1957
O Manuscrito do capitám: Filho dum guerrilheiro.
..../ Os poucos días de obter o grado de Tenente da Garda civil no mês de Julho de 1957 estava de férias na casa familiar em Celanova. Naquele verão na comarca foi conhecido o meu sucesso e estendeu-se nos faladoiros o meu nome. Soubesse quem era eu, de que lugar exacto vinha a ser, de que familias era, e esas cousas, ou seja dito coa modestia do caso, fixen-me famoso. Também, ajudou, o publicar o jornal “la Región” de Ourense a notícia, ao tempo que engadia folgar-se e congratular-se por terem como vecinho da provincia de Ourense um oficial tão jovem com um futuro prometedor. Impulsado, achava eu, pela fama que eu tinha nesse momento, recivi uma carta de felicitação duma persoa que dizia chamar-se Miguel Morgado Avedillo, residente na localidade de Entrimo. O senhor queria felicitar-me polo resultado feliz alcançado, e dizia folgar-se moito por mim e a minha familia. Feitas as presentações, engadiu desejar moito ter um encontro comigo. Tinha certa documentação e informação que gostaría partilhar-me. Justificava como motivo del tal encontro uma promessa feita a uma persoa cercana a mim. No obstante sería precisso guardarmos um sigilio total do encontro, todo devia ficar entre nós. Só ele e eu estaríamos na reunião, e entre ele y eu ficaria o segredo. Voltou-me a engadir que tinha o sagrado deber de cumprir o encargo feito por um amigo seu, moi querido, que antes de morrer deixara-lhe a encomenda de encontrar-me. Agregava, como petição final, que se não me importava a ele gustaría-lhe fazer o encontro na aldeia de Meaus, no Couto Mixto, no Val de Salas, pertecente o concelho de Baltar ainda que moi próximo a Calvos de Randím. O motivo do lugar elegido era simplesmente por ter neste lugar, ele, uma casa propria na qual estava asegurada a nossa reserva e discrecião; além disso, polo dito motivo de manter o maior sigilo, sugeria ser o melhor dia para o encontro o 25 de Julho, pois era feriado nacional e o mesmo tempo haveria festas patronais na aldeia próxima de Santiago, incluso no propio Calvos, por tanto estava asegurado o rebumbio, a algazarra e o movimiento de gentes dum lado para o outro polos lugares da zona, e sería um ambente adequado para evitarmos suspeitas e inquisições dos vecinhos, dos curiosos e os indiscretos. Sugeria-me, pois, se for posível deslocar-me de automóvel até Calvos dende Celanova e despois alí dirigir-me o paço dos Tejada e perguntar por “O Lameiro” e dizer-lhe que vai de parte do senhor Miguel Morgado e ele lhe proporcionara uma cabalo e o acompanha-lo-á até a casa de Meaus. Como é evidente fiquei moi intrigado pola carta recevida. Presentava-se uma aventurinha moi atractiva para um jovem tenente que já se sentía inquieto, excitado e com moita imaginação. Quem seria capaz de ficar quieto e sem fazer nada?. A quem não lhe entra o desassossego, a curiosidade, por desvendar o mistério, ainda se intuir posíveis riscos ou enganos?. E se realmente todo fosse uma armadilha para façer-me mal? Pero quem seria capaz de tal, se não tenho inimigos e som um tenente da Garda Civil, seria posível que alguém fosse capaz de tamanha burrice?.
A carta ficou no meu íntimo segredo e os meus miolos rilhavam nos pros e contras daquilo. O misterio estava no ar e eu tinha de desfazer aquel novelo. Arriscar para saber ou ficar quieto e pasado o tempo lamentar-se?. Eis a questão. Seja qual for a decissão antes precissava falar com algúem daquilo. Mas só havia uma persoa coa que poder falar do tema.E era o meu pai, um Garda civil já na situação de reserva e ocupado em pequenas labouras de horta.
Ensinei-lhe a carta. Leu-na com moita atenção. Pujo cara de preocupação. Sentou-se, pensou e com voz calma dixo-me:
—Vai ser uma cousa moi persoal. Eu não faço nem ideia de quem pode ser ese homem, paresce serio e preparado polo tom da carta. Se queremos, poderiamos informar-nos fácilmente de quem é, eu posso investigar algo no posto de Celanova, conheço varios gardas que estiverom destinhados em Entrimo. No obstante, sabes que che digo, canto mais segredo seja todo, moito melhor para ti.A minha intuição diz-me não pressentir nenhuma má treta ou perigo para ti.Intuio que não. Acho, será uma cousa que ele che queira dizer só a ti. Vai lá, es um homem jovem, nada se che pôe hoje por diante. No obstante uma cousa importante che recomendo: Mantém o segredo do que che diga, e fala comigo quando voltares; não contes nada a ninguém, nem sequer a tua mãe. Recorda, só a mim.
E já quase parecia ter rematado o seu conselho e agregou
—Outra cousa mais che recomendo: Pensa que tens uma carreira militar por diante e não tem porque haver nada que cha tronce ou te faça dano. Tens uma imagen que dar e parecer, formas parte dum estamento, como bem melhor ca mim sabes, que tem moito controlo do que fazem e pensam as persoas do Corpo. Quer se queira quer não aquí todo se sabe. Entras num terreo moi escorregadiço, estás empeçando a tua carreira pero entras como um cordeiro num territorio de lobos. Chegaras a ter moitos amigos, asegúrate sejam bons mas vela-te moito dos indiferentes e equidistantes, pois dos enemigos declarados é mais fácil esconder-se, porque já os conhecemos. Recorda isto./.....