martes, 5 de maio de 2026

O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro. II

                                                                        1957

                                 O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.  

 

..../ Os poucos días de obter o grado  de Tenente da Garda civil no mês de Julho de 1957 estava de férias na casa familiar em Celanova. Naquele verão na comarca foi conhecido o meu sucesso e estendeu-se nos faladoiros o meu nome. Soubesse  quem era eu, de que lugar exacto vinha a ser, de que familias era, e esas cousas, ou seja dito coa modestia do caso, fixen-me famoso. Também,  ajudou, o publicar o jornal “la Región” de Ourense a notícia, ao  tempo que engadia  folgar-se  e congratular-se  por   terem como vecinho da provincia de Ourense    um oficial tão jovem com um futuro prometedor. Impulsado, achava eu,  pela fama que eu tinha nesse momento, recivi uma carta de felicitação duma persoa que dizia chamar-se Miguel Morgado Avedillo, residente na localidade de Entrimo. O senhor queria felicitar-me polo resultado feliz alcançado, e dizia folgar-se moito por mim e a minha familia. Feitas as presentações, engadiu  desejar  moito ter um encontro comigo. Tinha certa documentação e informação  que gostaría  partilhar-me. Justificava  como  motivo  del tal encontro  uma  promessa feita a uma persoa cercana a mim. No obstante sería precisso guardarmos um  sigilio total do encontro, todo devia ficar  entre nós. Só ele e eu estaríamos na reunião, e entre ele y eu ficaria o segredo. Voltou-me a engadir que tinha o sagrado deber de cumprir o encargo feito por um amigo seu, moi querido,  que antes de morrer  deixara-lhe a encomenda de  encontrar-me. Agregava, como petição final, que se não me importava a ele gustaría-lhe fazer o encontro na aldeia de Meaus, no Couto Mixto, no Val de Salas, pertecente o  concelho de Baltar ainda que moi próximo a Calvos de Randím. O motivo do lugar elegido era simplesmente por ter  neste lugar, ele,  uma casa propria na qual  estava asegurada a nossa reserva e discrecião; além disso, polo dito motivo de manter o maior sigilo,  sugeria ser o  melhor dia para o encontro  o 25 de Julho, pois era feriado nacional e o mesmo tempo haveria  festas patronais na aldeia próxima de Santiago, incluso no propio Calvos, por tanto estava asegurado o rebumbio, a algazarra  e o movimiento de gentes dum lado para o outro polos lugares da zona, e sería um ambente adequado  para evitarmos  suspeitas e inquisições dos vecinhos, dos  curiosos e os indiscretos. Sugeria-me, pois, se for posível  deslocar-me  de automóvel até Calvos dende Celanova  e despois alí dirigir-me o paço dos Tejada e  perguntar por “O Lameiro” e dizer-lhe que vai de parte do senhor Miguel  Morgado e ele lhe proporcionara  uma cabalo  e o acompanha-lo-á até  a casa de Meaus. Como é evidente fiquei moi intrigado pola carta recevida. Presentava-se uma aventurinha moi atractiva para um jovem tenente que já se sentía inquieto, excitado  e com moita imaginação. Quem seria capaz de  ficar quieto e  sem fazer nada?. A quem não lhe entra o desassossego, a curiosidade, por desvendar o mistério, ainda se  intuir posíveis  riscos ou enganos?. E se realmente todo fosse uma armadilha para façer-me mal? Pero quem seria capaz de tal, se não tenho inimigos e som um tenente da Garda Civil, seria posível que alguém fosse capaz de tamanha burrice?.

A carta ficou no meu íntimo segredo e os meus miolos  rilhavam  nos pros e contras daquilo. O misterio estava no ar e eu tinha de desfazer  aquel novelo. Arriscar para saber ou ficar quieto e pasado o tempo lamentar-se?. Eis a questão.  Seja qual for a decissão antes precissava falar com algúem daquilo. Mas só havia uma persoa coa que poder falar do tema.E era o meu pai, um Garda civil já na situação de reserva e ocupado em pequenas  labouras de horta.   

Ensinei-lhe a carta. Leu-na com moita atenção. Pujo cara de preocupação. Sentou-se, pensou e com voz calma dixo-me:

—Vai ser uma cousa moi persoal. Eu não faço nem ideia de quem pode ser ese homem, paresce serio e preparado polo tom da carta. Se queremos, poderiamos  informar-nos fácilmente de quem é, eu posso investigar algo no posto de Celanova, conheço varios gardas que estiverom destinhados em Entrimo. No obstante, sabes que che digo, canto mais segredo seja todo, moito melhor para ti.A minha intuição diz-me  não pressentir nenhuma má treta  ou perigo para ti.Intuio que não. Acho, será uma cousa que ele che queira dizer só a ti. Vai lá, es um homem jovem, nada se che pôe hoje por diante. No obstante uma cousa importante che recomendo: Mantém o segredo do que che diga, e fala comigo quando voltares; não contes nada a ninguém, nem sequer a tua mãe. Recorda,  só a mim.

E já quase parecia ter rematado o seu conselho e agregou

—Outra cousa mais che recomendo: Pensa que tens uma carreira  militar por diante e não tem porque haver nada que cha tronce ou te  faça dano. Tens uma imagen que dar e parecer, formas parte dum estamento, como bem melhor ca mim sabes,  que tem moito controlo do que fazem e pensam as persoas do Corpo. Quer se queira quer não aquí todo se sabe. Entras num terreo moi escorregadiço, estás empeçando a tua carreira pero entras como um cordeiro num territorio de lobos. Chegaras a ter  moitos amigos, asegúrate sejam bons mas vela-te moito dos indiferentes e equidistantes, pois dos enemigos declarados é mais fácil esconder-se, porque já os conhecemos. Recorda isto./.....

 

mércores, 29 de abril de 2026

Choir! Choir! Choir! & Patti Smith sing "PEOPLE HAVE THE POWER" (Reciclaje blogueiro)

 No 2021, este post. Hoje é atualidade Patti Smith é premio Princesa de Asturias. 

Choir! Choir! Choir! & Patti Smith sing "PEOPLE HAVE THE POWER"

 

https://www.youtube.com/watch?v=y6Wz3i_BYUc&t=7s 

I was dreaming in my dreaming

 Of an aspect bright and fair 

And my sleeping it was broken 

But my dream it lingered near

 In the form of shining valleys

 Where the pure air recognized 

And my senses newly opened

 I awakened to the cry 

That the people have the power

 To redeem the work of fools

 Upon the meek the graces shower It's decreed the people rule 

The people have the power The people have the power The people have the power The people have the power 

Vengeful aspects became suspect

 And bending low as if to hear

 And the armies ceased advancing 

Because the people had their ear

 And the shepherds and the soldiers

 Lay beneath the stars 

Exchanging visions 

And laying arms 

To waste in the dust

 In the form of shining valleys

 Where the pure air recognized

 And my senses newly… 

 

Estaba soñando en mi sueño
De aspecto brillante y justo
Y mi dormir estaba roto
Pero mi sueño se demoró cerca
En forma de valles brillantes
Donde el aire puro reconoció
Y mis sentidos recién abiertos
Me desperté al llanto
Que la gente tiene el poder
Para redimir la obra de los necios
Sobre los mansos las gracias se derraman
Está decretado que el pueblo gobierne
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
La gente tiene el poder
Los aspectos vengativos se volvieron sospechosos
Y agachándome como para escuchar
Y los ejércitos dejaron de avanzar
Porque la gente tenía su oído
Y los pastores y los soldados
Acuéstate bajo las estrellas
Intercambiando visiones
Y poniendo las armas
Para desperdiciar en el polvo
En forma de valles brillantes
Donde el aire puro reconoció
Y mis sentidos nuevamente ...

martes, 28 de abril de 2026

O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.

 

                               1957

         O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.

    Chamo-me Manuel Folgoso Quintana. Presento-vos estes pequenos escritos que  estou a  rematar, para deixar pegada duns recordos moi importantes e que eu tinha gardados ma minha gaveta. Acho tenhem importância para comprendére-des tanto a minha vida como o meu modo de ser. Trato de não olvidar os momentos ou experiências  tão importantes que vivim no verão do ano  1957, despois de rematar o meu período académico  para obter a recem  graduação de Tenente. Hojé já som um  Garda Civil co grado de Tenente.

Nascim em Quintairos, uma aldeia moi pequena da parróquia de Santiago de Amoroce do concelho de Celanova. O meu ano de nascimento, 1936, não foi um dos melhores da história. Passarom cousas daquela.  Crescim no seio duma família ordenada, católica, como quase  todas na altura.Vivim  mergulhado entre o  ambiente dum quartel da Garda Civil e uma vida de aldeia da postguerra. Criei-me, no que em Galiza se conhecem, com moito acerto, os  anos da fame.  Anos  carentes de moitas cousas básicas materiais que hoje temos, aliás os meus recordos são alegres,  não nos faltava nem  amor nem felicidade nos anos que nos criamos. Os meus país eram Antonio Folgoso Pousa e Lurdes Quintana Carreira. Ele Garda Civil e ela ama de casa. A  minha infância foi quase toda entre a  vila de Celanova e  a  aldeia  da que tinhamos a nossa   procedencia familiar tanto paterna como materna. Alí em Quintairos, nossa pequena aldeia,   estamos quase todos vinculados familiarmente uns cos outros como é o natural em qualquer aldeia galega. O meu pai  estivo destinado nos postos da contorna,  pertecentes a Companhia da  Garda Civil  de Celanova,  prácticamante toda a sua carreira, excepto um ano que por ascenso a cabo foi destinado o posto de Baltar, um povo de fronteira perto de Ginzo da Limia. Isso foi,  lá na altura de 1946.Tinha eu daquela apenas nove anos para dez. Despois voltou a Celanova e recem por idade passou a reserva despois de retirar-se no cargo de   Sargento. Tivem uma infância feliz, como quase todos os nenos que conhecim. Bom estudante, os meus país internaron-me os dez anos no colégio dos Salesianos de Ourense para començar o bacharelato como era  o habitual, já que  em Celanova não havia nem há ainda  centro de ensino para conseguir tirar o título de bacharel. A alternativa  somente era a  posibilidade de seguir na escola pública até os catorce anos para assim acadar o certificado de estudos primarios. Rematado o bacharelato e o correspondente exame de révalida no Instituto do Possío de Ourense, forom chegados os tempos  de mudar o rumo da vida, pois  a idade  de decidir já chegara.Tomei a decisão que  tinha pensada já nos últimos anos. Não iria a  Universidade. A minha escolha clara era preparar-me para ingressar na Academia General Militar em Zaragoza. Queria ser militar de carreira e se for posível da Garda Civil. E assim foi, consegui o meu objetivo, ingressei e depois de quatro anos  conseguím a graduação como  oficial da Garda Civil co grado de Tenente. Esta professão  era a que eu vira no meu entorno e que considerava, além da esquisita mitificação da pulha da vocação, como a via ideal para conseguir o trunfo social na vida. Pero não só era o logro persoal o motivante desta decisão, também significava moito para mim  sentir o orgulho do  meu pai  o ver-me alcançar  este nível que ele valorava moi bem, obviamente. Isto era para mim já uma satisfação imensa de por si. Era como devolver algo a quem com tanto sacrificio turrou de mim para esforçar-me  e empenhou-se tanto na minha educação.  É normal que toda a vida vendo e admirando os oficiais da Garda Civil tenta-se eu, ainda que fosse no meu magim, seguir o modelo admirado e propor-me algum dia ser um deles.

     Como se pode ver, até aquí, seguindo um pensamento lógico qualquera pode pensar que  na minha vida  todo parece ser maravilhoso.Abofé, não se podia pedir mais, conseguir o que queres, sentir-te querido polos teus e ver o horizonte vital despejado. Tal vez,  os asuntos do amor, cousa de pouco interés aquí e agora,  andariam um pouco amuados e arrefriados. No obstante, esta Arcadia feliz pareceu um dia agitar-se e remerxer no meu mundo tão bem controlado. Tuvem noticias impactantes e marcantes as quais pareciam ser capaçes de esfarrapar esta harmonia vital e emocional. O caso é que não foi assim, por fortuna, todo o contrario, não foi nenhuma desgraça. Como contarei de seguido, mas bem, foi uma benção de vida, embora num primeiro impacto trocasse tanta felicidade por certa angúria e ansiedade.

 Pode haver cousas da tua vida que estejam  acochadas em algures, que tu mesmo não saibas da sua existência  e que outros sepam mais de ti ca ti mesmo?. Não é o normal, mas pode ser.

 Não se trata do que tu  fizeras ou que por omisão não fizeras.Não, estou a falar de algo que tu não decidiches e que te atopas com ele e vai acompanhar-te no teu percurso vital. Em resumo, algo que, simplesmente existe, faz parte da tua vida ainda que tu não sabes que existe e tal vez nunca irás  a sabe-lo. Ninguém te diz nada; som uma persoa respeitável; som um intocável a quem não se pode criticar ou prejudicar, som um venturoso e ditoso cidadão militar que vive numa sociedade na que valora-se como nenhuma o apogeu militar. Mas sempre há uma primeira ocasião para todo na vida e sempre haverá alguém que por razões insondáveis e inexplicáveis, rache e perturbe esse plácido entorno e viole o pacto tácito da gente dos teus lugares e da tua circunvizinhança.

Vamos pois a desvendar este introito tão rebuscado e misterioso...........