Em julho do 1957, o capitam Folgoso, recem graduado de Tenente, remata a sua reunião perto do Couto Mixto, e inicia o caminho de volta dende Meáus.
De manhã, co clarejar diste sol veranego, acordamos. Despois dum almoço de leite recem fervido, pão centeio, manteiga e umas lascas de pernil, preparamo-nos para iniciar a marcha de volta para Calvos. Não havia pressa nos preparativos, ninguém falava da marcha, havia uma preguiça no ambente. Eu gostaria de quedar, polo menos um día mais, precissava arrumar um pouco mais as ideias. Pouco a pouco já estava todo preparado e já estavamos a media manhã e tinhamos que sair para chegarmos a jantar em Calvos.
André já estava abaixo coas cavalerias preparadas e o senhor Miguel pronto na porta para despedir-nos.
Acerquei-me a ele, e abraçei-no, num abraço longo e sem palavras. Ele tinha a olhada húmida e triste e eu também. O André não olhava para nós, ficava de costas viradas e cabeça gacha a vez que sujeitava as correias das cavalerias amarradas a sua mão. Havia um entranhado silenço no ar, que ninguem se atrevia a rachar.
Então Miguel falou e como home lido dixo,
-Como dizia Pessoa: “É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios”.
A cita calhava bem na situação. Sem decir nada os dous sabíamos que seguramente pronto nos voltaríamos a vêr. Ele intuia que o meu desejo era recolher os manuscritos do me pai e percorrer bem todos os caminhos que andou. Ele pressentía em mim desejos de conhecer mais do me pai e da minha mãe
Coa mesma eu subim o cavalo, André detrás na besta, e dando os adeus ao Miguel fomos saindo da aldeia paseninho ainda coa modorra do amencer e co corpo meio a tremer por tanto sentimento recibido.
A aldeia já espertigara, estava viva e em movimento. Rua adiante iamos sentindo as olhadas curiosas e intrigantes das gentes do lugar. Já havia uma actividade total, a gente madrugara, sem dúvida. Ouviam-se ladrar os cães, os silbos do pastor que estava a reunir o fato de ovelhas de todos os vecinhos para sair o monte. Jogadas de vacas junguidas e turrando dum carro, outras ainda a junguir e a prepararando-se. Pola calçada cruzase-nos um rapaz tanguendo um rebanho de ouvelhas acompanhado cum cão pastor de palheiro branco e cuma estrela no focinho. Uns porcos chafurdam mais alá na lama dum pequeno regato. Passam umas mulheres, todas levam pano negro na cabeça, uma saia negra e umas alparagatas moi singelas, algunas levam o colo crianças, outras turram da mão dalgúns pequeninos descalços e mal vestidos. Os homes todos levam gorra negra na cabeça e chaqueta de pana gris, uns vão com botas velhas de becerro e outros, a pesar de ser verão, levam chancas. Dum portal desembocam cuatro vacas que inundam a rua co seu passo tranquilo e detenhem-se diante dum pequeno muro varado por uma cancela manhosa. Uma mulhercinha parece andar a escavancar numa pequena horta de verduras e hortaliças marcada por uma pequena parede de pedras e atapetada na entrada de mato e folhas. Andam no ar cheiros de fermentações, mugidos de becerrinhos, cocorocós de pitas e galos, choros de crianças.
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