Amosando publicacións coa etiqueta Relato. Amosar todas as publicacións
Amosando publicacións coa etiqueta Relato. Amosar todas as publicacións

luns, 26 de xaneiro de 2026

Era daquela num dia de Julho, do 1965 em Baltar.

 

   Dom Calixto, o cura da Boulhosa,  não teve medo o calor e montou um dia mais  na sua cavaleria, uma besta grisalha e nobre de pranta e bom porte,  e mansinhamente percorreo os quatro quilómentros de caminho entre A Boulhosa e Baltar. Ainda não há estrada apropriada para os automóveis, os caminhos são os mesmos que os dos nossos antergos galaícos, galaico-romanos e suevos, pois de todo havería por aquí que ainda que não temos vestigios que mostrar, tiramos de certa intuição da toponimia e achamos que os germánicos-suevos andiveram por cá. Mas não são neste caso os Suevos os que ocupam o nosso tempo e tampouco os do cura Dom Calixto. Ele chapeu na cabeça vai caminho adiante prá beirada do café do Pepinho,  depois de deixar o jumento atado diante da tenda da senhora Herminia que se ocupara de pôr-lhe caldeiro de auga e manhuço de erva pra aliviar a sua espera e reponher forças pra fazer o caminho de volta.

       Dom Calixto deu as horas  e foi saudado por quase todos os concorrentes do café cos que se atopou. Viu-se quase obrigado a sentar-se numa das mesas de fora na que estavam animadamente a conversar o senhor abade de Baltar, o Sarxento da Garda Civil e o  Dom  Honorio, burócrata das oficinas do concelho, ainda que daquela diciamos Axuntamento, meio traducindo a palavra oficial de ayuntamiento. Na mesa do lado repicavam contra o mármores as fichas de dominó da partida que estavam a botar entre o Secretario, o cabo da Garda Civil, o encargado da Fenosa e o negociante em peles, perniles e variedades da mesma clase o "jamoneiro". Todos fizeram acenos breves de saudo para Dom Calixto o tempo de seguirem  repinicando na mesa e  alzavam a voz para justificarem uma jogada ou recriminarem-lhe o companheiro a dele.Era a música habitual.

   Despois de cumprimentar a mesa na que se sentou, falou-se do tempo que estavamos a ter, moito calor pra altura do ano, ainda que pro  agricultor era bom, pois o pão tinha que madurar bem pra seitura. Depois pasou-se  os comentários obrigados de notícias que cada um ouvira no parte da radio.  Algo se disse sobre a guerra de Vietnam,  a commemoração dos vintecinco anos de paz  que nos trouxera  “o  Generalísimo” que aparecia sorrinte nos cartazes pendurados por toda parte. Todos resaltavam quanto tinha prosperado Espanha dende então e a Deus grazas podíamos desfrutar do período mais longo de paz da historia da Pátria. Todos concordavam felizes de viver naquele momento de progreso e solaz, no que estavamos a prosperar moito, atrás ficavam os ominosos anos da fame. Num momento Dom Calixto morninhamente, dirigindo-se o Sarxento, fijo um comentário obrigado. 

    —Então Dom Fernando, andarão moi ocupados na Comandáncia coa desgraza do asassinato do chofer. 

     O sarxento era já um homem maduro. Dava imagem também de experimentado no seu oficio pois a cara já anunciava andar  no final da sua carreira. É precisso dizer que naquela altura e por ordem da superioridade, ainda nos seus momentos de ocio os gardas tinham que vestir o uniforme reglamentario com cinto e pistola do nove largo na funda  e o tricornio negro apostado o seu carão, ou  onde estivesse a mão. Ele tinha um fino bigode, pelo branco curto, homem de  meia altura, delgado e fino de talhe. A sua apariência não era nada arrogante e moitas vezes passava desapercebido no local do café. Ele contestou a Dom Calixto com moita mais longura e dedicação da que acostumava para os casos de asuntos de serviço. Tal vez um pouco doido pola circunstancia de parecer que estava tutelado por um superior, o capitám,  e para justificar-se ante uma pessoa  que  ele sabia conhecedora do que passava e pra divulgação pública, por se houvesse algún “ruxe-ruxe”, ou um “dixo-me, dixo-me”, que puder pôr  em dúvida o seu prestixio,  comentou para todos os presentes,

— Pois não pense, dom Calixto. Como bem sabe você a investigação  está totalmente nas mãos do Capitám Folgoso Quintana que veu dende Madrid  a pé feito pra fazer-se cargo de todo. Nós estamos tranquilos, nada temos para fazer o respeito nem os meus jefes me chamam pra nada. Só lhe damos apoio e informação que nos pede o capitám  e nada mais. Ele fala cos gardas, comigo, interroga gente da que comunicamos suspeitas etc. e  fai  uma cousa que nós numca fizemos, falar moito coa GNR. Tem falado co Tenente Coronel de Chaves  e também co capitám de Montealegre. Isto é cousa novidosa para nós porque nós pouco, por não dizer nada, falamos cos portugueses e como bem sabe, ainda que os dous povos temos governos amigos,  na práctica,estamos acostumados  a andar   de costas viradas para os gardinhas e eles também para nós. O nosso trabalho é nem deixar pasar dalá pra cá nem o ar se for posível, assím que o inimigo para nós está lá depois da raia. Haja o que houver nas investigações, acho vão durar pouco tempo, pois o capitam vem com moitas ganhas de esclarecer pronto o caso e de seguro que o fará logo.

O sarxento até se surprendeu a se mesmo da largueza com que falara. No entanto, parecia pensar para sim-mesmo que  o destinatario da mesma,  um  cura, merecia dar-lhe certa relevância e  confiança. Não há problema, pensou, que  melhor que um cura para ter prudência no falar. Mas não era ele um dos tantos que falam por falar, neste caso administrou bem as suas palavras,  o Sarxento D. Fernando Airas  Maroto, pois o seu objectivo era por o  seu relato  a correr por ahí adiante. (Já me entendem). Home com experiência sabia que a  propaganda se não cha fam outros polo menos intenta faze-la tu.

   — Compreendo- engadiu dom Calixto. — Já sabe meu amigo, o mesmo se passa na Igrexa como Institução ainda que divina, também é humana e jerarquica. Onde há jerarquia como passa no Corpo da Garda Civil, estas cousas sucedem e só queda ponher-se, como dizem os militares, em primeiro tempo de saúdo. Razões poderosas  terá o mando para as suas decisões. 

   Ficava claro que a presença do capitam adoecia moito o Sarxento-comandante do posto de Baltar. Temia, como qualquera, que o seu prestigio fosse minguado por comentarios mal intecionados. E já  como pra rematar a conversa o sarxento  soltou uma pequena arenga patriótica e moral tão habitual naquela altura.

 —Assim é Dom Calixto, e assim deve ser, como bem di você. A disciplina é para nós a pedra angular do nosso ser e  saber estar. Hoje em  Espanha temos paz, trabalho e ordem e grazas o nosso  "Caudillo" que Deus conserve moitos anos. Mas bem sabe você e todos voçês que a Garda Civil foi na guerra e é agora o piar clave do mantemento do ordem e a vixiancia e o controlo daqueles que quigessem subverter o nosso Régime. 

Dom Calixto recebeu o embate moral e ideolóxico e também  quijo deixar a sua pegada naquel pequeno duelo florentino. 

—Faço minhas as suas palavras e desejos, caro D. Fernando e engado,  que sem a fé e a lavoura pastoral da Igreja tudo sería estéril. A “Vitoria” trouxe a recuperação dos valores morales da religião. A nossa vitoria foi o trunfo conjunto da espada e o altar. Espanha voltou a ser o guieiro espiritual do mundo. Assim é que o nosso "Caudillo"  é tal pola graza de Deus que legiu e o proteje.

 Estas  palavras obrigadas para um pastor da Igreja, dadas as circunstâncias do mais vale parecer que ser. Palavras que estavam a ouvir as élites do povo e gente variada. Despois  Dom Calixto levantou-se e dispuso-xe a retirar-se daquela reunião florentina.

  —Senhores, moi boas tardes, até outro momento. Fiquem com Deus. 

ImaxeConto o que sei por ter vivido e não  por ouvir dizer.Conto de acontecidos verdadeiros... 

 

martes, 20 de xaneiro de 2026

Eu som de fentos. E de passo , algo da imersão linguística.

 Fentos | Doeixo | Flickr

https://twitter.com/DiegoBernalRico/status/1799155556994916533

No padrom galego FENTOS! Em Portugal som FETOS e no Brasil SAMAMBAIAS

E vós como lle chamades aos "fuentos"? Fentos, fieitos, folgueiras... na Raia seca, en Calvos de Randín chamámoslle "fuentos" 

Na minha zona muita gente diz "fentos". Quando era criança era a única forma que eu conhecia.
 
    Assim desta maneira parolavam uns e outros arredor da palavra Fentos, que para mim sempre foi clara e única, desconhecedor que noutros lugares usavam outras palavras parecidas para identificar aquela planta tão comúm.   Pero bem se vê que não é asim o qual demostra a riqueza do galego e dos moitos sinónimos das nossas palavras espalhadas polo territorio galego e português.  
     No entanto, esta questão intrascendente e nada novidossa deu-me pê para recordar-me duma anedota que passou na minha infância escolar,  lá no meu povo co meu mestre na  altura  de Atapuerca.  
 

  Anedota: 

      Eu vivim uma época, a que me tocou, que me proporcionou uma inmersão lingüística natural  no galego que tal vez fosse a última da historia. Dende o 1956 a 1966 eu só ouvia falar em galego, e só falava em galego. O espanhol  tinha-mô-lo na escola, como idioma de aprendizajem , e como idioma oficial necessario para sermos uns cidadãos plenos. Co mestre tanto nas aulas  como fora delas a comunicação era quase sempre em  castelhano, ainda que ele era, normalmente,  falante galego coas persoas do povo. Na igreja  o cura falava-nos o castelhano, misturado na vida ordinária co galego.  Os funcionarios do concelho e os médicos também nos falavam em galego. Havía só uma ou duas familias,  a chamada do médico, o veterinario e alguma mestra que vinha de paso,que falassem entre eles em castelhano. Os Gardias falavam-nos todos em galego.  Era moi pouco, quase mínimo o uso de radio e  televisão, na que ouviamos o castelhano. Além da enciclopedia, o catecismo,  algúm livrinho ou jornal, alguns tebeos,  poucos mais livros tinhamos para lêr em castelhano, obviamente em galego não existiam ainda livros escritos para a gente comúm. As horas de galego eram o cabo do dia, moitas em todo o ano, com destaque no  inverno arredor da lareira coa narração das lendas, as conversas familiares e  a transmisão de conhecementos antigos e faladoiros varios: todo esto era em galego.    
      Pois bem o senhor mestre que nos tocou, pedagogo das silveiras,   era um sabio na utilização da retranca tanto  na sua vida ordinaria como cos alunos  nas aulas. Pero  olho, a sua retranca sempre estava adereçada ou mais bem estercada coa burla,  a mofa e misturada com um pouquinho de  humilhação e rebaixamento da dignidade daquelas pequenas alminhas. 
     Em certa ocasião prá ensinar-nos uma palavra castelhana, rara no sonido  prá nós ,  a qual  ninguém utiliçava, fixo uma performance do seu jeito. Assim pois para aprender-mos e não olvidar-nos numca da palavra "helechos" que parecia resistirse-nos no aprendizajem, escolheu a tres incautos da classe e dixo-lhes: 
   —Ides  o monte da fonte de  Miro, que fica detrás da escola,  e apanha-des  uns "helechos e traede-los ". 
   Os rapazes sairom coas caras asustadas, sem dizer palavra, pois o medo é o que tem, que não te deixa falar. Sairom pois como almas em pena e já fora da clase,  tentariam  gestionar da melhor forma que se lhes ocorriria a ordem recevida,  embora topariam-se, os coitados, coa  sua ignorância. Os que ficamos acochados entre aquelas paredes, os afortunados que  quedamos na aula, estávamos também olhando para o céu e dando vivas de não sermos  parte daquela vítimas que iam ser masacradas. Nós também eramos vítimas da nossa ignorância. 
     O senhor pedagogo das silveiras, em quanto sairom já fixo chacota  dos mandados, sabedor de que não iam encontrar "helechos" no monte de  Miro. Pero não porque não os houvesse, que de isso sobraba por alí, senão porque eles não sabiam que os tais helechos são os nossos fentos de toda a vida. Eis a questãó, tanto dizer sempre fentos não se nos ocorrira saber que longe de nós outra gente chamava-lhe a aquelas prantas que não tinham jeito nem valor: "helechos". 
      Chegarom dalí a um bom tempo, os nossos colegas. E asustadinhos, entrarom: 
     —Da usted su permiso. 
     —Que, traedes os helechos? —Ele sempre nos falava em castelhano, obviamente, ainda que prá fazer brincadeiras, mostrar-se  graçioso-chistoso,  e fazer escárnio, então utilizava o galego. 
      Eles só conseguirom mover a cabeça a vez que contestavam 
      — No señor.—Dito baixinho. 
 Sem atrever-se a dizeer que não sabiam o que eram os tais helechos.
       Daquela falou o boi e dixo muuuu:  
     — Pois mirai, lapadoiras, que sodes uns lapadoiras, os helechos são o mesmo que os fentos. Passai, e haver se assim vos queda aprendida  prá sempre a palavra. 

 Imersão lingüística: 

 
      Pois assim foi. São as cousas que tem a "imersão lingüística" que as vezes não sabes o que são os helechos. Uma eiva terrível na formação intelectual dum neno da aldeia. 
      Orgulho-me de haver sido filho de viver numa época na que a realidade era o que agora chamamos inmersão linguística que me facilitou ter e pensar no meu propio idioma e que não me privou de falar e lêr em castelhano em moitos casos bastante melhor que aqueles criados na cidade e só no idioma castelhano. Não  foi numca na minha vida um travão, viver isolado em galego os nove primeiros anos da minha vida,  prá fazer despois  um bacharelato fora de Galiza, falar um castelhano perfeito, ter duas carreiras universitarias. Sim foi  uma aprendizajem que me proporcionou uma vantagem que da o ter dous idiomas:  empenho na comparação dum e outro para corregir os posíveis erros no que o meu galego colisionava co castelhano; isso ajudou-me a falar bem o castelhano por evidentes motivos de interesse, magoa que daquela eu não sabia que a minha fala ou linguagem também era um idioma normativizado pola história e uso e a costume secular de gentes que o mantiverom e perfecionarom. Quando a mente trabalha em dous sistemas linguísticos diferentes está a favorecer o conhecemento de outros idiomas, abre a mente a curiosidade e o conhecemento e familiariza-nos coas palavras, ou seja uns amadores da filologia. 

luns, 19 de xaneiro de 2026

Johann Cruyff que estás en los cielos . ( Reciclaje blogueiro.)

 Este post, tiene nueve años. Fué escrito en homenaje a uno de los grandes del fútbol. Hoy viene al recuerdo. 

 Johann Cruyff que estás en los cielos

   
  Allá por el año 1973 apareció por aquí un larguirucho con media melena y cara chupada que venía del mejor equipo de Europa en aquel momento el Ajax de Ámsterdam. Vino para quedarse, pues  echó cinco temporadas como jugador en el Barça. Se iba y volvía pero siempre mantuvo en Barcelona su casa familiar y allí nacieron sus hijos. Puso a su hijo el catalán nombre de Jordi, aunque tuvo que inscribirlo en Holanda con ese nombre. En Barcelona  se casó su hija con un catalán  y aquí murió.

    Cuando él llegó en España todo era novedad. Recientemente  se había permitido fichar a jugadores extranjeros,  entre los que no se contaban a los hispanoamericanos que eran  oriundos de familia española, y solamente había dos extranjeros  por equipo. Su llegada fué toda una novedad revolucionaria. Yo que andaba en mis bachilleres y viviendo apasadionamente mi mundo futbolero, el personaje no me cayó bien al principio, tengo que decirlo. Supongo que influiría que en aquel momento  yo  era un fiel devoto madridista y un apasionado de mi ídolo, mi compatriota Amancio, que creo estaba ya jubilándose de los estadios.
     Mi pasión por él no cambió, seguía cayéndome mal. Seguía viendolo chulo y con todos los defectos del rival, en este caso barcelonista. Además de  mi adversión anterior, surgió un hecho que  influyó o más bien me soliviantó mucho contra él chulo holandés. Siempre fuí, y soy,  un apasionado celtista, de  una infantil  devoción. Pues bien por aquella época,  Manolo, nuestro central y el gran capitán, era el ídolo del Celta y el jugador con más proyección de futuro, como se dice ahora. Hete aquí que en un partido yo  y todos vimos,  como de forma  guarra y alevosa  Cruyf le dió una patada a nuestro Manolo. Le produjo una lesión muy grave.  Tal vez no fuese tanto la intencionalidad del caso pero visto con los ojos de forofo  para mi fue como una declaración de guerra. Manolo tenía en ese momento, decían, un precontrato firmado con el Real Madrid y por culpa de esa larga lesión no se llegó a culminar.  Si el chaval larguirucho, Cruyf, me caía mal, anda que  ahora la cosa pasaba a declaración de guerra. Esa pasión visceral hacia que mis  ojos no fuesen  objetivos  al juzgar su futbol . Mi  mirada era selectiva y obviaba sus muchas cualidades  trataba de buscar los defectos de quién había yo declarado enemigo.  O sea nada ayudaba para que le quisiera . Pero como apasionado del futbol. evolucioné de la pasión infantil y creo que en ese tema ya  nunca más  he sido sectario aficionado. Creo que  he sido más del futbol en si que de ningún equipo. Habrá quién me entienda. Mi admiración por cualquier gran jugador sobrepasaba el color de la camiseta. Tal que ya colocados en este plano de intelctuales futboleros el  jodido holandés me iba ganando poco a poco, en todo. Yo iba abriendo mis ojos a su fútbol y sin rubor tuve que reconocer a  todo  el mundo que el flaco holandés era  de lo mejor que habíamos visto. Era bueno, buenísimo  y diferente al resto.
     No obstante, pese a todo, mi cariño no era total. Era objetivo en lo futbolístico pero seguía sin gustarme su personalidad. Fuera del campo era negociante, pesetero, y en aquella época de ingenuidad de una cierta ética aprendida del franquismo eso lo hacía despreciable a nuestra arrogancia ética. Aquí estabamos por lo patrio y el desprecio europeo, así como en contra del mercantilismo obsceno que representaba toda la iniquiedad europea. Por ese camino este colega iba a entrar mal.  Aquí aún no entendíamos eso de mezclar pasión, e ideales, con dinero. Y el fútbol era una pasión.  Vivíamos en la utopía de la furia española y este tío parecía un moderno que encajaría mejor como un miembro del los Beatles que jugando al fútbol al lado de la rudeza y la sobriedad hispana. Por otro lado no   me gustaba su forma de ser  en  el campo, aparte de ser  un  liante,  era mandón, protestón y eso era un ingrediente para  que los equipos   contrarios al Barça, especialmene el Madrid encresparan sus ánimos. Le gustaba el lío y así es bueo  recordar como anécdota que tanto picó en un partido a Villar hoy presidente de la Federación Española y de aquella jugador del Atlétic de Bilbao,  que en medio del campo el desquiciado  Villar  le remangó un puñetazo, o una hostia de aquellas de toda la vida,  en toda la mandíbula  a Cruyf que lo  lanzó al suelo. Seguidamente  Villar se fue del campo sin  decir nada ni mirar al árbitro.Todo el mundo contrario a Cruyf  decía que claro, aparte de ser de Bilbao que te da un plus de animal reconocido, era normal que Villar  saltase, pues el tío era un guarro y un picón. La historia después demostraría  lo  equivocados que  estabamos, pues Villar demostró ser un engreido y arrogante corrupto  dignatario deportivo  y Cruyf un maravillos jugador, una gran persona, un gran entrrenador y  eterno " hombre de fútbol".
      Tengo que reconocer que he visto jugar a Pelé un poco. Tuve la  suerte de ver en blanco y negro  aquél  mundial  apoteósico de México, con la mejor selección brasileña de la historia. Pelé  era elegante, atlético,  rápido. Gustava y era indiscutible, una   maravilla. Era  la época  del fútbol más vistoso, menos físico, con mucho regate corto, centro al área y disposición más estática de los jugadores en el campo. Aparte de eso el  jugador que me ha parecido el mejor del mundo, y que me perdonen, fue Maradona. No he visto a nadie hacer cosas tan precisas y bonitas como Maradona. No sabría explicarlo y no es bueno comparar pero Mesi no es lo mismo. Supongo que en eso influye la edad y el momento vital en el que se está para valorar a cada jugador. Cruyf aunque está entre los cuatro mejores de la  historia, creo que estaría un poco más abajo. Lo que nadie discutirá es que nadie trajo tanto aire nuevo al fútbol  como él. En el campo era jugador y entrenador. Poco a poco iba cambiando las sagradas escrituras del fútbol, disfrutaba siendo transgresor y a mi eso me encanta.  Con él descubrimos una cosa nueva que era el fútbol total. No había posiciones o al menos tan rígidas y estáticas como las que se regían  los  cánones  de la época. Este fútbol total necesitaba algo que lo hacía muy vistoso precisaba de  técnica, velocidad y aceleración. Los cambios de ritmo de Cruyf eran  bestiales, era su arma principal. Todo eso requiere preparación física y buena técnica, imprescindibles en el fútbol del hoy.
       Su manera  psicológica de plantearse en el partido era toda una innovación. No mostraba miedo escénico nunca.  La mirada alta, paseaba y se movía por cualquier parte del campo. Recibía aveces en el centro y organizaba el ataque. Estaba en la banda izquierda muchas veces y daba magníficos pases de gol. Aparecía por la derecha. Con la mano estaba dirigiendo y colocando compañeros en todo momento. Era un magnífico rematador de pie y de cabeza, lo que le hacía goleador también. Era muy bueno en balón parado. Era un director de orquesta que tocaba todos los instrumentos. Pero sobre todo era líder del equipo, mandaba, organizaba, imponía quién jugaba, era su carácter y era el number one, y ese carácter lo mantuvo siempre. El hacia el equipo a su manera, se trajo a   su compañero Neeskens, un trotón técnico y luchador que le ayudaba en el campo un montón. Quería que jugase Clares de delantero centro aunque  no tuviese la calidad necesaria. Siempre fue así.
      Con el tiempo me gustó. Me gustó con aquella selección holandesa increíble de todo, con aquel futbol total y de toque que arrasaba y que fue una revolución en el futbol. Me gustó como se movía, su regate, su manera de posicionarse, aunque veníamos de otra mentalidad futbolística estábamos viendo la novedad y la revolución en el fútbol. Hay personas que nacen para  ser especiales y el lo fue como jugador, no sólo por  como jugaba sino por lo que significó de diferente manera de jugar e iniciar una nueva etapa en el fútbol. Al final nadie se atrevió a discutir su valía.
      Dejó el Barcelona y anduvo entre jugador y entrenador entre España y Holanda. En el año 1985 entrenó al Ajax, pero sin carné. Nunca sacaría el carné de entrenador el que será tal vez el mejor entrenador del mundo, pues en el año 1988, sin carné, inicio su etapa de entrenador en el Barça.
      Si  hablamos del Cruyf futbolista, como uno de los grandes, en esta etapa de entrenador, es para pasmarse y hablar de él tiempo. Su etapa desde el año 1988 hasta el 1995, fue la más grande del Barcelona, no sé si en títulos, ganó la primera copa de Europa de la historia del Club, pero si en nombre, imagen de la entidad, proyección mediática y equipo puntero en una nueva imagen del futbol. Creó el Dream Team y fue la revolución del fútbol moderno. Ya no estaba en el campo pero el genio estaba en el banquillo y ahora proyectaba el chorro de ideas, personalidad y maneras de jugar que cambiaba mentalidades totalmente. Sus dos primeros años fueron de  sequía ganadora, de montaje de la estructura del club y crear una nueva forma de jugar. El Barcelona le aguantó dos años en blanco y con  contestación en la afición porque no veían salida y futuro. Después pudimos disfrutar de un genio dirigiendo un equipo de fútbol. Todo salía de su cabeza, inventaba, hacía lo que quería, fichaba lo que necesitaba, e inventó una nueva forma de comportarse como equipo que dura hasta hoy. Todo lo que vemos hoy lo creó el, que se transportó a través de la escuela de fútbol del Barça  y de  su discípulo Guardiola. Gracias a él aparecieron unos  jóvenes con una manera de jugar que no hubieran triunfado con otro estilo. Recordemos a Guardiola, Ferrer, Amor, Celades, Ivan de la Peña. Recordemos la innovación de  tener un portero jugón, que participara en la salida del balón como un jugador más, algo que hoy parece normal.
      Uno de su grandes capítulo para el Dream Team fue el fichaje de Laudrup, jugador fundamental en su forma de entender el  fútbol de  toque, técnica, velocidad y en la que participaban todo el equipo. La innovación de Bakero como frontón en el medio del campo para apoyo de salida de balón. La importancia que  adquirió el medio centro organizador con la figura de Guardiola. Todas y otras más fueron innovaciones que  han copiado todos los equipo y  que el inventó. El Barça de hoy en su estilo de juego es una copia de aquella forma de jugar que el inventó. Sus entrenamientos fueron innovadores dando más prioridad al balón  por encima de todo. Los famosos rondos de toques de balón era la mayor parte de tiempo de entrenamiento para llegar a tener un equipo que caminase y corriese con el balón. Su filosofía de que si tu tienes el balón el contrario no te crea peligro llega a plasmarse en el estilo de juego, que hoy imitan la mayoría de equipo.
     Como entrenador, no he visto a nadie con la valentía que el ponía en el planteamiento de los partidos. Inventaba y era capaz de hacer debutar de defensa central en el Bernabéu a un chaval de 19 años  y jugando con una defensa de tres. Perdió el partido, pero podía haberlo ganado. La defensa de tres y los dos laterales auténticos extremos fue creación suya. Un sistema impensable antes y que hoy  muy pocos son capaces de organizar.
      El futbol es hoy lo que Johan en gran parte creó y difundió y principalmente como catalán  que se sintió todo lo que dio al Barça desde que el llegó. Sin duda hay personas que marcan  pauta en el mundo y Cruyff   fue uno de ellos.



Nota: Este post fue escrito en 2016 con motivo de la muerte de Johan Cruyf, por  error al revisarlo se ha publicado con fecha de 2019.    


 

mércores, 3 de decembro de 2025

À Rompida do dia, já cumpriu dez anos.

       

              Já cumprimos dez anos. E aquí estamos. 

Foto: Romero. Arquivo Jano Lamas. 


Aquí há uma mistura  que não permite  dar uma sinal clarificadora do que é o que há. É uma loja, humilde,  que tem um pouco de  todo o quase todo; é bazar, é mercearia, é tasca e taberna. É uma mistura de cores, de sons. É uma caldeirada de informações variadas e expostas à vontade do  patrão da barca, eu. Mais parece que estiver feito para o consumo proprio que para, o que é normal, o  consumo do público que por acaso aquí chegue e goste.  

 Nestes dez anos passarom moitas cousas na vida de um, coma na de quase todos.Só felicidade, nada que lamentar,  moito que agradeçer a vida, de forma especial  a chegada, nos últimos seis anos,  de  cinco adoraveis  seres,  chaman-se: 

 XIAN, MARTIÑO, ROI, XELA E GAIA. 

Porque  seja como for, quer se queira quer  não,    navegar é preciso .

 

          À Rompida do dia. Esta pequena nau, un dezassete de setembro de 2015,  saiu a navegar sem dizer a ninguém a onde ia e que ia fazer, saiu, só saiu e seguiu, vagando pelo mar, sem mais.  O patrão da barca, aquele día, não soube que dizer e hoje depois de dez anos , segue a divagar e a falar e a dar voltas arredor de si, mas não diz realmente  o porquê  anda a navegar esta  nau . Ele sabe o porquê, mas gosta de criar mistério, gosta de que sejam os outros os que digam o que quiserem, os que opinem. Assim pois,  não está muito preocupado pelo o que se diga. Sempre teve a ideia de  berrar para  os outros e dizer , olhai  ando neste mar para isto ou aquilo,  mas nunca  este  bateleiro encontrou o momento para dar esa explicação.       E se tal vez não houver um porquê?. Ou melhor dito um porquê formal como podia ser algo assim como exprimir que este  blogue vai falar da história dos reis godos, ou vai falar todos os días de química cuántica, ou vai a fazer comentarios da situação política e social etc. É difícil dar un conteúdo formal ou dar uma finalidade clara, quando é tão pessoal. No meu pensamento, o lugar deste blogue, é uma cousa  lá na rede no que vale tudo  em quanto a conteudos a expor. É um incentivo cultural , un lugar de trabalho, um cofre pra gardar recordos, uma forma de recreo particular. Não está feito para alumiar a ninguém, nem têm pretensões de fazer adeptos-seguidores, está feito para mim, ainda que pareça tudo surrealista. Aquí há uma mistura de coisas que não permitem  dar uma sinal clarificadora do que é o que há. É uma loja, humilde,  que tem um pouco de  tudo o quase tudo; é bazar, é mercearia, é tasca e taberna. É uma mistura de cores, de sons. É uma caldeirada de informações variadas e expostas à vontade do  patrão da barca, eu. Mais parece que estiver feito para o consumo proprio que para, o que é normal, o  consumo do público que por acaso aquí chegue e goste. 
      Aquí há relato literario pessoal, muita música do youtube, crítica política e social, retalhos da  historia, curiosidades apanhadas na rede ou nas media. Resumo de livros ou capítulos de livros que  são considerados interesantes, em fim de tudo. Uma mistura entre um falso diario e um caderno de papel no que  se anotam coisas variadas, que um quissera recordar. 
      
      E de fondo um vídeo que adoro e que me acompanhou, não sei se os dez anos, pero cerca andaria. Este sonho meu, que numca nos deve faltar. 
   

 
https://www.youtube.com/watch?v=0f9PBsnFmmc&list=RDCwppKJjYReA&index=2

sábado, 29 de novembro de 2025

Lendas da minha aldeia: De quando fum sacristám, lá polos meados dos anos 60, e falava em latím.

 Imaxe

.....A missa ainda era em latim pelo o que só se ouvia falar o presbítero celebrante e mais o seu sacristám. Este posto de ajuda nos oficios divinos no altar era para um rapaz ou moçote, com preparação em escritura e leitura o qual não era o mais comúm, já que tinha de aprender a contestar de memoria os rezos em latim. Isto era assim porque o sacristám oficial era um homem adulto que tocava as campás, fechava e abria a igrexa etc.  e não dava aprendido o latim, salvo excepções. A escolha e a preparação do rapaz ou rapazes no seu caso, era feita  pelo mestre da escola que era o que melhor conhecia as faculdades e sobre todo o tempo que tinha o mocinho para mergulhar-se naquela aventura do latim. Se os pais, como era o mais comúm, eram labradores o neno à saida da escola tinha o tempo ocupado para ir coas vacas os prados ou o monte, então o candidato tinha que ser por força filho dum cabaneiro que tinha as tardes livres pra folgar e andar à solta de tunante rua arriba rua abaixo. O eleito latinista adicava días a estudar e a repetir coma um papagaio aquelas preces num  palavreiro que não entendia. Assim cumprindo, eu filho de cabaneiro,  cos requisitos enunciados o mestre decidiu prepar-me para o posto de sacristam imitador de Cicerón e Tito Livio. Quando a visita chegou eu andava já  de recem sacristám-ajudante do culto e tivera que aprender aquele librinho numa linguagem bem diferente do castelhano, que se lia na escola, mas imprecindível para falar com  Deus na celebração da missa.  Dende o "Intro altare Dei", o  "confiteor", o "Dominus vobiscum", o  "pater noster qui est in celis",o "credo in unum Dei", até  chegarmos o  desejado ite missa est, pra rematar e sair. Esta geringonça, com perdão, acabou  tendo para mim um som familiar que  mais tarde passaria a ser, no seminario ,posteriormente , companhia de viagem  da minha vida. Ainda que o passo do tempo e o desuso do latím, incluso dentro da Igreja, faça parecer que tudo aquel estudio quedou em fumo e que ficou no olvido. Não obstante,  nada é o que parece pois iste  posso cultural fica no profundo do homem de hoje e jovem de então. Enfim,  quer se queira quer não,  tudo , seja bom seja mau, contribue na propria formacão e toda  experiência sempre deixa uma pegadaNo meu caso pode ser o  gosto pelas   palavras,  as etimologías das mesmas e o  respeito e curiosidade pelas diferentes falas ou formas de falar. Seja como for calha bem o dito popular cando diz  que o saber não ocupa lugar, ou seja que não me fixo mal nenhum o aprender aquela  missa em latim. No obstante, o meu caso co latím não tem mérito nenhum  se o comparades co caso do "Pepe do paxarinho". Era iste naquela altura um moçote que gostava de contar anedotas, brincadeiras e historias picantes que ele ouvia e gostava de expor a grupos de adeptos que arredor dele escutavam o que ele dizia. Mais ou menos  como se de um cómico do " club da comedia" se tratasse", o Pepe repetia os responsos dos enterros completos,  a sua maneira, numa especie de idioma inventado que era o latim que ele percevia daqueles coros de curas cantando-lhe o defunto dende a casa até o templo. Quanto  mais rico fosse o  defunto, mais responsos tinha. A mais dinheiro por responso mais longo era o cántico latino. Ou seja a oferta e demanda de toda a vida. Assim pois, eu escoitei o Pepe,  por vezes, naquelas assembleias espontáneas  recitar, a peticião daquela clã, um concerto completo responsorial. 

- Pepe mandalhe   um responso de cem pesetas, despois um  de duascentas e incluso algum de quinientas. Eu ficava abraiado ou anonadado (que bem sendo o mesmo diga-se como se diga), co canto  gregoriano do Pepe . Nos meus miolos quedaron sempre fixos aqueles responsos inventados e ainda hoje podia recitar parte deles. Quando já supem latím e comprobei o que queríam dizer aqueles preces auténticas e o que eu aprendera do  Pepe, não podia conter a gargalhada. O que aquel homem fabricou na sua mente era uma obra de arte da linguagem. Algo assim tivemos nós que fazer coas canções em inglês para cantâ-las, nem em Inglês nem espanhol senão numa lingua nova inventada.

     Tudo isto do latím litúrxico  estava ainda no seu apogeu, embora a este zénit de popularidade quedavam-lhe catro días, ainda que nós nada sabíamos nem intuíamos. Estava pronto a chegarem os resultados do Concilio Vaticano II.  Estava-se a prepar-se uma grande mudança na Igrexa, especialmente,  e não só,  na liturgia. O  latím sería um daqueles cambios. Diziam que havia que falar-lhe a Deus na lingua vernácula ( iste palabrão sonava-me mais a erótico que outra cousa), que os curas traduzirom por castelhano.  Assim pois, o  Vaticano II andava já no seu  remate,  ainda que nós pouco disso sabíamos. Pouco ou quase nada  nos falarom nem na catequese nem na  escola nem na predicação dominical  diste assunto  do Concilio, no entanto sim foi moi comentada a morte do papa  João XXIII  que foi em pleno Concilio.  Recordo a foto do papa no jornal fumando um charuto, coisa que pra figura que eu tinha dum papa já me fazia destaque, hoxe seria inimaginável. Todos choramos a morte daquel papa e sentiama-nos orfos e desamparados, ou iso era o que a minha virginal empatía  sentia. 

      Fazia pouco mataram a Kennedy, agora isto do Concilio, Franco celebra 25 anos de paz, os americanos andam artelhando uma guerra em Vietnam. O mundo está revolucionado, onde chegaremos.  

xoves, 20 de novembro de 2025

Tal dia coma hoje morreu Franco.

  Lá polos 1950, um fictício guerrilheiro antifranquista remite uma longa carta póstuma a um filho seu do que viveu separado pola guerra e a post-guerra. O filho descovre por esta carta quem é o seu pai . O silêncio foi lei para os perdedores. 

 Velaquí um extracto da mesma.  

 

 

.......Eu e a tua mãe fomos felices, o tempo que namoramos e estivemos juntos e despois como um agasalho  chega-ches tu. Mas cando as bestas se  desatarom de pronto  na nossa vida  todo mudou . Um novo mundo de dor, violência e miseria humana engoliu-nos numa nuvem cinzenta da que não demos saido.  Chegarom  daquela tempos moi dificeis e duros. Fugim coa tua imagen no coração.Despois tuvem a  oportunidade de que gente boa me salvasse a vida. A esperança de que a tua mãe estuvesse viva dava-me folgos para seguir na loita pola  minha supervivência e poder  cumprirmos o desejo de que algum dia nos juntaríamos os três  em Portugal e que aquela tolemia durasse tão pouco que nos deija-se voltar o nosso fogar, como se todo fosse um mal sono. Nada disto  pudo fazer-se  real. Esta odiosa guerra e esta terrível persecução  destrui-nos por completo. Eu já  passado um tempo e a salvo em Portugal enterei-me da morte de Estrela,  nossa esposa e mãe. Foi este grande amigo Miguel Morgado que me trouxe a noticia de que ela fora assassinada  na provincia de  Zamora dende onde ele  vinha fugindo da morte segura, até encontrar-nos os dous nas contornas das terras de Montalegre.  

.Na minha nova vida de guerrilheiro,  andei asentado onde pude. No monte entre  covas e chouzos; acubilhado em  casas secretas  nas aldeias; durmindo em cortes de gando, em palheiros e  combarros de lenha,em  alpendres  e cando podia no acougo da  minha casa de Pitões das Junas. O lobo e nós tinhamos conversas, saudos e intereses comúns. O lobo era a nossa metáfora de vida: ele representa a natureza indómita o espirito de supervivência e a pureza de quem não se submete. Eu, guerrilheiro, via-me reflectido nesse ser perseguido que parece partilhar com nós um mesmo destino:  a solidão e a morte como preço pola liberdade.

 Dende o Larouco até Castro Laboreiro  dum lado e do outro da raia, andavam as nossas partilhas guerrilheiras  a procurar refugios, marcar e asegurar rutas seguras de escape, proporcionar uma mínima atenção médica, proporcionar  roupas e manutenção, obter informações dos destacamentos de falange e Garda Civil que tratavam de fechar a saída dos fugidos galegos.  Nós iamos  fronteira arriba e abaixo, entrando na  Galiza e voltando os nossos  de segurança nos montes e aldeias de Trás os Montes e o Gêres. A minha vida consistiu em ajudar a salvar-se a todos quantos fugidos podíamos  para cruzarem a fronteira e proporcionar-lhe forma de chegar a Porto normalmente, ou a outras zonas de Portugal. Ainda que Portual era  um régime dictatorial, da época de Salazar, eramos aceites  ou polo menos eram  tolerantes  coa nossa presença. Cando podiam olhavam para outro lado e permitiam em parte a nossa vida, sempre e quando não nos mostrarámos demasiado,  nem figese-mos  ostentação da nossa actividade, ainda que de nada servia o nosso comportamento no caso de  o Governo de Franco dar  queijas da nossa presença, então era quando a Pûde, a Garda Fiscal, e a Garda Nacional atuavam forte comtra  a nossa gente. Ou seja eles, normalmente,   permitiam  ou toleravam os  nossos movementos. Seja como for o que sim é verdade e que  a sociedade em geral,  apoiava-nos moito e sim,  havia organizações sociais e voluntarios civis que nos davam ajuda logística indispensável para mantermos eficaces. Tinhamos colaboradorestanto  nas aldeias fronteiriças da Galiza como nas de Portugal . Eu aceitei o alcume de guerrilheiro, para prestigio social,  e assim eramos considerados eu e os meus colegas para identificar-nos ante os paisanos e os fugidos, pois o nome de guerrilheiro é polissémico, pois há quem nos queira chamar "atracadores", "ateos" "fugidos" ,"salteadores", todos nomes despreciativos feitos pola propaganda para minusvalorar a nossa ação. No entanto eramos uns guerrilheiros forzosos e  “pacíficos”, pois não estavamos preparados, nem tinhamos meios para sermos uma força combatente. Não, nós eramos uma organização logística  para ajudar a supervivencia de homes e mulheres que fugiam para embarcar dende Porto para América ou  passar a parte republicana de Espanha. Salvámos e ajudamos  moitas vidas. Eu adotei  para ser identificado na zona o alcume guerrilheiro  de  o “Quintairos”  como recordo a nossa aldeia  de origem. Entre a guerrilha  conheci a homens solidários, companheiros afastados da familia, mestres fugidos  coma mim, convertidos em líderes guerrilheiros que loitavam pela sua supervivencia, pois o apressamento era o mesmo que a morte rápida. Nós não tinhamos ínfulas de atacar as forças de Franco, se cruzavamos a fronteira era para curar, dar acougo e sobre todo guiar e ajudar a fugir a  persoas perseguidas por serem  republicanas ou nazonalistas. Incluso desertores do ejército de Franco, que de todo havia.   O meu trabalho organizativo era comandar os grupos de  guerrilha nesta cordilheira que ia, mais ou  ou menos, dende  Montalegre a  Castro Laboreiro, ou visto dende a outra banda das serras, digamos que  dende Baltar a Entrimo.....

......Aquí em Pitões tivem o meu acubilho e acougo em todos estes anos. Um fugido que está morto oficialmente que não tem papeis tem de buscar um sitio onde ninguém vai vir a fisgar e guichar. Aquí  figem vida coa minha companheira Maria Do carmo Henriques Freitas, e com ela tenho  um filho que tem o nome de Luis. Eles são a minha vida e quem me  derom moita  felicidade  e ajuda para sair adiante. Luis tem agora dezasete anos, e moi bo moço e  dize-me Miguel que se parece  moito a ti. Aquí tens a tua casa, se alguma vez queres visitâ-los. Eles sabem de ti e são o minha memoria e recordo e sempre estarão esperando-te.

Toma o teu tempo, deixa pasar o que precises  para asimilar todo isto. Se alguma vez quiseres ser parte da minha historia e conhecer a Maria e o Luis pois bom, aliás se todo isto che incomoda ou  che-amola, pido-che desculpas e compreder-te-ia. O meu amor por ti segue vivo no meu coração e vem-se  comigo, agora que está próxima a longa viagem. Sei que vens comigo e, seja o que for, passe o que pasar, es e seras o meu querido filho.

       O mais grande abraço do mundo para ti, querido Manuel.

                               O teu pai.