
https://twitter.com/DiegoBernalRico/status/1799155556994916533
No padrom galego FENTOS! Em Portugal som FETOS e no Brasil SAMAMBAIAS
E vós como lle chamades aos "fuentos"? Fentos, fieitos, folgueiras... na Raia seca, en Calvos de Randín chamámoslle "fuentos"
Na minha zona muita gente diz "fentos". Quando era criança era a única forma que eu conhecia. Assim desta maneira parolavam uns e outros arredor da palavra Fentos, que para mim sempre foi clara e única, desconhecedor que noutros lugares usavam outras palavras parecidas para identificar aquela planta tão comúm. Pero bem se vê que não é asim o qual demostra a riqueza do galego e dos moitos sinónimos das nossas palavras espalhadas polo territorio galego e português. No entanto, esta questão intrascendente e nada novidossa deu-me pê para recordar-me duma anedota que passou na minha infância escolar, lá no meu povo co meu mestre na altura de Atapuerca.
Na minha zona muita gente diz "fentos". Quando era criança era a única forma que eu conhecia.
Assim desta maneira parolavam uns e outros arredor da palavra Fentos, que para mim sempre foi clara e única, desconhecedor que noutros lugares usavam outras palavras parecidas para identificar aquela planta tão comúm. Pero bem se vê que não é asim o qual demostra a riqueza do galego e dos moitos sinónimos das nossas palavras espalhadas polo territorio galego e português.
No entanto, esta questão intrascendente e nada novidossa deu-me pê para recordar-me duma anedota que passou na minha infância escolar, lá no meu povo co meu mestre na altura de Atapuerca.
Anedota:
Eu vivim uma época, a que me tocou, que me proporcionou uma inmersão lingüística natural no galego que tal vez fosse a última da historia. Dende o 1956 a 1966 eu só ouvia falar em galego, e só falava em galego. O espanhol tinha-mô-lo na escola, como idioma de aprendizajem , e como idioma oficial necessario para sermos uns cidadãos plenos. Co mestre tanto nas aulas como fora delas a comunicação era quase sempre em castelhano, ainda que ele era, normalmente, falante galego coas persoas do povo. Na igreja o cura falava-nos o castelhano, misturado na vida ordinária co galego. Os funcionarios do concelho e os médicos também nos falavam em galego. Havía só uma ou duas familias, a chamada do médico, o veterinario e alguma mestra que vinha de paso,que falassem entre eles em castelhano. Os Gardias falavam-nos todos em galego. Era moi pouco, quase mínimo o uso de radio e televisão, na que ouviamos o castelhano. Além da enciclopedia, o catecismo, algúm livrinho ou jornal, alguns tebeos, poucos mais livros tinhamos para lêr em castelhano, obviamente em galego não existiam ainda livros escritos para a gente comúm. As horas de galego eram o cabo do dia, moitas em todo o ano, com destaque no inverno arredor da lareira coa narração das lendas, as conversas familiares e a transmisão de conhecementos antigos e faladoiros varios: todo esto era em galego.
Pois bem o senhor mestre que nos tocou, pedagogo das silveiras, era um sabio na utilização da retranca tanto na sua vida ordinaria como cos alunos nas aulas. Pero olho, a sua retranca sempre estava adereçada ou mais bem estercada coa burla, a mofa e misturada com um pouquinho de humilhação e rebaixamento da dignidade daquelas pequenas alminhas.
Em certa ocasião prá ensinar-nos uma palavra castelhana, rara no sonido prá nós , a qual ninguém utiliçava, fixo uma performance do seu jeito. Assim pois para aprender-mos e não olvidar-nos numca da palavra "helechos" que parecia resistirse-nos no aprendizajem, escolheu a tres incautos da classe e dixo-lhes:
—Ides o monte da fonte de Miro, que fica detrás da escola, e apanha-des uns "helechos e traede-los ".
Os rapazes sairom coas caras asustadas, sem dizer palavra, pois o medo é o que tem, que não te deixa falar. Sairom pois como almas em pena e já fora da clase, tentariam gestionar da melhor forma que se lhes ocorriria a ordem recevida, embora topariam-se, os coitados, coa sua ignorância. Os que ficamos acochados entre aquelas paredes, os afortunados que quedamos na aula, estávamos também olhando para o céu e dando vivas de não sermos parte daquela vítimas que iam ser masacradas. Nós também eramos vítimas da nossa ignorância.
O senhor pedagogo das silveiras, em quanto sairom já fixo chacota dos mandados, sabedor de que não iam encontrar "helechos" no monte de Miro. Pero não porque não os houvesse, que de isso sobraba por alí, senão porque eles não sabiam que os tais helechos são os nossos fentos de toda a vida. Eis a questãó, tanto dizer sempre fentos não se nos ocorrira saber que longe de nós outra gente chamava-lhe a aquelas prantas que não tinham jeito nem valor: "helechos".
Chegarom dalí a um bom tempo, os nossos colegas. E asustadinhos, entrarom:
—Da usted su permiso.
—Que, traedes os helechos? —Ele sempre nos falava em castelhano, obviamente, ainda que prá fazer brincadeiras, mostrar-se graçioso-chistoso, e fazer escárnio, então utilizava o galego.
Eles só conseguirom mover a cabeça a vez que contestavam
— No señor.—Dito baixinho.
Sem atrever-se a dizeer que não sabiam o que eram os tais helechos.
Daquela falou o boi e dixo muuuu:
— Pois mirai, lapadoiras, que sodes uns lapadoiras, os helechos são o mesmo que os fentos. Passai, e haver se assim vos queda aprendida prá sempre a palavra.
Imersão lingüística:
Pois assim foi. São as cousas que tem a "imersão lingüística" que as vezes não sabes o que são os helechos. Uma eiva terrível na formação intelectual dum neno da aldeia.
Orgulho-me de haver sido filho de viver numa época na que a realidade era o que agora chamamos inmersão linguística que me facilitou ter e pensar no meu propio idioma e que não me privou de falar e lêr em castelhano em moitos casos bastante melhor que aqueles criados na cidade e só no idioma castelhano. Não foi numca na minha vida um travão, viver isolado em galego os nove primeiros anos da minha vida, prá fazer despois um bacharelato fora de Galiza, falar um castelhano perfeito, ter duas carreiras universitarias. Sim foi uma aprendizajem que me proporcionou uma vantagem que da o ter dous idiomas: empenho na comparação dum e outro para corregir os posíveis erros no que o meu galego colisionava co castelhano; isso ajudou-me a falar bem o castelhano por evidentes motivos de interesse, magoa que daquela eu não sabia que a minha fala ou linguagem também era um idioma normativizado pola história e uso e a costume secular de gentes que o mantiverom e perfecionarom. Quando a mente trabalha em dous sistemas linguísticos diferentes está a favorecer o conhecemento de outros idiomas, abre a mente a curiosidade e o conhecemento e familiariza-nos coas palavras, ou seja uns amadores da filologia.
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