A feira esta
cheia de gente. Saim da Igreja e coma um saltão e vou daquí para acola, olhos para isto, olhos
para aquilo. A estrada dende Carreiracova a Penela é um paraíso de vida e
gente. O sol esta já a aquecer duro e toda a gente parece desfrutar coma ninguém. No café
do Ramóm estão os da forestal pagando o mes de Junho para os que andarom a
fazer trabalhos na serra. Homes e
mulheres de Tixos, Boulhosa, Montecelo, Baltar e outros lugares da contorna saem todos contentes e alegres co sobre do
dinheiro ganho e bem amargado. Só há caras de felicidade e falas altas, berros e
saudações. Nas feiras, sobre todo agora no verão este mundo nosso
transforma-se. Aqui os fruteiros, ali os zapateiros dos curtidos de Allariz
coas botas de becerro a venda, também dous xastres de Allariz estão a tomar as
medidas duns pantalóns de mahón ou duns traxes de tergal que ham trazer feitos para a próxima
feira de agosto.Ali estão, como sempre, dous postos de quincalheiros, Eles trazem de tudo o imaginável, sem eles pareceria não houver feira de verdade: espelhinhos, peines, navalhas,cremas, jabonetes, um colador, uma navalha de afeitar, até
camisinhas ou condóns, que anunciam
secretamente só a algúns. Da outra beira da rua: postos de fruteiras, bacalhão, toucinho. Do val chegarom os da berza branca, tomates e pimentos para prantar. Uma mulher vende tres pitas e
uns polos de cria. Um casal tenhem expostos coelhos, pitas e ovos. Aquí há de
tudo, não falta de nada. Na rua a cheiros de carne a grelha, polvo a feira.
As fondas estão prestas para atenderem
tanto visitante: na da Xirela já se nota um balburdio, também na da Alexandrina
e a da Capelhana parece já atulhada de fregueses. A comida é simples: Posta de carne,ou costeleta, pão e
vinho ou podes trazer ti umas rações de polvo e elas dam-che asento, pão e
vinho.
Achego-me dum salto até a Penela onde está a feira do gando. Becerros, vacas e bois estão presentes e expostos polo campo adiante disputando-se a atenção dos bulhangueiros tratantes que vão e venhem fazendo-se notar no seu falar para não parecer mansinhos na disputa da compra das reses. Os acordos fam-se deseguida, com poucas palavras, apretão de maus e o tratante coa sua tijeira deixa a res marcada coas suas iniciais, para mais tarde sacar do bolso um feixe de bilhetes à vista e deijar todo rematado. Há gando de toda a contorna dende Sampaio até Gudím ou se calhar mais aló. Nesta feira ainda não há venda de bacoros ainda é cedo para começar a ceba. Iste comércio dos porcos fai-se num campo mais pequeno já mais abaixo, campo onde nós disputamos pequenos jogos de futebol por ser ajeitado nas dimensões para uns poucos e sobre todo porque é uma planura aconchegada por umas paredinhas que lhe dava o ar dum pequeno campinho de futebol.
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