Numa escapada polo https://aspirinab.com/, blog amigo, coa máscara de "reis", andei um pouco por alí. O Valupi fixo uma pergunta e da resposta quis por amizade tirar um post. Agradeçido deixo aquí o recordo.
Bons e xenerosos
«Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.»
Agradeço a pergunta. Cingindo-me só a
Galiza : Gostaria muito que assim fosse. Pois uma direita organizada e
moral para o conceito de nação política galega é imprescindível. Houve e
há uma grande tradição de nomes que cumprem esse requisito, mas estão
já na história. No caso de valorizar a uma pessoa política pela sua
moral, acho que não sou sectário, pois ainda que pareça virar, e vire,
para a esquerda, não tenho, ataduras nem reparos em admirar, seja quem
for, o bom fazer e estou co olho posto nos personagens da direita ou do
centro. No caso de desejar o melhor para Galiza no desenvolvimento de
nação política e cultural qualquer que ararar com esses bois, é prá mim,
um dos “bons e xenerosos”, conceito moi usado no nacionalismo e
galeguismo histórico para definir as pessoas com “moral”.
Postos assim, ainda a risco de ser um pouco maçado no relato, citarei :
Afonso Daniel Rodriguez Castelao: pai do nacionalismo moderno. Médico,
artista pintor, saltou a areia política como necessidade de mudar as
condições de Galiza e os seus cidadãos. Na procura dum mundo próprio
para os galegos, dentro de Espanha, era um homem de centro e mais tarde
de centro esquerda que liderou o ressurgimento galego nos tempo da
República e que ninguém discute hoje, desde a direita a extrema
esquerda, a sua liderança, luta e moral pelos ideais de todos os
galegos. Ministro da vencida República, era pragmático, possibilista e
homem de paz. Morreu no exílio em Argentina depois duma vida cheia de
moral, laica, social, respeito os direitos mais fundamentais das nações e
das pessoas.
Ramón Otero Pedraio: católico, fidalgo,
intelectual, professor. Companheiro de Castelao no partido galeguista da
época republicana, respeitado como figura emblemática, honesta, com uma
moral católica e profundo sonhador e activista duma Galiza dono de se
mesma. Ninguém hoje duvidaria do seu magistério, liderança para o nosso
país e respeitado por todas as camadas sociais.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem
me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos
muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da
variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível, e tal vez
acho que apropriado, no entanto, seria mui injusto receber o apelativo
de sectário. Este homem ( para dar contexto) foi ministro com Franco.
Mente privilegiada, catedrático, homem de acção, visceral nas formas,
era todo o contrario do estereotipo que os espanhóis têm de nós os
galegos ( estereótipos nada positivos, mas essa é outra história). Foi o
grande líder da direita espanhola depois da morte de Franco, ainda que o
Rei não contou com ele para dirigir a transição, mais tarde fundaria o
actual partido da direita o PP, actualmente na oposição. De família
humilde, emigrante durante a sua infância na Cuba, foi um avançado e
reformador na ditadura ( do pouco que se podia). Depois de dois intentos
para atingir o poder para Presidente do Governo de Espanha, desistiu da
liderança da direita espanhola e apresentou-se na Galiza para ser
presidente da Xunta de Galiza. Foi Presidente quatro legislaturas.
Tinha, política mente, essa dupla personalidade de ser para uns o grande
líder espanhol e para outros, os galegos, um homem que representou a
Galiza dentro de Espanha com personalidade e valentia que nos entendia,
que sintonizava co país, que era um dos nossos. Tal vez fosse populismo e
tactismo, no entanto o coração não engana. Nos seus governos havia
nacionalistas ou galeguistas de direita e dentro deste jogo fez
políticas avançadas e manifestou-se ele, de forma supressiva, como um
líder da ideia da Galiza, da língua, do ser, e da gestão dos nossos
recursos. Essa é a parte positiva além de que no plano moral, e de
honestidade pessoal e política ninguém duvidava. Nunca tive, nos muitos
anos de actividade política, suspeita de corrupção. Conseguiu boas
relações com a esquerda nacionalista, coas elites económicas e
culturais, e pode-se dizer que atingiu ser respeitado moralmente pela
sociedade em geral. A sua figura era moi respeitada tanto na Galiza como
em Espanha e isso dava sempre um plus de categoría a Galiza.
Depois a parte negativa, dizer que
gostava do culto a sua personalidade o que fazia que misturada a sua
grande vocação política e o seu narcisismo, fizera políticas populistas e
mentíreis por vezes. Que não fiz reformas profundas e que o seu lado
cresceu o clientelismo e o caciquismo secular. Que havia um partido
nacionalista de direitas galego que ele conseguiu atrair para si e pouco
a pouco ficarão mergulhados no seu grande partido. Foi isto uma grande
mágoa para a política galega, pois um partido nacionalista como têm
bascos e catalães e necessaario. Embora o seu poder atraente ganhou e os
parvos perderam, eis a questão da vida. Depois, perdeu uma legislatura e
deixou Galiza. Os seus voltaram a ganhar com Nuñez Feijoo a Xunta e até
de agora. Neste caso calha a perfeição, o dito popular de quem melhor
era o mão conhecido pelo bom por conhecer. Deixou um baleeiro grande na
política galega e chegou a vacuidade, a indigência intelectual e a
pilhéria de quem hoje pretende, desde a oposição ser presidente do
governo de Espanha.
Todos mortinhos, mágoa.
Hoje ando a buscar em Galiza, e não encontro. Depois de Fraga os
medíocres e ordinários ocuparam e ocupam o poder “daquela maneira” que
não seja prioridade nenhuma Galiza como ente política e a defensa da
língua, a economía e a cultura galegas. São mandados, gestores de
alguém, e obedintes as consignas do seu partido em Madrid. Priorizam
políticas populistas para a sua clientela e o mantenham-se no poder
controlando como seja os meios de comunicação, públicos e privados.
Pouca moral. Eles não têm toda a culpa.
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Oferta do nosso amigo reis. Para entender o contexto, ler este seu primeiro comentário.
thoughts on “Bons e xenerosos”
reis, nenhum desses três está vivo. Não sabemos o que diriam e fariam se estivessem. Logo, a questão remete para os vivos.
Como é aí na Galiza, ou que seja a Espanha, identificas alguém como autoridade moral?
outro que sucumbe às modas ou ao l air du temps… esses senhores são como o tailleur chanel , intemporal. e fica bem a toda a gente.
mas não existe uma figura que tenha reconhecimento comunitário nessa dimensão por palavras e actos.
Eis a questão para mim sim há algúm referente moral da vida pública,
mas concordo moito co post e ressalto esa frase tua da falta de
reconhecimento comunitario, pois a sociedade está tão quebrada
ideológicamente que o meu candidato seria esterco para outra gente. Em
Espanha hoje é imposível conseguir um consenso sob um personaje,
incluido o rei, pola informação e pulheria da direita nacional de
converter todo em terra queimada até conseguir o poder.
No entanto a minha opinião na Galiza: José Manuel Beiras, Camilo
Nogueira, Gonzalez Laxe, já retirados da vida pública, podiam concitar
uma certa unanimidade de homes públicos, honestos e com moral. Na
Espanha, eu eligiria, sem dúvida, o ex presidente Zapatero, que pode dar
moi bons serviços a cidadania.
Embora os meus candidatos seriam motivo de chacota ou de
enfadamento por moita gente. Eles são todos de esquerda dialogante e os
tempos não estão para reconhecementos de valoração cidadana.
este excerto é delicioso para ilustrar a tartufice do valupi ,
um ser amoral , tal e qual o seu ídolo e mentor nestas questões de
moral:
“. É precisamente por ele saber disso, e apesar do óbvio dano à sua
imagem pública ter assumido fruir desse imóvel, que a sua atitude é
brilhantemente amoral. Está para além do que os outros lhe querem impor
como suposta correcção ou dever social. É uma escolha de quem sabe que a
liberdade não tem de pedir licença à moral para ser essencial e
existencialmente boa.” autor ? o valupi , claro,
«Grave? Não. Grave é ir à rua, perguntar a quem passa o que seja a moral, e descobrir que quase ninguém elaboraria uma resposta acima da indigência intelectual.
Segundo Bernard Williams ainda hoje o melhor pensamento ético é o dos
gregos antigos que não inclui Deus nem precisa dele. Não usa de nenhum
imperativo categórico vazio dado que, num sistema de ideias não existe
qualquer ‘moralidade’ no sentido de uma classe de razões ou exigências
fundamentalmente diferentes de outros tipos de razões ou exigências.
Assim não há um abismo entre a esfera das ‘regras morais’ públicas e as
dos ideais pessoais privados.
Williams considera um erro identificar, completa ou tendencialmente, o
conhecimento ético como conhecimento científico e conceber a ética
filosófica como uma ciência exacta (lógico-matemática ou da natureza).
Daí recusar a teoria Kantiana de atribuir a moral a um ‘dever’ que o
poder, utilitariamente, transforma em ‘lei’.
A “moral” é um conceito do pensamento abstrato, metafíco aplicado ao
nosso comportamento diretamente relacionado com cada vida e experiência
pessoal; assim o conceito de moral varia de acordo com a evolução do
conhecimento e costumes de cada época histórica; é um conceito com
aparência de uma crença que depende do conhecimento e das circunstâncias
de cada idade histórica.
jose neves, tens de rever os apontamentos acerca do que é a ética nos gregos antigos. Deixo-te só uma pista: quem é que não quis morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?
Poderia citar vários nomes de quem já cá não está, mas actualmente só existem duas pessoas: o Sr.º Dr.º Alberto João jardim e o Sr.º Dr.º Rui Rio.
Hahaha o melhor pensamento etico é o dos gregos antigos que tinham a instituição da escravatura. Genial
bla bla bla ,
moralidade é a coerência entre os valores proclamados , entre as
palavras e os actos , entre o que se diz e o que se faz. um bandido
confesso é moral , não trai a confiança de ninguém.
a definição de moralidade como coerência toca num principio transversal
a todas as épocas e culturas s: a repulsa pela duplicidade. a
hipocrisia é detestada em quase todo o lado — porque destrói confiança,
e sem confiança não há sociedade.
“… quem é que não quis morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?”
Há autores que defendem que Sócrates o que disse foi “Críton, deves um galo a Asclépio”. Por via da duvida que Sócrates colocou anos antes quando, ao passarem em frente ao altar das oferendas a Asclépio, este declarou que as oferendas ao deus para ter uma vida melhor não serviam para nada. Ao que que Críton lhe contrapôs “veremos se manténs o mesmo no dia da tua morte”. Faz toda a diferença e dá bem nota da certeza que Socrates tinha na consciência de cada um como a ultima instância moral.
E valupi, o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro estão vivos. muito mais vivos que uma grande parte dos ungidos públicos contemporâneos. E quando equiparados com escroques infames como Zapatero, como faz o Reis, é a prova cabal de que já estão, no mínimo, moribundos muitos espíritos cujos dedos martelam teclados. O que não falta em Torga, e só nos Novos Contos da Montanha, não é preciso procurar muito, é uma mão cheia de exemplos de autoridade moral que já não se evocam, por desconhecimento e, nos casos piores, por taticismo.
Miguel M. Elias,, por alusões. Ninguém comparou.O jogo estava em nomear referentes vivos, niste caso concordamos nos mortos, aleluia. Tal vez as suas informações, além do seu proprio estudo e conhecemento, sejam apanhadas de certos opinadores espanhois, amorais a mais não poder, para referir a Zapatero como: escroque infame. Tampouco, nem quem assim pensamos temos o espíritu moribundo, sinto comunicar-lhe que é todo o contrario. Tal vez não chegaremos a acercar posiciões, seja como for nem eu ,nem Zapatero , estou seguro, defineremô-lo a você, como escroque infame.
reis, não conhecia José Manuel Beiras, Camilo Nogueira e Gonzalez Laxe. Mas fiquei a saber que são os três da esquerda galega. Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.
Quanto a esse pobre diabo que veio aqui despejar fel para cima de Zapatero, o seu castigo é não conseguir compreender o que lhe disseste. Nem que ficasse a pensar nisso até o Inferno congelar.

o primeiro que me veio á mente , quando lhe perguntaram sobre figuras “morais” galegas foi exactamente Castelao , depois um cura obrero velhinho , velhinho , anónimo, e a seguir Fraga. curioso.
Quixen saber quen fora o vampiro no mundo dos homes e fun ler o seu nome de
bronce no rico mármore da campa. O nome só abondoume: fora un canalla que
roubaba para dar regalía ao seu bandullo de porco; dono da xustiza, roubaba
dende a súa confortábel casa. Para que dicir máis? Era… era un cacique !
Yo: todos estamos cheios de contradições, assim pula e avança o mundo. A tua curiosidade acho ter resposta já no escrito.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível
Obrigado Valupi pela publicação.
A cousa andava como assim. Antecedentes.
Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas vidas.
Por desgraça não poso opinar do Agostinho da Silva, mas tanto de Torga como de Aquilino Ribeiro, também gosto da sua moral como módelo para qualquer grupo de cidadãos. São os dois moi grandes.