mércores, 10 de xuño de 2026

Lendas da minha aldeia. É feira no 8 julho de 1966.

 

A feira esta cheia de gente. Saim da Igreja e coma um saltão  e vou daquí para acola, olhos para isto, olhos para aquilo. A estrada dende Carreiracova a Penela é um paraíso de vida e gente. O sol esta já a aquecer duro e toda a  gente parece desfrutar coma ninguém. No café do Ramóm estão os da forestal pagando o mes de Junho para os que andarom a fazer  trabalhos na serra. Homes e mulheres de Tixos, Boulhosa, Montecelo, Baltar e outros lugares da contorna saem todos  contentes e alegres co sobre do dinheiro ganho e bem amargado. Só há  caras de felicidade e falas altas, berros e saudações. Nas feiras, sobre todo agora no verão este mundo nosso transforma-se. Aqui os fruteiros, ali os zapateiros dos curtidos de Allariz coas botas de becerro a venda, também dous xastres de Allariz estão a tomar as medidas duns pantalóns de mahón ou duns traxes de tergal que ham trazer feitos para a próxima feira de agosto.Ali estão, como sempre, dous postos de quincalheiros, Eles trazem de tudo o imaginável, sem eles pareceria não houver feira de verdade: espelhinhos, peines, navalhas,cremas, jabonetes, um colador, uma navalha de afeitar,  até camisinhas ou condóns,  que anunciam secretamente  só a algúns. Da outra beira da rua: postos de  fruteiras, bacalhão, toucinho. Do val  chegarom os da berza branca, tomates e pimentos para prantar. Uma mulher vende tres pitas e uns polos de cria. Um casal tenhem expostos coelhos, pitas e ovos. Aquí há de tudo, não falta de nada. Na rua a  cheiros de carne a grelha, polvo a feira. As  fondas estão prestas para atenderem tanto visitante: na da Xirela já se nota um balburdio, também na da Alexandrina e a da Capelhana parece já atulhada de fregueses. A comida é simples: Posta de carne,ou costeleta,  pão e vinho ou podes trazer ti umas rações de polvo e elas dam-che asento, pão e vinho.

Achego-me dum salto até a Penela onde  está a feira do gando. Becerros, vacas e bois estão presentes e expostos polo campo adiante disputando-se a atenção dos bulhangueiros tratantes que vão e venhem fazendo-se notar no seu falar para não parecer mansinhos na disputa da compra das reses. Os acordos fam-se deseguida, com poucas palavras, apretão de maus e o tratante coa sua tijeira deixa a res marcada coas suas iniciais, para mais tarde sacar do bolso um feixe de bilhetes  à vista e deijar todo rematado. Há gando de toda a contorna dende Sampaio até Gudím ou se calhar mais aló. Nesta feira ainda não há venda de bacoros ainda é cedo para começar a ceba. Iste comércio dos porcos fai-se num campo mais pequeno já mais abaixo, campo onde nós disputamos pequenos jogos de futebol por ser ajeitado nas dimensões para uns poucos e sobre todo porque é uma planura aconchegada por umas paredinhas que lhe dava o ar dum pequeno campinho de futebol.   

Imaxe 

“Os raposos” quedáramos nesta manhã pra reunir-nos no Outeirinho, nos arredores do lavadoiro novo, já fosse dentro, já fora na parte traseira.É um bom sitio se não ha ninguém dentro,pois  não chama atenção já que é frecuente ver por ali  rapazes. Eu trago  algo de fruta,  e doces que comprei  na feira co dinheiro ganho no enterro e pra convidar a todos. Chegamos e atopamos um grupo de  mocinhas  de fora, moi barulheiras,  moi alegres com berros e brincadeiras pícaras entre elas. Mesmo parece  que estão aquí escondidas para perfeccionar os seus enfeites e terminar de arranjar-se.Venhem coas ganas de divertir-se na feira.A feira também é para pasear, conhecer-se e mirar-se uns os outros. Pasa por ali naquele momento o Severino, da panadería dos capelhans,  um solteiro moi bom moço, rubio, alegre, falador, moi dado comnosco. Ele tem fama de tratar  moito as moças, dizem que é mulhereiro,  e  o vê-lo, nas nossas fantâsias,  tratamos de provocâ-lo para, vermos como ele se trataba com  elas. Iintercambiarom frases picantes e brincadeiras coas que todos rirom, mentres nós espreitar tudo com olhos abertos de curiosidade, sem entender moi bem os jogos que se traziam. 
     Pero nós o nosso. Imos  pra  detrás, pra fonte de toda a vida do Outeirinho que é grande é cuberta por uma bóveda de pedra que o moderno lavadoiro deixou  finca-da numa esquininha. Tem na entrada uns pequenos sentadoiros, ali acougamos. Aqui podemos ver sem ser vistos, um sitio perfeito para nós. Sentamos, todos com avidez informativa. Como andam as nosas pesquisas sobre a morte do chofer? Sabemos o que já está a fazer o Capitám? Será tudo uma treta para despistar-nos o conto de  que forom os assesinos dous contrabandistas portugueses? De todo isso imos falar, com moito segredo e sigilo,  entre nós. .....

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