miércoles, 4 de noviembre de 2020

TRUMP versus BIDEN. Medio mundo versus TRUMP. ¿Como acabará todo esto?

       

 Hoy, saturados ya, de la información y del conocimiento de los estados que componen los Estados Unidos de América, aún estamos pendientes de quién va a ganar. Nada se sabe, o se sabe mucho, pero aún nada definitivo. 

      Las encuestas dicen han fallado. Creo que en Estados Unidos fallan mucho, no por ser mal hechas, sino por que el sistema de elección es lo suficientemente complicado para acertar bien. Una cosa es el voto generl y de simpatía hacia un candidato u opción política y otra diferente es el saber estado por estado como va a andar exactamente la cosa, sabiendo que con la aplicación de un sistema mayoritario por cuatro votos se lleva el ganador los puntos correspondientes para ir sumando los 270 necesarios. Lo veo difícil. 

      Por otro lado mucha más gente de lo que se cree votará a Trump, primero,puede que no sea por el mismo, pero que votarían a quién fuera con tal de no votar al partido demócrata. El partido republicano tiene como el demócrata su suelo fijo electoral que vota a Trump o a una berza. Segundo en cuestión económica Trump cumplió bastante con sus promesas electorales en lo que respecta al empleo, a la protección nacional de empresas, a la presencia del liderazgo americano etc. al mismo tiempo siguió siendo racista, homófobo, machista, arrogante e inculto, pero todo eso formaba parte de su paquete electoral. Falló en la construcción del muro, pero muchos hispanos le seguirán votando porque ellos mismo son los que más desean el muro que impida venir a más delos suyos para ellos no tener que irse. 

Recomendanme que vexa isto: BORGEN . Serie danesa sobre a política danesa que pode ser a política de cualquer país.

 No ASPIRINAB, meu blog histórico, xa  de culto, encontrei-me con esta recomendación que  por fortuna repon  a Netflix. As razons que Valupi me suxire, expostas no texto que segue, seduzenme para adicarlle un tempo. É iste um xénero que me fai disfrutar alén de mellores e piores logros. Non vin "The west wigins" que fica como asignatura  pendente , si vin House of Cards e fiquei maravillado da serie. As recomendacions de Valupi son ordes, e a pesquisa por miña parte  das cousas interesantes que el lanza a blogosfera sempre enriquecen a nosa vidiña. Esta noticia chega en regular momento, pois ando lento últimamente para as series,  sentado diante do ecrá. E ainda pior, porque ando con traballos atrasados no tema, pois  ando os poucos a lidiar  con Versalles; un documental sobre Trump que está no momento quente de velo; a ponto de rematar Outlander, que parece que nunca acaba nunca, como acostuma a pasar con algunhas series. Por acima estou recen comenzado a ver  Knigtfall, unha de templarios, santo grial e loitas medievais, tema que tamén me apaixona. Pois bem, ainda tudo iso, acho que e bon momento para recomenzar e mergullarme nas profundidades dunha boa história política,  que, tal como dice Valupi, é moi real.

      Seguiremos informando.

E há muitas razões mais para ver esta excelente série pela primeira vez. Pese a semelhança temática, não será justo comparar Borgen com The West Wing, esse diamante de Aaron Sorkin que pertence ao panteão da TV. Nesta, a escrita intrincada e na esgalha, sempre a correr o risco de cair numa exibição vaidosa, espalha uma sofisticação e densidade que não têm qualquer paralelo com a escrita de Adam Price e sua equipa de argumentistas. A opção dinamarquesa é pelo registo não só realista, o que é duvidoso que seja o caso americano dado o seu artifício idealista, como pedagógico (a resvalar para o ingénuo?). Se fosse preciso concluir uma formação universitária em Direito, Ciência Política, História ou Filosofia para entrar a fundo no universo de Josiah Bartlet e Toby Ziegler, em ordem a nos sentirmos à-vontade no universo de Birgitte Nyborg e Kasper Juul basta estar em vias de concluir o secundário. Ao mesmo tempo, Borgen retrata fielmente as lógicas, dinâmicas, rituais e acidentes que ligam políticos e jornalistas num frenesim imparável de aproximações e separações, alianças e batalhas. E tudo isto, notavelmente, sem cair no melodrama nem procurar fazer humor.

Para mim, e não estarei só nessa experiência, o mais admirável na visão de Adam Price é ter conseguido mostrar a democracia a funcionar na perfeição sem ter cedido meio milímetro ao cinismo e ao tribalismo. As personagens são profundas quanto baste, o elenco é credível e envolvente, e há um arco narrativo que faz da decência o valor mais importante para o estadista. Um estadista que se vê a falhar como os outros, pois é humano, mas que é salvo pelo afecto e pelo idealismo de terceiros – da comunidade, portanto. Esse estadista modelo germinou na cabeça do autor da série e conheceu a luz no corpo e arte de uma actriz fabulosa, Sidse Babett Knudsen. Ela consegue o feito de vencer o estigma que penaliza as mulheres na política ao criar uma personagem cuja autoridade de líder é verosímil e inspiradora. Ficamos a sonhar com o milagre de vermos a Birgitte a saltar do ecrã e a meter-se a caminho do parlamento mais próximo. Afinal, a sua (e nossa) segunda casa.

 

   Mais información o respecto, niste caso de La Vanguardia.

Netflix resucita ‘Borgen’, una de las mejores series de todos los tiempos

 

lunes, 2 de noviembre de 2020

La Clave. El marxismo. 1979

EL CAFÉ EN PORTUGAL

 

En Portugal hay muchos tipos de café y todos riquísimos. Los lusos toman café a todas horas: CAFÉ para desayunar, CAFÉ para después de comer, CAFÉ para merendar, CAFÉ para después de cenar, CAFÉ para ver un partido de fútbol, CAFÉ en una tertulia de amigos, CAFÉ para... En ocasiones, el café cambia de nombre dependiendo de la zona del país y además igual que en España, si se tiene en cuenta el tamaño; si es sólo, con más leche, menos leche..., también varía su terminología. Es conveniente que se sepa cómo pedirlo. -CAFÉ Si se pide un "café" en Portugal, servirán un café sólo, sin leche, servido en una taza pequeñita. Este café es conocido como BICA en la zona de Lisboa y CIMBALINO en la zona de Porto. -CAFÉ CHEIO/CAFÉ CURTO Un "cheio" se trata de un café expreso más suave, la taza se llena hasta arriba con suficiente agua para suavizarlo. Y un "curto", es un café más concentrado. -ABATANADO Si se desea un café sólo, pero menos intenso que la " bica" o el "cimbalino", se debe pedir un "abatanado". (Suele llevar también una gotita de leche, para cortar la acidez del café). -PINGADO Consiste en un café con un poco de leche, o como dicen los portugueses, con leche "em pingos" (con unas gotas). Este café es a lo que los españoles llamamos un "cortado". El GAROTO (en el Sur) o PINGO (en el Norte) es como un pingado pero con la espuma de la leche.

-MEIA DE LEITE
Café con leche servido en una taza pequeña, similar a nuestro "café con leche".
-DESCAFEINADO
Si queremos que sea un descafeinado con leche, debemos pedir "meia de leite de descafeinado", de lo contrario, nos servirán un café sólo descafeinado.
-GALÃO
También es un café con leche, pero servido en un vaso grande de cristal y con una cuchara alta.
-CARIOCA
Es un café más suave y con más agua.
-ESCALDADO
No es un tipo de café, sino una manera de servir el café, ya que se trata de café en una taza previamente calentada.
-CAFÉ COM CHEIRINHO
El "cheirinho" (olorcito) proviene de un aguardiente que se le echa a este café. Este tipo de café con un toque de alcohol puede tomarse como digestivo.
 
  apanhado do facebook, grupo comer en Portugal. 

Notas soltas. Velhos escritos, ideas eternas.

 


Faz dez anos,

escrevia eu coisas assim, que achei por un acaso hoje refolhando ou mais bem clicando em arquivos. Bulia a cabeçinha  por fazer ou escrever cousas. Só podo dizer que o meu galego-português,  na altura andava recebendo  aulas, era melhor que  hoje e que a inquietude que daquela tinha, madurou e  calhou neste blogue. Que faz dez anos a importância dos blogues na rede era mais importante do que é agora, e eu sou um bom testemunho disso.  Ainda que o nome  do blogue que se albiscava, parece que não concorda com este,  pois , mais tarde como alustro de día de tormenta apareceu "À rompida do día". Contento co nome do blogue e o seu conteudo, sempre moi melhorável, até de agora  foi pra mim uma maneira de tentar fala, contar ou  exprimir  o que passa ou do que gosto. En resumo tentar partilhar inquedanças e  fazer  que o meu tempo seja, um  bocadinho , um tempo contado.

Como projecto dum blog, achei hoje, antes de levantarme da cama quando ja acordara e o sonho era sobrante. É e quando melhor tambem tenho algunas ideias, e abofé que naquele momento até semelham fáceis de fazer. 

Pois bom,  as boas ideias, sempre  parecem fáceis de fazer quando estamos na cama,  ainda cos miolos brandos e  descansados. O zume das ideias, pula por sair e movimentar a besta para que  esta començe a jornada com ideias  para fazer, com coisas que podam cambiar o mundo. Eis assim é a  vida feita esperança.Bendito seja que o pensamento descorra por estes mundos  assim. Que tristura não seria,  acordar e dizer : que é o que eu  posso fazer hoje,  não sou capaz de fazer nada, estou numa solidão mental e numa depressão  fonda. Quanto melhor é sentirmos pular a sangue mentras poidamos; termos  sonhos,  e esperança de que algo novo estara a chegar. Tudo ajuda e faz-nos viver. Loubado seja deus e os seus anjos e toda a corte celestial se  podem botar uma mãocinha. 

 

Um dia destes de  manhã, ontem para sermos exactos, achei que porque não tratar de eu  têr o meu blog. Depois de ser diario leitor de varios porque não labrar a propia leira.  O Terreiro está  ermo, há que decruar uma terra dura, as eixadas estão preparadas. Embora, pensei eu para mim que  não vai ser um caminho fácil, caro amigo. As eixadas querem braços  a bater no chão para romper os terrões e esmiola-los para fazer terra peneirada e solta que  como mãe nutricia reciva e agarime as sementes que hão de dar fruto para a primavera ou talvez o verão.

Um blog acho que pode ser  como uma seara  para a trabalhar. como o labrego que  trabalha no  dia a dia. Assim devería ser , sem duvida. Será mais doado andar coa constancia do pedreiro a colocar  a pedra pequena na parede. Este  trabalho de artesano é sempre o trabalho que fica no tempo. Bem aplicado está aquó o  dito de que auga  mole em pedra dura tanto da até que fura. Eis a solução e a questão de tantas e tantas coisas.

  E asim dialogavam os meus "eus".

O meu primeiro eu: 

-  E então como chamarias o tal  bloque?

-E como quiseres que fora?, quem quiseres que te acompanhara, ou que tu intentaras que te acompanhara  cos seus comentarios ?.

- Vai ser de adoração o propietario ou mais bem vai ser para solaz de tudo o pessoal que por cá quiser passar ?

O meu segundo eu:

- Pois vou dizer-te que , 

-Primeiro tenho lido muitos e bons blogs e alguns não permetem comentarios. Outros permetem mas não tenhem comentadores. Outros são muito intimistas .Hai-nos também de temas muito especificos.

-A min gostariame fosse aberto, como um abano de posibilidades para que o pessoal pudesse participar. Estaria escrito en galego-português, ainda que também animaria e possibilitaria o galego normativo, e também o castelhano, e o  português padrão . Melhor dito,  seria  uma mistura ou melhor uma caldeira idiomática,  ora essa.

O meu primeiro eu :   

-Muito interessante a ideia, embora, não achas que ainda que tu não queiras  o persoal  vai vir quer queiras quer não?. Andam á solta pela rede paxarinhos que   na sua procura de acubilho  podem fazer, dando uma olhada,  um descanso  no  teu blog. Podem ser pombas masinhas a olhar ou bandadas de pardais que andam a procura de regueifa e ficam moi ledos o encontrar  andurinhas a quem se pode dar tralha e malhar em brando. Esta especie existe na rede, mas esta especie tampouco é para desprezar, pois, por vezes animam  e estimulam um blogue. Além deste persoaal,  isso sim nesse blogue,  tambem é importante o partilharem pessoas  que aportem ideias e fundamentos. Embora só viver dos regueifeiros é muito perigoso, pois o mais provável que aconteça e que o blogue se converta  numa esterqueira barata dum  galinheiro. Assim se compreende o porqué de muitos blogueiros não deixarem fazer caixas de comentarios.  

O meu segundo eu:

-Sim, mas acho que não me preocupa, preferiría ter muita regueifa e visitantes que ser a sacristía da capela. Para isso a  temática seria aberta a tudo, social, espiritual, lingua, política, dizeres, e dicas que  xurdam cada día. Tudo sería possivel. O aspirinaB seria um modelo a seguir.

 -O blog chamariase dende o alto do larouco.

-O título terá que vêr com que nele participariam galegos, e portugueses a ser possivel.O dende darialhe o toque galego idiomáticamente.

-O título explicariase numa entradinha  do blog e seria mais ou menos assim.

Dende o alto do Larouco vê-se o mundo inteiro. Tu vês e o mundo não te vê. Se olhas para o norde estaras a ver Baltar e o seu concelho, até Cobas, penalonga, os penedos da rainha loba, a aldeia perdida da Roussia, o limia indo manso pelo Vale de Baltar até Garabelos. Para o oeste olhase Montalegre,Portugal, a barragem de pitoes, os montes do Barroso, vilar de perdizes. O sur onde nasce e quenta o sol, o val de Verin, e os pobos da beira do larouco, São Millão, Videferre, Soutelinho da raia, Cambedo; olhando para o leste, os montes de Serra de Meda, e ainda mais lá Manzaneda e a Limia.

Olhase todo o mundo.

 E por isto que a xuntanza niste blog gosto que seja um convivio. Dende  este alto que tem o mundo  por debaixo, viemos  para falar,  ascendemos  até aquí para contarmos o que queiramos  animado pelo  silenço e a força que em nos deixa o deus  Larouco. O Larouco e galego e português, foi celta, suevo, romano, só galego. Ele viu pasar a historia mas ficou sempre nobre, ergueito e nutricio de auga e lenha e pasto para quem quiser. Ele fica aquí dende sempre e não mudou ndda. Ele é a testemunha   de todos nós. Por isso dende aquí, ascendermos e com boa caminhata  para chegarmos a fazer deste lugar uma cimeira  de união, uma palestra  para falarmos e misturar as nossas linguas  comuns.

Para chegareso  o alto do Larouco, não é doado. Não queremos que suba de carro, podes ascender de caminhada, pelos caminhos de terra que tambem podem ser transitados na bicicleta. Que quer isto dizer. Para amar a montanha há que ascender abraçado a ela,  Vè-la e o tempo tocá-la, ir devagarinho, de paseninho, parar alguma vez e olhar para o fundo, cada vez o vale olhase duma forma diferente, o rio fica mais pequeno, as ribeiras estão cheas de vidos, amieiros e xestais, mais verdes que o resto da montanha, o ceu ja parece tocar o alto do Larouco a onde ei de chegar.

No alto , na veiga, há uma grande planura, um humedal, pelo que há vacas dum e do outro lado, alí é bom juntar-se os homens, para falar , so para escoitar,e o que quadrar nesta cerimonia da vida. 

Tudo parece uma metáfora  da construção dum projecto blogueiro.  

 A foto corresponde o   Vértice geodésico do lugar mais alto do Larouco.

 

domingo, 1 de noviembre de 2020

Qual é a origem de «obrigado»?

         Sempre aprendendo de MARCO NEVES, achei interessante sabermos porque os portugueses dizem "obrigado, obrigada".

 

 

 Obrigado» vem do particípio passado do verbo latino «obligō». Este, se escavarmos um pouco, veio da raiz indo-europeia «*leyǵ-», que significaria ligar – e, diga-se, o verbo português «ligar» tem a mesmíssima origem indo-europeia.

Isto é interessante, não tenho dúvidas, mas mais interessante será ver que esta viagem não explica a origem da nossa fórmula de agradecimento. Afinal, a origem que descrevi acima é a mesmíssima origem da palavra «obligado» do castelhano – e um espanhol nunca diz «obligado» para agradecer seja o que for.

«Obrigado», na verdade, são duas palavras (pelo menos).

Temos a forma «obrigado», particípio passado do verbo «obrigar», que às vezes se disfarça de adjectivo. Este «obrigado» aparece em frases como «Fui obrigado a abrir a porta.» ou «Eu sou obrigado a virar à esquerda naquele cruzamento.». É uma palavra com vários usos e tem origem no latim. Corresponde, sem grandes discrepâncias, ao «obligado» castelhano.

Mas, depois, temos o nosso amigo e conhecido «obrigado» como fórmula de agradecimento. Muitas línguas têm uma interjeição com este significado:

  • inglês: «thanks»
  • francês: «merci»
  • castelhano: «gracias»
  • alemão: «danke»
  • japonês: «arigatō»
  • português: «obrigado»

E podíamos continuar por aí fora… Algumas das palavras acima têm variantes, mas estas são as mais comuns.

A origem de cada uma destas fórmulas é distinta. O «thanks» inglês terá origem na expressão «thanks to you», ou seja, «graças a si», o que será parecido ao percurso que levou às fórmulas castelhana e alemã. Já o «merci» francês teve outra origem, semelhante à origem da nossa expressão «Vossa Mercê», o que nos leva a concluir que o «merci» francês e o «você» português têm uma origem comum. Já a palavra japonesa parece lembrar a palavra portuguesa. Haverá alguma relação? Já lá chegamos.

A interjeição portuguesa «obrigado» surgiu a partir de expressões mais complexas, como eram as fórmulas finais nas cartas, tais como «Muito Venerador» e «Obrigado a Vossa Mercê». Com o tempo, aquele «obrigado», que tinha a tal origem latina muito antiga, começou a deixar para trás – sem o perder por completo – o sentido original de obrigação e passou a ser usado como fórmula fixa. Ou seja, a forma verbal tornou-se a interjeição de agradecimento típica da língua portuguesa. Digamos que a palavra decidiu saltar de categoria – e reinventar-se. No entanto, a palavra anterior («obrigado» como forma verbal) não desapareceu. Na verdade, dividiu-se em duas palavras…

Agora, o ponto mais interessante: esta reinvenção da palavra é muito mais recente do que pensamos. Só no século XIX começamos a ver surgir nos nossos textos o «obrigado» com o sentido de agradecimento que lhe damos hoje. Imagino que, na oralidade, o uso seja um pouco mais antigo. Mas tudo indica que Camões não dizia «obrigado!» quando alguém lhe dava alguma coisa…

Que consequências tem isto? Para começar, deita por terra a teoria de que a palavra tem uma ligação profunda à alma portuguesa, como já cheguei a ouvir por aí – estas teorias que ligam esta ou aquela característica linguística ao carácter nacional são sempre muito suspeitas. Depois, torna a ideia de que o «arigatō» japonês teve origem no «obrigado» português num belo anacronismo. É engraçada, mas não parece possível. Há outras palavras de origem portuguesa no japonês, mas os japoneses já diziam «arigatō» antes de nós dizermos «obrigado» com o mesmo sentido.

Como agradeciam os portugueses antes desta transformação tão recente? Há outras expressões de cortesia na língua: «agradecido»; «bem haja»; «grato» … A certa altura, as tais fórmulas pomposas das cartas começaram a desbastar-se e daí surgiu mais uma fórmula de cortesia: o nosso conhecido «obrigado». Esta nova interjeição acabou por se espalhar de tal maneira que, hoje, ultrapassa as fórmulas mais antigas – é o nosso agradecimento típico e uma das primeiras palavras que um estrangeiro aprende quando começa a falar português. Não era assim há 300 anos.

Como sempre, a língua continua a moldar a palavra e a reinventá-la. Já não temos só o «obrigado», mas também o «muito obrigado» ou o «obrigadíssimo» – e ainda o levemente irónico «obrigadinho».

Há ainda um pormenor curioso. A forma verbal «obrigado» varia em género e número. Uma mulher dirá «estou obrigada a cumprir a regra» e um grupo dirá «estamos obrigados a realizar a tarefa». Ora, quando a forma verbal se transformou numa interjeição de agradecimento, seria de esperar que ganhasse as características das interjeições. Uma delas é esta: uma interjeição não varia em género e número. Por esta lógica, o «obrigado», quando é interjeição, deveria ser sempre «obrigado» e nunca «obrigada» ou «obrigados». No entanto, como vestígio da história que contei, a interjeição continua a variar na boca de muitos falantes — mas só em género. Assim, um homem tende a dizer «obrigado!» e uma mulher a dizer «obrigada!». Já a variação em número quase desapareceu: se um grupo disser «obrigados pela atenção!», a expressão será vista como errada (ou pelo menos estranha) por uma grande parte dos falantes, que nunca estranhariam a forma verbal «estamos agradecidos pela atenção», precisamente porque o nosso cérebro de falantes não trata «agradecidos» como interjeição, mas sim como forma verbal. «Obrigado», no fundo, mantém algumas características da antiga forma verbal de onde surgiu — mas não todas. A língua tem razões que a razão desconhece.

Dou por terminada esta pequena viagem à origem da palavra «obrigado». Mas não me vou embora sem dizer: obrigado por ter lido esta crónica!

Começa a semana com isto: ITACA


 

Imaxe 

Morreu Sean Connery o actor por excelência.

                        Noventa anos, 

 Ithaca by C.P.Cavafy (with Sean Connery & Vangelis)

Aproveitando o recital do poema  Itaca de Constantino Cavafis,  na voz  de  Sean Connery, calha que escutemos en castelhano uma magnífica versão de J. M. Pou.

O lembrar ITACA, sempre me vem o recordo a Itaca,  dum cantante fabuloso como é Lluis Llach. Sempre gostei da sua musicalização da Itaca en catalão. A oportunidade que começou co Sean Connery acaba por levar-nos a Llach. Tudos eles, Connery, Pou, LLach,  fizeram a sua maneira,  e com muito proveito humano,  a seu viagem  ou travessia a Itaca. 

 

El poema Ítaca pareciera estar dirigido al héroe Odiseo durante su regreso a casa (el camino del héroe que simbólicamente transitamos durante nuestra vida), pero en su precioso y universal lenguaje nos habla a todos por igual, y nos obsequia gentilmente un consejo que pareciera simple pero que frecuentemente obviamos. Inmersos en una vida de prisas, de recompensas fáciles e instantáneas, es común olvidar que el camino, pensado también como cualquier clase de proceso, no solamente es lo que más puede enseñarnos, sino también lo más disfrutable. Ítaca “no tiene ya nada que darte”, asegura el poeta nacido en Alejandría, por eso es mejor llegar ahí viejo, habiendo vivido aventuras y experiencias.

Todos queremos volver a casa, a Ítaca, avistar desde el mar la isla en la que crecimos, volver a ver a la mujer que amamos y que nos espera hace tantos años. Por esta razón, la legendaria isla griega —hogar de Odiseo, Penélope y Telémaco— es la metáfora perfecta del propósito de la vida, de eso que nunca dejaremos de perseguir.

Las Ítacas pueden ser, entonces, casi cualquier cosa: podrían representar el proceso para lograr una meta o para recuperar algo que hemos perdido, incluso, podrían simbolizar el acto de transitar por la vida de principio a fin, para finalmente volver al origen. En un poema iluminador y sólo aparentemente sencillo, el poeta griego Constantino Cavafis habla sobre la importancia de disfrutar el camino hacia nuestra propia Ítaca (cualquiera que ésta sea), pues el viaje es mucho más delicioso que la llegada al destino final.

Los Cíclopes, los Lestrigones y la fiereza del dios Poseidón no aparecerán en tu camino si mantienes un “pensamiento elevado”, asegura Cavafis; los peligros sólo surgirán si los llevas dentro, si tu alma los pone frente a ti. Con estas palabras, el poeta nos recuerda que en muchas ocasiones son nuestros propios demonios los que nos estorban en el proceso hacia alcanzar lo que deseamos (de ahí la importancia de convertirlos en aliados).

El pequeño y deslumbrante consejo contenido en el poema de Cavafis, uno con enormes implicaciones ontológicas, bien podría llevarse a los procesos más sencillos y cotidianos de nuestra vida con resultados sorprendentes e iluminadores; una práctica de esta naturaleza, como filosofía de vida, también podría relacionarse de manera profunda con la meditación, con el trabajo de mantener nuestra mente en el tiempo presente.