.....Já estamos de volta. Tras de nós fica calada e esmorecida a velha mina. Só o Gonzalito viu as armas e a dinamita, nenhum de nós teve ganhas de entrar na cova. Porém todos ouvimos o mesmo. Como vamos contar isto quando nos perguntem a cada um? Tal vez seria o melhor não contar nada a ninguém, nem pais, nem familia, nem a Guardia-civil, a nimguém. Recordo as palavras do Nestor: É um suicidio roubar ou contar que se viu um contrabando. Assim era pois momento de falar entre nós:
—Parai um bocado. Temos que falar. Sentai. Quando cheguemos todos nos perguntaram onde estivemos e que vimos. Nem palavrinha tem que sair das nossas bocas. Temos que gardar no nosso segredo: dizer que vinhemos a investigar; nada do que lhe passou o Gonzalito; nem sequer deixar cair nada do contrabando que o Gonzalito viu no interior da cova.
—Se descobrem o porqué vinhemos aquí, estamos lixados.
— Foi uma arroutada, por viver-mos a aventura de conhecer a mina. Numca imaginamos que nos perderíamos no caminho e que nos metería-mos na noite. Foi uma mala decisão nossa.
O Tonho chocou-me a mão e fixo-me um gesto de apoio:
—Dacordo, Manel. Mais que nunca o segredo é importante. Desta volta não é nenhuma brincadeira. Estamos unidos por iste segredo e só que um de nós se vaia da lingua, escachamos todos.
O Rude fixo-nos abraçar entre nós e dixo:
—Deiqui não vai sair uma palavrinha, somos um feixe que ninguém vai desfazer. Eu juro—E o mesmo tempo fixo uma cruz cos dous dedos índices, beixou duaz vezes a cruz e cuspiu no chau, todo como ritual de juramento, e o tempo que a sua mirada invitgava-nos a fazer a mesma trapalhada. Ninguém o imitamos, pois parecia-nos já uma antiga costume dos nossos jogos infantis.
Todos olhamos o Gonzalito, para escutar as suas habituais serenas palabras. Desta vez tampouco foi diferente:
—Creio que devemos manter o segredo e olvidar o que passou. Não podemos contar nada. Se alguém me perguntar eu sempre negarei o que vim. Direi que vos quixem enganar pra sentir-me importante diante de vós. É e tem que ser sempre um segredo. Sabemos que estamos acercando-nos a algo importante. Quer se queira quer não, todo que andamos a descubrir vai-nos levando a que arredor da morte do chofer há cousas misteriosas.
O lusco-fusco ia crescendo. O sôlpor já nos escondera o sol detrás daquel penedal montanhoso. Seguimos andando polo camino de volta. Num momento dudamos entre duas rodeiras que nos aparecerom. O tempo já ia em contra nossa, seguro que já andavam a perguntar por nós. Esperariam a noite pecha para preocupar-se;
Seguimos caminhando e passamos uma pontinha que cruzava um regueiro bulhento.
—Ei.Parai. Por eiqui não vinhemos eu não recordó esta pontinha.
—Tes razão, Tonho, iste não é o nosso caminho. Cagâmo-la, cona— Falou o Rude.
—Vos saberedes, dixo o Gonzalito. Eu nem me acordó, não faço ideia.Não me fixei no caminho.
O caso é que era verdade. Eu acreditava também que aquele caminho não era o nosso. Estavamos num terreio plano entre pradairos e de tarde vinhemos sempre costa arriba e rodeados de gesteiras, toxos, carbalhos e castinheiros. Iste paisagem era outro. Falei:
—Pois toca-nos pensar, companheiros. Foda-se, parece que levamos um dia torto, cona. Me cajo-na-mar. Haver, quando é assim, dizem , há que seguir os postes e os fios da luz, porque vam direitos duma aldeia a outra.
Todos, olhada o alto na procura dos tais fios, que malamente se distinguiam nesta posta de sol.
—Ei a esquerda acima, olhai um poste e os fios da luz, dixo o Gonzalito.
En efeito, a nossa esquerda, na cima dum toutiço pedregoso e queimado polo sol a uns douscentos metros esperavamo-nos um poste de madeira que nos parecía salvador.
Dixo o Rude:
—Se temos sorte e não topamos moito monte alto, logo havemos de ver luzes. Agora parece que vamos alonxados do caminho para Baltar, pero iste poste seguro que nos leva a Santantuinho e ali já podemos pedir ajuda. Acabou-se o medo......

