mércores, 6 de maio de 2026

O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro. III

 

                                                                                 1957

                  O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.  

...../Despois de conversas vanais e gerais sobre a paisagem, as costumes e outras  curiosidades, o senhor Miguel Morgado, tirando   mais de empatía, façia-me perguntas tais   como era a vida na Academia Militar, que se estudava, como era o trato, que afições tinha eu, se me divertia também numa cidade coma Zaragoza, que ele não conhecia e quería saber como era. Também falamos de como era  vida em  Celanova, falamos um bocado da figura de são  Rosendo e o mosteiro. Despois ele passou a falar-me da terra dos mixtos onde estavamos nesse momento, que origem tinha e porqué a estas gentes chamam-lhe os dos mixtos e deu-me uma dicas do que fora  a historia do Couto Mixto. Falamos do tempo tão caluroso de este verão, da Gardería Forestal do Estado que começa a plantar de pinheiros os montes e da moito trabalho as gentes da labrança quando já  acabam as épocas de sementeiras e colheitas, ainda que nalguns lugares parece que tanto pinheiro vai perjudicar a  moita ganderia de ovelhas e cabras. Enfim um pouco de todo.

Ainda  no meio das conversas tão agradavéis do senhor Miguel Morgado, sem dar-nos conta demos cabo duma boa comida feita de arroz com coelho e uns doces de sobremesa, todo acompanhado dum vinho verde do Porto, uns copos de aguardente velha e café.

Despois fum invitado a sentar-me num dos sofás e o meu lado sentou-se o senhor Miguel. O fondo a vista deixava-se levar polas veigas de Tosende e Meaus até chegar a Sampaio e as montanhas de mais alá que albergavam  os povos de São Martinho e Sabucedo. No inicio das  veigas via-travessar um menino   rio Salas  que ia escorregando entre  pequenas pontes de paso e dous pequenos moinhos que por aquí chamam azenhas.

O senhor Miguel acendeu um charuto e invitou-me a outro que rexeitei, pois não tinha a costume de fumar charutos, ainda que eu para acompanhâ-lo tirei da minha bolsa um cigarro  de tabaco rubio americanom Winstom. O meu anfitrião era, sem dúvida, um bom acolhedor, e estava acostumado a recever e convidar a gentes com  boas refeições.Comigo pronto   conseguiu um ambente cálido e de confiança. Era destas pessoas que precissam de descontrair o seu invitado, sabê-lo sentir-se cómodo, escoitâ-lo até façê-lo a persoa importante e  protagonista do encontro de tal maneira que ele parecia desaparecer do convivio e fazia do invitado a estrela que reluz. Sabia escutar e dar nobreza e ênfase o invitado. Parecia ter  moita experiência.

Embora eu seguía esperando um troco na nossa conversa, algo  importante tinha de chegar em qualquer momento, pois isso era o motivo da minha visita. E este momento  chegou:

—Caro amigo Manuel, querido tenente. Trouxe-no aquí para dar-lhe informação sobre a sua vida.Informação que você não conhece. Tal vez se incomode ou não  lhe beneficie o conhecê-la, mas como já lhe disse na  minha carta eu tenho que cumprir coa promessa feita.

—O seu pai biolóxico foi o meu amigo Manuel Folgoso Quintana. Ele morreu apenas há dous anos perto de aquí na aldeia de Pitões das Junas, moi doente no último ano por uma enfermidade pulmonar. A sua mãe biolóxica foi assassinada apenas començar a guerra, quando tentava  na sua fugida passar para Portugal dende o povo de Hermisende, nas portelas do Padornelo,  lá na Seabra, em Zamora. Eu a sua mãe não a  conhecim pero fui conhecedor da sua morte e dos companheiros que a acompanhavam na sua fugida. Todos galegos da provincia de Ourense que encontrarom na sua fugida a morte. Eu fui quem trouxe a noticia o seu pai que não foi enterado da sua morte e seguía confiante em encontrar-se com ela.

—Eu som de Zamora, das contornas de Aliste, daquela era mestre rural e segum començou a guerra civil um grupo duma cénturia da Falange vinha para matar-me e eu avisado a tempo puidem escapar prá  Portugal e aparecim em Montalegre, moi cerca de aquí e alí contactei co guerrilheiro mais intrépido da raia o “ Quintairos”. Ele foi quem me deu o apoio que precissava quando pedi ajuda os fugidos. Contactarom-me com ele e ajudou-me junto cos seus companheiros.  Todos tinhamos algún alcume para identificar-nos, ele elegiu ese nomem como homenagem e recordo da sua aldeia mai. Eu era o “zamorano”.

O seu pai morreu fai agora  apenas  dous anos. A pouco de  você ingresar  na Academia militar, ele ficou moi doente com uma infermidade pulmonar contraída, seguramente, nos duros anos de fugida de andar a  dormir nos montes, friages, molhaduras, fame, etc. Ele sabia todo sobre a sua vida, ele viviu as suas experiências como se as vivisse ele. Eu era o seu enlace e informante. Eu tinha os meus informadores sobre você. E nos últimos anos eu consegui travar contacto co seu tío para conseguir um encontro entre você e ele, agora que já os tempos entre peseguidores e fugidos  estão calmos.Até de agora todo isso era moi perigoso tanto para você como para o seu tio, e ele não quería por nada do mundo ser um travão na sua vida, nos seus estudos e na sua vida militar. Tinha uma ilusão enorme por  poder falar com você, embora não pudo ser, o mal  avançou moito mais do que pensávamos e morreu sem poder cumprir ese último desejo. No entanto morreu  pensando em você e chorava de alegría e emoção o saber de todo o que conseguiu. El era a solidaridade total, a loita polos demais, a ajuda generosa e o home mais trabalhador e honesto que conheci. Estava moi orgulhoso do seu filho. E estava agradeçido o seu irmão, o seu tio, que foi tão bom pai nestes anos. Já lhe disse que tentou e teimava por poder contactar  com voçê e co seu irmão, no obstante eu, que conhecia a situação, sempre lhe dicia que era moi arriscado. Até de agora o governo que ganhou a guerra anduvo imparável contra os poucos guerrilheiros que ficavam no interior da Galiza.  Até 1947 faz nove anos tinhamos moita actividade ainda na nossa zona aquí na fronteira. Mantivemos os comandos e a nossa organização logística e operativa. Despois já estavamos cansos e a nossa loita já não tinha futuro, ainda mais a guerrilha antifranquista do exilio e os que ainda estavam no monte, também se disolveu. O franquismo está mais forte ca nunca, tivemos uma janela de ilusão aberta, coa vitoria dos aliados no abril de 1945, embora foi uma decepção de que houvesse um cambio e reconciliação em Espanha, e doze anos despois Franco está mais asentado ca nunca no poder e ainda moitos dos republicanos ou contrarios o Régime  estão em busca e captura. Dende que Franco foi apoiado polos Estados Unidos no ano 1952 esto empezou a cambiar ainda mais para pior, pois os americanos vem em Franco um elemento importante na sua  loita  mundial nesta guerra fría. Estou vai para adiante e como sabe faz dous anos Espanha entro una ONU e até de agora as potencias europeias rejeitavam o Régime, mas já todo mudou e agora Espanha está aceite como um socio europeu e fala-se de que se va abrir emigração para Europa para poder trabalhar a nossa gente. Assím como pode vêr nós já rematamos o nosso percurso, só desejamos que a gente viva o melhor posível,  seja co Régime que for. Eu que fui um republicano activo e entusiasta hoje estou já céptico de todo..../

martes, 5 de maio de 2026

O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro. II

                                                                        1957

                                 O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.  

 

..../ Os poucos días de obter o grado  de Tenente da Garda civil no mês de Julho de 1957 estava de férias na casa familiar em Celanova. Naquele verão na comarca foi conhecido o meu sucesso e estendeu-se nos faladoiros o meu nome. Soubesse  quem era eu, de que lugar exacto vinha a ser, de que familias era, e esas cousas, ou seja dito coa modestia do caso, fixen-me famoso. Também,  ajudou, o publicar o jornal “la Región” de Ourense a notícia, ao  tempo que engadia  folgar-se  e congratular-se  por   terem como vecinho da provincia de Ourense    um oficial tão jovem com um futuro prometedor. Impulsado, achava eu,  pela fama que eu tinha nesse momento, recivi uma carta de felicitação duma persoa que dizia chamar-se Miguel Morgado Avedillo, residente na localidade de Entrimo. O senhor queria felicitar-me polo resultado feliz alcançado, e dizia folgar-se moito por mim e a minha familia. Feitas as presentações, engadiu  desejar  moito ter um encontro comigo. Tinha certa documentação e informação  que gostaría  partilhar-me. Justificava  como  motivo  del tal encontro  uma  promessa feita a uma persoa cercana a mim. No obstante sería precisso guardarmos um  sigilio total do encontro, todo devia ficar  entre nós. Só ele e eu estaríamos na reunião, e entre ele y eu ficaria o segredo. Voltou-me a engadir que tinha o sagrado deber de cumprir o encargo feito por um amigo seu, moi querido,  que antes de morrer  deixara-lhe a encomenda de  encontrar-me. Agregava, como petição final, que se não me importava a ele gustaría-lhe fazer o encontro na aldeia de Meaus, no Couto Mixto, no Val de Salas, pertecente o  concelho de Baltar ainda que moi próximo a Calvos de Randím. O motivo do lugar elegido era simplesmente por ter  neste lugar, ele,  uma casa propria na qual  estava asegurada a nossa reserva e discrecião; além disso, polo dito motivo de manter o maior sigilo,  sugeria ser o  melhor dia para o encontro  o 25 de Julho, pois era feriado nacional e o mesmo tempo haveria  festas patronais na aldeia próxima de Santiago, incluso no propio Calvos, por tanto estava asegurado o rebumbio, a algazarra  e o movimiento de gentes dum lado para o outro polos lugares da zona, e sería um ambente adequado  para evitarmos  suspeitas e inquisições dos vecinhos, dos  curiosos e os indiscretos. Sugeria-me, pois, se for posível  deslocar-me  de automóvel até Calvos dende Celanova  e despois alí dirigir-me o paço dos Tejada e  perguntar por “O Lameiro” e dizer-lhe que vai de parte do senhor Miguel  Morgado e ele lhe proporcionara  uma cabalo  e o acompanha-lo-á até  a casa de Meaus. Como é evidente fiquei moi intrigado pola carta recevida. Presentava-se uma aventurinha moi atractiva para um jovem tenente que já se sentía inquieto, excitado  e com moita imaginação. Quem seria capaz de  ficar quieto e  sem fazer nada?. A quem não lhe entra o desassossego, a curiosidade, por desvendar o mistério, ainda se  intuir posíveis  riscos ou enganos?. E se realmente todo fosse uma armadilha para façer-me mal? Pero quem seria capaz de tal, se não tenho inimigos e som um tenente da Garda Civil, seria posível que alguém fosse capaz de tamanha burrice?.

A carta ficou no meu íntimo segredo e os meus miolos  rilhavam  nos pros e contras daquilo. O misterio estava no ar e eu tinha de desfazer  aquel novelo. Arriscar para saber ou ficar quieto e pasado o tempo lamentar-se?. Eis a questão.  Seja qual for a decissão antes precissava falar com algúem daquilo. Mas só havia uma persoa coa que poder falar do tema.E era o meu pai, um Garda civil já na situação de reserva e ocupado em pequenas  labouras de horta.   

Ensinei-lhe a carta. Leu-na com moita atenção. Pujo cara de preocupação. Sentou-se, pensou e com voz calma dixo-me:

—Vai ser uma cousa moi persoal. Eu não faço nem ideia de quem pode ser ese homem, paresce serio e preparado polo tom da carta. Se queremos, poderiamos  informar-nos fácilmente de quem é, eu posso investigar algo no posto de Celanova, conheço varios gardas que estiverom destinhados em Entrimo. No obstante, sabes que che digo, canto mais segredo seja todo, moito melhor para ti.A minha intuição diz-me  não pressentir nenhuma má treta  ou perigo para ti.Intuio que não. Acho, será uma cousa que ele che queira dizer só a ti. Vai lá, es um homem jovem, nada se che pôe hoje por diante. No obstante uma cousa importante che recomendo: Mantém o segredo do que che diga, e fala comigo quando voltares; não contes nada a ninguém, nem sequer a tua mãe. Recorda,  só a mim.

E já quase parecia ter rematado o seu conselho e agregou

—Outra cousa mais che recomendo: Pensa que tens uma carreira  militar por diante e não tem porque haver nada que cha tronce ou te  faça dano. Tens uma imagen que dar e parecer, formas parte dum estamento, como bem melhor ca mim sabes,  que tem moito controlo do que fazem e pensam as persoas do Corpo. Quer se queira quer não aquí todo se sabe. Entras num terreo moi escorregadiço, estás empeçando a tua carreira pero entras como um cordeiro num territorio de lobos. Chegaras a ter  moitos amigos, asegúrate sejam bons mas vela-te moito dos indiferentes e equidistantes, pois dos enemigos declarados é mais fácil esconder-se, porque já os conhecemos. Recorda isto./.....

 

mércores, 29 de abril de 2026

Choir! Choir! Choir! & Patti Smith sing "PEOPLE HAVE THE POWER" (Reciclaje blogueiro)

 No 2021, este post. Hoje é atualidade Patti Smith é premio Princesa de Asturias. 

Choir! Choir! Choir! & Patti Smith sing "PEOPLE HAVE THE POWER"

 

https://www.youtube.com/watch?v=y6Wz3i_BYUc&t=7s 

I was dreaming in my dreaming

 Of an aspect bright and fair 

And my sleeping it was broken 

But my dream it lingered near

 In the form of shining valleys

 Where the pure air recognized 

And my senses newly opened

 I awakened to the cry 

That the people have the power

 To redeem the work of fools

 Upon the meek the graces shower It's decreed the people rule 

The people have the power The people have the power The people have the power The people have the power 

Vengeful aspects became suspect

 And bending low as if to hear

 And the armies ceased advancing 

Because the people had their ear

 And the shepherds and the soldiers

 Lay beneath the stars 

Exchanging visions 

And laying arms 

To waste in the dust

 In the form of shining valleys

 Where the pure air recognized

 And my senses newly… 

 

Estaba soñando en mi sueño
De aspecto brillante y justo
Y mi dormir estaba roto
Pero mi sueño se demoró cerca
En forma de valles brillantes
Donde el aire puro reconoció
Y mis sentidos recién abiertos
Me desperté al llanto
Que la gente tiene el poder
Para redimir la obra de los necios
Sobre los mansos las gracias se derraman
Está decretado que el pueblo gobierne
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
Los aspectos vengativos se volvieron sospechosos
Y agachándome como para escuchar
Y los ejércitos dejaron de avanzar
Porque la gente tenía su oído
Y los pastores y los soldados
Acuéstate bajo las estrellas
Intercambiando visiones
Y poniendo las armas
Para desperdiciar en el polvo
En forma de valles brillantes
Donde el aire puro reconoció
Y mis sentidos nuevamente ...

martes, 28 de abril de 2026

O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.

 

                               1957

         O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.

    Chamo-me Manuel Folgoso Quintana. Presento-vos estes pequenos escritos que  estou a  rematar, para deixar pegada duns recordos moi importantes e que eu tinha gardados ma minha gaveta. Acho tenhem importância para comprendére-des tanto a minha vida como o meu modo de ser. Trato de não olvidar os momentos ou experiências  tão importantes que vivim no verão do ano  1957, despois de rematar o meu período académico  para obter a recem  graduação de Tenente. Hojé já som um  Garda Civil co grado de Tenente.

Nascim em Quintairos, uma aldeia moi pequena da parróquia de Santiago de Amoroce do concelho de Celanova. O meu ano de nascimento, 1936, não foi um dos melhores da história. Passarom cousas daquela.  Crescim no seio duma família ordenada, católica, como quase  todas na altura.Vivim  mergulhado entre o  ambiente dum quartel da Garda Civil e uma vida de aldeia da postguerra. Criei-me, no que em Galiza se conhecem, com moito acerto, os  anos da fame.  Anos  carentes de moitas cousas básicas materiais que hoje temos, aliás os meus recordos são alegres,  não nos faltava nem  amor nem felicidade nos anos que nos criamos. Os meus país eram Antonio Folgoso Pousa e Lurdes Quintana Carreira. Ele Garda Civil e ela ama de casa. A  minha infância foi quase toda entre a  vila de Celanova e  a  aldeia  da que tinhamos a nossa   procedencia familiar tanto paterna como materna. Alí em Quintairos, nossa pequena aldeia,   estamos quase todos vinculados familiarmente uns cos outros como é o natural em qualquer aldeia galega. O meu pai  estivo destinado nos postos da contorna,  pertecentes a Companhia da  Garda Civil  de Celanova,  prácticamante toda a sua carreira, excepto um ano que por ascenso a cabo foi destinado o posto de Baltar, um povo de fronteira perto de Ginzo da Limia. Isso foi,  lá na altura de 1946.Tinha eu daquela apenas nove anos para dez. Despois voltou a Celanova e recem por idade passou a reserva despois de retirar-se no cargo de   Sargento. Tivem uma infância feliz, como quase todos os nenos que conhecim. Bom estudante, os meus país internaron-me os dez anos no colégio dos Salesianos de Ourense para començar o bacharelato como era  o habitual, já que  em Celanova não havia nem há ainda  centro de ensino para conseguir tirar o título de bacharel. A alternativa  somente era a  posibilidade de seguir na escola pública até os catorce anos para assim acadar o certificado de estudos primarios. Rematado o bacharelato e o correspondente exame de révalida no Instituto do Possío de Ourense, forom chegados os tempos  de mudar o rumo da vida, pois  a idade  de decidir já chegara.Tomei a decisão que  tinha pensada já nos últimos anos. Não iria a  Universidade. A minha escolha clara era preparar-me para ingressar na Academia General Militar em Zaragoza. Queria ser militar de carreira e se for posível da Garda Civil. E assim foi, consegui o meu objetivo, ingressei e depois de quatro anos  conseguím a graduação como  oficial da Garda Civil co grado de Tenente. Esta professão  era a que eu vira no meu entorno e que considerava, além da esquisita mitificação da pulha da vocação, como a via ideal para conseguir o trunfo social na vida. Pero não só era o logro persoal o motivante desta decisão, também significava moito para mim  sentir o orgulho do  meu pai  o ver-me alcançar  este nível que ele valorava moi bem, obviamente. Isto era para mim já uma satisfação imensa de por si. Era como devolver algo a quem com tanto sacrificio turrou de mim para esforçar-me  e empenhou-se tanto na minha educação.  É normal que toda a vida vendo e admirando os oficiais da Garda Civil tenta-se eu, ainda que fosse no meu magim, seguir o modelo admirado e propor-me algum dia ser um deles.

     Como se pode ver, até aquí, seguindo um pensamento lógico qualquera pode pensar que  na minha vida  todo parece ser maravilhoso.Abofé, não se podia pedir mais, conseguir o que queres, sentir-te querido polos teus e ver o horizonte vital despejado. Tal vez,  os asuntos do amor, cousa de pouco interés aquí e agora,  andariam um pouco amuados e arrefriados. No obstante, esta Arcadia feliz pareceu um dia agitar-se e remerxer no meu mundo tão bem controlado. Tuvem noticias impactantes e marcantes as quais pareciam ser capaçes de esfarrapar esta harmonia vital e emocional. O caso é que não foi assim, por fortuna, todo o contrario, não foi nenhuma desgraça. Como contarei de seguido, mas bem, foi uma benção de vida, embora num primeiro impacto trocasse tanta felicidade por certa angúria e ansiedade.

 Pode haver cousas da tua vida que estejam  acochadas em algures, que tu mesmo não saibas da sua existência  e que outros sepam mais de ti ca ti mesmo?. Não é o normal, mas pode ser.

 Não se trata do que tu  fizeras ou que por omisão não fizeras.Não, estou a falar de algo que tu não decidiches e que te atopas com ele e vai acompanhar-te no teu percurso vital. Em resumo, algo que, simplesmente existe, faz parte da tua vida ainda que tu não sabes que existe e tal vez nunca irás  a sabe-lo. Ninguém te diz nada; som uma persoa respeitável; som um intocável a quem não se pode criticar ou prejudicar, som um venturoso e ditoso cidadão militar que vive numa sociedade na que valora-se como nenhuma o apogeu militar. Mas sempre há uma primeira ocasião para todo na vida e sempre haverá alguém que por razões insondáveis e inexplicáveis, rache e perturbe esse plácido entorno e viole o pacto tácito da gente dos teus lugares e da tua circunvizinhança.

Vamos pois a desvendar este introito tão rebuscado e misterioso...........