martes, 28 de abril de 2026

Sachando nos eidos alheios.

 No aspirina b, o reis, andou sachando nos eidos alheios. 

Orgulho ibérico

Pedro Sánchez vai propor fim do acordo UE-Israel por “violações de direitos humanos” 

Muito orgulho. Muito que comentar a tanta trapalhada indocumentada e fanática, fica adiado. Não imaginava eu que a propaganda, a desumanização e a crispação criada na Espanha e o conceito criado de “sanchismo” ia ser comprado também pela esterqueira portuguesa. A direita desde o primeiro dia deste governo chamou-lhe de : ilegítimo, ditadura, corrupção…. Sánchez foi posto como o culpável de todos os maus inventados. E que roubou o poder. Nada, tudo falso, que mais da, o poder e nosso e agora tínhamos que governar nós, a direita, o poder económico acochado trás do palerma dum galego desleixado líder do partido da oposição. Onde a corrupção?: sim descobriu-se um caso grave que foi controlado e expulsos do partido automaticamente os dois malandros correspondentes. A mulher investigada dois anos, não há nada, só tonteiras de merda, mas a a tensão mediática mantêm aceso o lume duma certa corrupção.

Lawfare: Sobre um autêntico golpe de estado por forças da judicatura, além das absurdas causas abertas a mulher e o irmão. Condenou-se o Fiscal Geral do Estado, contra todos os princípios da presunção de inocência etc. A oposição e agentes da extrema direita apresentam continuamente causas absurdas e juízes que abrem diligências absurdas. No caso de deixar o poder e governar a direita vai o cárcere, seguro. O motivo já aparecerá, não preocupar-se, há cutelos afiados preparados para a matança do porco.
Economia: Vai melhor que nunca. Também se não fosse assim este governo não aguentava. O Ministro de Economia só foi perguntado duas vezes em quatro anos no parlamento. Isso diz moitas coisas juntas. “É a economia estúpido”, resumindo.
Catalunha: Ganhou as eleições na Catalunha, pacificou o ambiente independentista e os grupos catalães apoiam o Governo. Deu uma lei de amnistia, os condenados no procés, necessária para a vida política. Sofreu uma campanha feroz na rua e nos médios e mais gente em contra da lei da Amnistia ( por certo numa de essas manifestações em Madrid falou o senhor Rangel no que fez um papel patético).

Vá lá, pois: aqui o melhor presidente da história democrática de Espanha. Digam lá o que queiram, será exagero, mas o tempo porá a cada um no seu lugar, que caralho. Sofreu e sofre uma campanha animal “ad hominem”. Já vejo que também aqui alguns compraram o relato da desumanização da pessoa, e que nele estão preenchidos todas as maldades do mundo. Incluso há quem diz que Espanha é uma ditadura, e da prá risso. Eu compreendo a gente, porque as campanhas de mentiras e patranhas diárias duma oposição política lamentável dirigida por dois patifeiros ( perdão pelo localismo), patifes, biltres e canalhas, quem só têm o objectivo de desprestigiar as pessoas com boatos de manhã, de tarde e de noite. Todo é boato na informação espanhola excepto a rtve e a cadeia SER. Tudo esterqueira, merdalhada baseada na pilhéria que nos farta alguma gente. O pais esta estável, a uma direção e mando, tem boa equipa e apoio do partido. Gestionou como ninguêm as calamidaes, moitas, que teve no seu mandato: Covid, Dana Valencia, incêndios, Volcão de Canarias, accidente de combio, crise da guerra de Ucrânia etc. Que mais se quer.

É Valente, inteligente, fala inglês ( para vocês em Portugal não tem importância, mas isso num político espanhol é tão raro como encontrar o monstro de duas cabeças). Tem presença internacional. Representa como ninguém a um país como Espanha. Conseguiu formar um governo com gentes mói variadas a sua esquerda e cos nacionalistas vascões e catalães. Que é senão a política? Em que consiste governar?. E agora cos ventos demoníacos vêem do Averno, quem é o primeiro que pus pé em parede, quem deu fôlegos a muitos para dizer, não sejamos cômplices desta armadilha na que está o mundo. Guerra com legalidade internacional, não os crimes de Gaza.
Olho. Fica aqui dito. Vai ganhar as próximas eleições de 2027, ou estar em condições de artilhar uma maioria para governar: Pois tem as ferramentas económicas para por em caminho reformas profundas no tecido industrial, ainda seja sem pressupostos. Tem conteúdo internacional, ele é agora uma peça fundamental no tabuleiro internacional e não só para esquerda. Além de que para qualquer democrata que tenha fé nos direitos humanos, na paz e na legalidade internacional. Faz ainda pouco Scholz na Alemanha recebeu o aplauso de convocar eleições por não conseguir presentar pressupostos, foi honrado e suicida. Muita gente aplaudiu a sua valentía e coragem e responsabílidade. Em tempo normais também eu elogiaría. Mas no mundo de hoje diante da ola reaccional mundial e a gravidade que supôe Trump, o mais coerente e respon´savel e resistir dentro do marco democrático. Não rendir-se. Hoje Em alemanhã haveeria uma coaligração de esquerdas e não um conservador ameaçado pola extrema direita, Merz, que esta a poner em risco a toda Europa pela sua teima de agradar a Trump e não ajudar a liderar os países europeus ante a ameaça atual. Hoje Merz está a ser questionado no seu próprio país pelo seu apoio. Sánchez tem demostrado que é valioso resistir. Por qué importa que a Espanha não seja outro país europeu governado pela direita extrema e a extrema direita, mais lá de que tenha ou não tenha pressupostos.

Sei que digo isto em Espanha e além de pedradas receberei risos de moita gente. Por isso na rua e nas conversas, só nas amizades, podes dizer isto. Conseguiram um ambiente tão negativo “ad hominem”, querem fazer-nos ver que vivemos numa ditadura que a corrupção é insuportável etc. Que para não entrar em confrontação alguns vivemos caladinhos como esses apolíticos-cidadãos que nunca dizem nada.

Quem queira ouvir que ouça, quem queira comprar o relato do PP, corrupto e condenado por corrupção, que mantém o poder na maioria dos governos autonómicos e utilizao para confrontar co governo de coalição, amém. Quem seja de extrema direita e amigo de Vox e o Chega, não tenho nada a dizer, só se for possível respeito democrático, mas isso é a antítese de Vox. Seja como for, a lição que oxalá aprendêssemos seria o respeito as regras democráticas e respeitar a constituição. Fora disse campo agora não há onde ir, só o Averno.


venres, 24 de abril de 2026

Manhã é 25 de Abril. Tão felizes como nos éramos. A realidade que foi. Oxalá nunca mais voltar.

     Tão felizes como nos éramos. 
Encontrei-me por acaso com este artigo,  de Clara Ferreira Alves, apanhado não sei onde. Creio que merece ficar no presente-passado-futuro do que foi Portugal e do que éramos os seus vizinhos. Sirva também para recordar o 25 de Abril

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

 

domingo, 12 de abril de 2026

O pessimismo português é uma fatalidade?

 

 

 

O pessimismo português é uma fatalidade? Eça de Queiroz sob o olhar atento de Clara Ferreira Alves

  A História repete-se

https://podcasts.apple.com/es/podcast/o-pessimismo-portugu%C3%AAs-%C3%A9-uma-fatalidade-e%C3%A7a-de/id1662568994?i=1000624607113

venres, 10 de abril de 2026

Primário para primários. (reciclaje blogueiro)

 Dando um passeio   polas congostras deste bloq  saiu o meu encontro este post do ano 2015. Tem 11 anos. Achei que podia ter o seu aquel, e merecia ser recordado. 

 

Lo + importante que se puede hacer por vosotros es lo que vosotros podáis hacer por vosotros".(M. RAJOY)

Vivemos num buraco quente, cortado por um rio largo. Temos boa gente, paisagem alegre, um clima amigo, morno e suave quase todo o ano, ainda que há quem nos diga que pertencemos as terras  frias de mais lá do muro. Não  há queija no clima ,  embora sim que noutras coisas o buraco não é um lugar maravilhoso. Neste  buraco tudo parece quieto, cansativo,  o movimento de tudo o que anda no buraco é lento, anda quieto, os jovens rareiam, os velhos abundam, no buraco vive uma cidade velha. No buraco temos um pequeno sátrapa que herdou a satrapia do seu pai, qual monarquia assíria. Cá estamos, vivemos e  e assim  vamos. 


    Mas toda esta introdução vem a conto de que neste ambiente morno, misturado de boas maneiras e jeitinho, temos no buraco um jornal. Titula-se LA REGIONum título muito ajeitado os tempos de hoje para liderar a opinião no buraco. O jornal está e vive dos dinheiros que recebe de uma serie de poderosos e sátrapas governantes que o mantêm para que serve de altifalante do que eles querem que se diga e ainda mais importante do que não querem que se diga. 



    Este panfleto, alinhado por retrógrados e alminhas obedientes ámen de não ser honesto na sua informação é patético na forma de presentar a mesma e maneira tão inducida  e parcial. E  este é o faro que nos guía. 


      Tudo isto surge como rodapé  ou comentario o   titular que fica mostrado na introdução a este e post. Este jornalzinho que está feito para ganhar dinheiros de subvenções e para embrulhar chouriços no seu  afã de agradar o poder diz coisas tão patéticas  que só pode ser superada pelo  único e irrepetivel criador de frasecinhas vazias, sonsas, patéticas que acabam  a produzir brincadeira no leitor ou no ouvinte. Estou-me a referir o  Mariano Rajoy.


 

Pensamento e democracia. Habermas.

 Por medio do aspirina b, cheguei a este artigo do jornal " O Diário de Noticias", firmado por Guilherme d’Oliveira Martins,

       Num homenaje a Habermas (1929-2026)  aquí  uns traços preenchidos de concreção e sabiduria que nos ilumina respeito sobre a democracia o Estado de Direito, como guías para a praxe política no mundo atual.  

 Pensamento e democracia. 

Não me resisto deijar ou resaltar uns bocadinhos entre tanta sabiduria: 


Daí a necessidade de domesticar o capitalismo com a democracia, garantida através de um Estado de Direito com “rosto social”, superando o “pessimismo antropológico” que caracterizara os primórdios da Escola de Frankfurt.
Os conceitos de conhecimento, liberdade e progresso constituem valores de uma razão ilustrada, no contexto da “modernidade”, como “projeto inacabado”, por contraponto à pós-modernidade…
“Se me resta um traço de utopia, ele reside na conceção de que a democracia (e o debate público nas suas melhores formas) tem a capacidade de quebrar o nó górdio de problemas quase praticamente insolúveis.”