venres, 17 de xullo de 2026

Lendas da minha aldeia.

 

O Nestor desfrutava e sentía-se moi importante explicando-nos cousas e contava-as tal como  ele lhas ouvira   os maiores, pero de tal maneira  que parecesse  como se ele fosse testemunha real  também delas. Ele, por idade, não viu a ninguém ir trabalhar na mina pero fala-nos como se realmente houvesse sido um trabalhador mais. Isso fai-no sentir-se   mais relevante ante nós. E pra mim é uma delicia a sua forma de narrar, só há que provocâ-lo com perguntas. É moi raro que não tenha resposta a todas, já sejam certas ou inventadas, ele sofre  se tem que dizer que disse tema não sabe nada. Ele é um sabio bonachão.  

—Então. Não querere-des ir vos a mina oh?. Já vos estou a ver a ti e os teus amigos, os que vos chamades os "raposos", colhendo o caminho. A que sim?—E coa mesma botou uma risada pícara, como se nos houvesse descoberto. —  Haver oh. Reparai numa cousinha: ainda sodes moi pequenos, e sem experiência,  pra andar sós polo monte. Pensades que todo é brincadeira, meninos.  Olhai uma cousa: ali há ainda túneles fundos, pozancas grandes e falsas, galerías fondas. Há uma grande excavação funda que agora chaman-lhe o foxo do lobo que é moi  perigosa. Só vos digo que a gente tem moito respeito a mover-se por ali. A mim o meu pai e o meu avô tenhem-me avisado que não se me ocorra ir por  ali. —

Home o  pai e o avô, os airavelhas, tenhem fama de andarem moito no contrabando e normal que lhe tenham dito a ele que diga que ali não se pode ir, quando ele mesmo nos confessara que era um lugar de contrabandistas e foi quem nos dixera que por ali tinham visto o  Carlos, o chofer da línea assassinado. Este Nestor  gosta de ser linguareiro e charlatão e acha-nos algo parvos ainda.Que errado anda. Seja como for para nós ele é uma lumieira de  informação. A ele a ideia de irmos a mina atraía-lhe, e por isso continou a dizer-nos:

— Home se queredes ir um dia eu posso acompanhar-vos. Falo cos vossos pais e se lhes parece bem imos juntos.

!Minha madrinha!, isso seria terrível para os “raposos”, ter que aturâ-lo co maçado que é. Não, Deus o faga melhor, deixa lá, meu rei. Então, tímidamente fum-lhe dizendo:

—Não home, que va oh, era só por saber. Tens tu razão,  deve ser perigoso irmos sós.—Só pensar na sua companhia pra nossa missão , já arrepio me dava, menuda trapalhada ia ser todo. Tão listo como ele é, não pararía de falar.  Já o imagino ele de pedáneo e nós os seus escravinhos.

—Home, Manel,—ainda tentando-me convencer, insistiu: —Pensai também  que ahí, esto digovô-lo em segredo, foi e é um lugar para acochar o contrabando. E então não sabes o que vas encontrar. Até podes encontrar algum contrabandista, um bandido  ou eu que sei.E se encontrades algo tende moito tino de não dizer nada a ninguém, pois podedes estar a declarar um contrabando e o dono do mesmo vai contra vós ou os vosos país. Não sabedes moi bem onde vos metedes.

—Olha Nestor— falou o Antolas— se todo o mundo sabe que há contrabando porque não vam os  guardias-civis e  apanham o contrabando e os contrabandistas?.

—Mira neninho,não me fodas.Não me venhas com caralhadas.  Todo não cho podo explicar e tampouco o vas entender, sabes. Faime caso. Bom, vou-che dizer algo:  O contrabando não está sempre e ali quietinho, sabes, move-se. Uns agocham ali uns sacos de café, de azeite, o do que seja e outro vai vir recolhê-lo para levâlo para outro lugar. Ti podes ir e por acaso podes encontrar algo ou não, o normal é que não. Os guardias-civis vão moitas vezes, cando podem, pensa que tenhem moita fronteira que vigiar e andam a pé e som facéis de controlar. Ademais, alguns também podem ser cómplices em algúm cargamento e fazem o parvo e a sabendas vam pra outro lugar e vam acolá e não vam por  ali. Pero a mina é um sitio de tantos com contrabando, o que passa e que está moi bem situada, não é um sitio de paso de gente,  está moi cerca de Baltar e da estrada principal,  tem moitos ocos e poços  para ocultarem mercadorias e material  e dende ali numa noite é fácil deslocar o material até Ginzo, Verim ou Celnaova, ou quem sabe que sitios mais. Haja o que houver, também che digo, que não vai estar a vista. Tem por seguro, que se houver algúm ha de estar bem guardado e assim dando uma vista de olhos não vas encontrar nada. 

Então vendo a sua preocupação e interesse em nós, e pra que ficara tranquilo engadim-lhe:  

—Nós não imos ir, pero no casso de irmos não é para buscar contrabando, Nestor. Será pola aventura e  curiosidade de ver como é ou foi uma mina. Por nós que haja o que houver que mais nos da. 

Ningún comentario:

Publicar un comentario

Comentarios: