xoves, 15 de xaneiro de 2026

1957, uma viagem o Couto Mixto. IV. O regresso.

 

Em julho do 1957, o capitam Folgoso, recem graduado de Tenente,  remata a sua  reunião perto do Couto Mixto, e inicia o caminho de volta  dende Meáus.  



De manhã, co clarejar  diste  sol veranego, acordamos. Despois dum almoço de leite recem fervido, pão centeio, manteiga e umas lascas de  pernil, preparamo-nos para iniciar a marcha de volta para Calvos. Não havia pressa nos preparativos, ninguém falava da marcha, havia uma preguiça no ambente. Eu gostaria de quedar, polo menos um día mais, precissava arrumar um pouco mais as ideias. Pouco a pouco  já estava todo preparado e já estavamos a media manhã  e tinhamos que sair para chegarmos a  jantar em Calvos.

André já estava abaixo coas cavalerias preparadas e o senhor Miguel pronto na porta para despedir-nos.

Acerquei-me a ele, e abraçei-no, num abraço longo e sem palavras. Ele tinha a olhada húmida e triste e eu também. O André não olhava para nós, ficava de costas viradas e  cabeça gacha a vez que sujeitava as correias das cavalerias amarradas a sua mão. Havia um entranhado silenço no ar,  que ninguem se atrevia a rachar.

Então Miguel falou e como home lido dixo,

-Como dizia Pessoa: “É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios”.  

A cita  calhava  bem na situação. Sem decir nada os dous sabíamos que seguramente pronto nos voltaríamos a vêr. Ele intuia que o meu desejo  era recolher os manuscritos do me pai e percorrer bem todos os caminhos que  andou. Ele pressentía em mim desejos de conhecer mais do me pai e da minha mãe

 Coa mesma eu subim o cavalo, André detrás na besta, e dando os adeus ao Miguel fomos saindo da aldeia paseninho ainda coa modorra do amencer e co corpo meio a tremer por tanto sentimento recibido.

A aldeia  já espertigara, estava viva e  em movimento. Rua adiante iamos sentindo as olhadas curiosas e intrigantes das gentes do lugar. Já havia uma actividade total, a gente madrugara, sem dúvida. Ouviam-se ladrar os cães, os silbos do pastor que estava a reunir o fato de ovelhas de todos os vecinhos para sair o monte. Jogadas de vacas junguidas e turrando dum  carro, outras ainda a junguir e a prepararando-se. Pola calçada cruzase-nos  um rapaz  tanguendo um rebanho de ouvelhas acompanhado cum cão pastor de palheiro branco e  cuma estrela no focinho. Uns porcos chafurdam mais alá na lama dum pequeno regato.  Passam umas  mulheres, todas levam  pano negro  na cabeça, uma saia negra e umas alparagatas moi singelas, algunas levam o colo crianças, outras turram da mão dalgúns  pequeninos descalços e mal vestidos. Os homes todos levam gorra negra na cabeça e chaqueta de pana gris, uns vão com botas velhas de becerro e outros, a pesar de ser verão, levam chancas. Dum portal desembocam cuatro vacas que inundam a rua co seu passo tranquilo e  detenhem-se diante  dum pequeno muro varado por uma cancela manhosa. Uma mulhercinha  parece andar a escavancar numa pequena horta de verduras e hortaliças marcada por uma pequena parede de pedras e atapetada na entrada  de mato e folhas. Andam no ar cheiros de fermentações, mugidos de becerrinhos, cocorocós de pitas e galos, choros de crianças.

Nós seguimos o nosso caminho de volta até Calvos de Randim, alí espera-nos o taxista, senhor Berceiro, que  me há de levar de volta a Celanova. A caminhada ia devagar. O sôl, ainda morno,  da-nos de costas. Iamo-nos deijando levar pelas cavalerias que tampouco pareciam ter pressa em avançar. Eu seguía cos mes pensamentos, ainda sem clarificar de todo. Un mundo novo se me abria diante, moi contraposto a todas as minhas ensinhanzas recevidas, na casa, no colexio e  na Academia Militar. O mundo dos republicanos e os comunistas era-me moi  desconhecido para mim. 

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