado em criptografía ainda não fora descifrado, mas o meu Coronel sabia  que poucas vezes  os portugueses se punham em contacto, pois  são moi reservados na colaboração e nós também com eles. Ainda que pareça que temos governos amigos, a verdade e que não é assim. Receiam moito de nós, tal vez a nossa arrogancia e o mito do medo secular a invasão lhes influa neles. A verdade é que e um tema interesante para contar. Como galego e da zona de fronteira tenho moito curiosidade por Portugal  sobre todo despois de istes  anos de colaboração policial que me permeterom viaxar a Lisboa, Porto e outros lugares de Portugal e ter contacto aquí em Madrid com alguns agentes portugueses. Estes contactos ajudarom-me a com um pouco de esforzó e aproveitando o meu galego desenvolver-me na lingua portuguesa tanto na fala como na escrita.   A verdade e que os nossos mundos  estão moi afastados, vivemos de costas viradas e coas fronteiras pechadas  dum e do outro lado. Assim que fica pendente quando houver tempo e calma uma escrita reflexiva sobre a minha experiencia portuguesa. Portugal está no tempo dos mitos viventes, o Sebastianismo, a etapa das descobertas, Aljubarrota. Espanha está no Imperio e nos tempos da grandeza e nesse imperio entra a asimilação de Portugal como apéndice pobre e limítrofe que engrandaría a Península baixo  o cerne castelhano.

 Sim a partires de 1961 co secuestro do barco Santa Marina pelo Chamado Directorio Ibérico de Liberação, formou-se uma célula de colaboração entre  os servizos secretos espanhois e os portugueses. O  nosso servizo da Garda Civil  foi o responsável do seguimento deste asuntos coa colaboração da PIDE portuguesa. Estava eu recem chegado o Serviço quando criamos a colaboração. Além do DRIL e do secuestro do barco Santa Marina, as aguas moverom-se quando en Fevreiro foi assassinado na comarca de Olivença o general e político portugués Humberto Da Silva Delgado. O general “sem medo” estava oposto a ditadura de Salazar, fugiu para Espanha e foi assassinado pela PIDE na fronteira de Badajoz.

Humberto Delgado no ano 1933 foi participe no golpe de Estado que criou en Portugal o chamado Estado Novo baixo a ditadura do profesor Oliveira de  Salazar. Humberto foi simpatizante do nazismo e admirador de Hitler em contra de Oliveira de Salazar. Mais tarde fez uma notável carreira militar apoiado pelos británicos cos que travou confiança como representante de Portugal na negociações secretas  para instalarem as bases militares nas Açores. A pesares de ser um homem da parte ultra do Estado Novo a partires de 1950, chocou moito com Salazar e este relegou-no no que a cargos oficiais. Mais tarde compensou-no para se deslocar a embaixada em Estados Unidos e alí travou contato cos americanos e converteu-se em fervente demócrata. Não sabemos se realmente mudou no seu pensamento, que acho que sim, ou simplesmente era uma forma de ir comtra do seu enemigo persoal Salazar. Seja qual for a causa da sua mudança ideológica o caso é que o  futuro general se convertiu num home popular com liderança e alternativa o Goberno de Salazar. Presentou-se as eleições para Presidente da República em competencia co almirante Américo Thomas que foi o ganador oficial pois denunciou-se pelo país que houvera uma frande eleitoral e que o ganador fora o general Humberto Delgado. Delgado incitou os militares a revelarem-se contra a ditadura de Salazar e ante a perseguição política fugiu para o exílio no ano 1959. No ano 1964 foi enganhado pela PIDE, a través dum suposto militante portugués contra a ditadura, para ir a frontera en Badajoz. Alí foi primeiro sequestrado e despois assassinado por um agente da PIDE. A policía espanhola fijo uma investigação esclarecedora dos feitos sem acochar a realidade, ainda que deixava em mal lugar o governo amigo da ditadura portuguesa.

Despois da derrota electoral, voltamos o ano 1959, Delgado fundou o DRIL. Convencido de que a ditadura não se deixaria vencer por medios pacíficos formou o “Directorio Revolucionario Ibérico de Liberação”, cuja finalidade era usar a violencia terorista. No Directorio estavam integrados militares antisalazarista e antifranquistas de Portugal e Galiza. No ano 1961  apoiado pelo DRIL e liderado pelo general Botelho Moniz intentou-se um golpe de Estado que  fracasaria....

mércores, 9 de setembro de 2026

Lendas da minha aldeia. De como fomos uma tarde, em segredo, ver a velha mina do Wolfram. I

 

......Tal como combinára-mos, a hora marcada, quatro da tarde,  juntamo-nos com moita ilusão e nervos na capela da Asunção. Dali arrancamos a caminhada cara a mina. Só imos uma parte dos “raposos: eu, o Rude, o Gonzalito e o Tonho.  Esta actuação clandestina e arriscada fai-nos sentir eufóricos, sem olvidar-nos do  André e o Eladio,  acompanhados do Antolas,  que andaram agora a sairem cara o rio caminho do  moinho da Ribeira.

 Tiramos cara Santantuinho para seguir o caminho que nos levara a mina de Gomariz. O tempo de sair, escoitamos o longe as campás da Igrexa pra anunciar a hora da catequese. Ali tinhamos que estar, no entanto vai ser a nossa coartada na fugida;

 apanhamos uma rodeira de carros abeirada a carbalhos e castinheiros que nesta hora que estamos, agadecemos bem;

 pouco a pouco imos chegando. Já levamos uma hora longa de caminho e isto já está a parecer  mais que cansativo. Saimos duma zona de tupidas matugueiras,e aparecemos no meio dum monte raso. Lá em frente vemô-la. Ali esta.

A velha mina de volfrâmio jaz abandonada desde há mais de quinze anos. O que  fora um formigueiro de homens, camiões e barracões, era agora um lugar silencioso e triste. Junto à entrada principal ainda se conservam os restos enferrujados das vagonetas e alguns carris semicobertos pela erva. Os barracões de madeira tinham perdido os telhados.As paredes aparecem comidas pela humidade. Aqui e acolá vem-se montões de escombreiras cobertas de toxos, giestas e silvas. A boca da galeria, negra e húmida, permanecia aberta como uma ferida na montanha. Da abóbada caíam gotas de água que formavam pequenos regueiros ferruginosos. Os vizinhos ainda lhe chamam «a mina», mas já quase ninguém se aventura  por  estes lugares.

—Olhai, isto deve ser o que o Nestor dizia que era  “o foxo do lobo”.

—Pois tenche fondura, rapá. Meca-jona sim que mete medo— falou o Rude.—Pois inda tinha que ser moito mais fondo daquela.

—Sabedes a historia—falou o Tonho—aquí havia antigamente um foxo de lobos e despois o fazerem a mina foi desfeito. Quando a mina deixou de funcionar aproveitarom esta excavación ampla e fonda para voltar a ter  aquí o foxo.

O Gonzalito, o que menos sabe da aldeia , pois ele vem de familia de vila e dada o senhorio, perguntou:

—Que é um foxo de lobos?.

Contestou o Tonho que ouvira todas estas historias do seu avô:

—Daquela havia moitos lobos  e faziam-lhe moito mal o gando e a gente, então juntavam-se toda aldeia, homes e mulheres,  metíam no fondo do foxo uma cabra ou ouvelha e despois iam fazendo uma batida dende o monte com berros, fachós e bulha coa intenção de provocarem o lobo  sair  dos seus acubilhos e guía-lo até aquí para que coa cobiça de comer o cebo caisse no fondo sem poder sair mais. Era uma forma de eliminar lobos, e havia foxos por todas as zonas de montanha.

—Pois tinha que ser um espetáculo ver toda a gente polo monte com esas lumieiras e fazendo bulha. Menudo divertimento. Vê-se que devia ser emocionante, e os lobos andariam espantados e temerossos. —rematou o Gonzalito.

—O Rude falou cheio de emoção, sinalando o material : Meca-jo-em-diola nenos, isto é uma maravilha. Que puidera vir todo iste material funcionando e o ambente de gente que havia aquí.

—Pois, o meu avô dixo-me, que  as melhores máquinas e a documentação, estão numa casa que antes era a oficina da mina que está a cargo de dom Sixto, por se ainda se volve a abrir a mina. —contestou o Tonho.

—Haver, vamos lá, então—falei eu  por cambiar de tema: —Tonhinho trouxeches a lanterna da tua casa?

—Sim eiqui está.

—Moi bem. Vai-nos ser moi necessaria pra olhar pro oscuro das covas e galerías.

— Bom pois vamos a distribuir-nos em línea e imos avançando todos a vez, cada um por um setor de cem metros mais ou menos,  e olhando-nos entre nós.  Recordai qualquer cousa pode ser interessante;

por eiqui passou e passa gente, contrabandistas e outros. Todo o mundo deixa algo: uma cabicha por exemplo pero não é o mesmo que seja dum tabaco barato a um caro,( os ricos fumam caro); um pano perdido; uma caixa de mixtos, uma ferramenta, pegadas de calçado e de cabalos etc. E se temos sorte poderemos descubrir algum contrabando. Em fim, temos ocasião de pesquisar e sairmos de dúvidas. Haja o que houver, já despois falaremos. Não olvidemos que o Carlos vinha por aquí as vezes. 

Pois venha, vamos lá.

Caminhamos um pouco e já berrou o Rude:

—Meca-jo-na puta, aquí há polo menos trinta cabichas o lado desta peneda. Eiqui não fai moito esteve gente e fumarom dabondo. É tabaco do barato, não tem filtro ningúm, parecem Peninsulares, nem Celtas parecem. E cheio de pegadas de zapatos, eiqui esta manhâ  ou onte a noite andiverom por eiqui, pois esta todo recente.

O Tonho também falou de ver pisadas de botas e pegadas de cavalarias. Eu também via rastro de terra movida e levantada como se arrastrassem caixas. Ficava claro que o lugar era bem visitado.

O Gonzalito azanou-me coa mau e dixo-me: —Manel vem ver isto.

Os dous juntos olhamo-nos e demos por feito que aquela aspa de cor azul pintada numa pedra grande do caminho, sinalava uma direção ou algo assim. Seguimos andando e a nossa esquerda já fora do nosso setor a cem metros a mesma sinal noutra pedra. Seguimos caminhando e o fondo intuia-se uma antiga galería tapada com uma anteira bem cortada e que na sua base tinha a mesma sinal da aspa azul.

O Gonzalito não era nunca de berrar, era frío e sabia manter a calma. Eu parecía bem mais nervoso que ele. O Rude e o Tonho inda não eram sabedores  do nosso e seguiam falando e contando o que iam vendo. Aquí uma cagada fresca, dizia o Rude, tanto pode ser de raposo como de lobo, aquí cotos de coelhos, esto parece pelo de raposa…..O Gonzalito sorriu e olhou-me e dixo-me:

—Manel, aquí nesta cova tem que haver algo do que buscamos. Imos ter éxito, vamos descubrir a causa do assassinato, já verás.........