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xoves, 21 de maio de 2026

E se a nossa língua estivesse a morrer?

 

Marco Neves | Certas Palavras

Aqui o caminho para o post:    Lingua galega. 

Peço ao leitor que imagine uma verdadeira catástrofe linguística em Portugal: o português é ainda a língua mais falada no país, mas há outro idioma a invadir as conversas. As gerações mais velhas falam, maioritariamente, português, mas os mais novos cada vez menos. Nas cidades, o outro idioma está espalhado por todo o lado e poucos conversam em português. Em muitas vilas, ouvimos português na boca dos adultos, mas as crianças já brincam na outra língua. Todos aprendem português na escola, mas usam-no cada vez menos. Pondo números à catástrofe: cerca de 70% dos falantes com mais de 70 anos falam português; mas entre as crianças até dez anos, apenas 20% usam a nossa língua. O que diríamos? Diríamos que a língua estava a caminhar para o desaparecimento. Quem se importasse com ela ficaria seriamente preocupado — não que a vida noutra língua não seja possível, claro está. Mas a nossa língua, a língua dos nossos avós, da nossa literatura estaria a desaparecer. Seria, de forma contida, algo triste. Seria uma perda cultural irreparável. Uma catástrofe cultural.

Ora, é isso mesmo que está a acontecer na Galiza: os números que acima referi são reais, mas referem-se ao uso do galego no próprio território onde é a língua própria — e oficial, em conjunto com o castelhano. Todos os galegos aprendem galego na escola. Mas, em casa, é muito habitual termos avós que conversam entre si em galego e netos que conversam entre si em castelhano. Todos sabem as duas línguas, mas o uso é muito diferente de geração para geração. Quem se preocupa com a língua galega, na Galiza, está inquieto. Mais do que inquieto!

O galego tem outro problema. Durante séculos, não foi oficial: só nos anos 80 do século XX se tornou língua oficial, apesar de sempre ter sido a língua da larguíssima maioria da população até então. Ora, na época em que passou a ser a língua da administração galega, havia duas correntes: alguns especialistas defendiam que o galego era uma língua separada de todas as outras e que deveria usar uma ortografia e uma norma que, nas suas escolhas, a aproximavam de certas opções do castelhano. Por exemplo, o uso do «ñ» e do «ll». Uma outra corrente defendia que o galego devia aproximar-se mais do português — afinal tanto o galego como o português descendem duma mesma língua medieval. Esta última corrente, chamada reintegracionismo, defende, no fundo, que o galego e o português são variantes da mesma língua. Um dos grandes defensores do reintegracionismo, nessa época, era o filólogo e escritor Ricardo Carvalho Calero. Carvalho: era mesmo assim que ele escrevia o seu nome nos últimos anos, com uma ortografia muito próxima da portuguesa. Neste vídeo, vemo-lo a defender o galego com um sotaque muito diferente do nosso, mas com palavras e frases que mostram bem como o galego está próximo do português (atente bem nas palavras, não nos sons):

Nos anos 80, acabou por vingar a perspectiva que defendia o galego como uma língua separada do português — embora mesmo nesta corrente o português sempre tenha sido visto, em teoria, como boa fonte de vocabulário. O reintegracionismo, no entanto, não morreu, mantendo-se como corrente minoritária. É possível encontrar livros publicados tanto na ortografia oficial (uma larga maioria) como na ortografia reintegracionista. A relação entre os dois campos foi tensa durante muito tempo. Uns e outros defendem o galego e o seu uso, mas têm ideias diferentes sobre como proteger a língua.

Ora, apesar da diminuição do uso, o galego enquanto língua de cultura e literatura é reconhecido todos os anos no importantíssimo Dia das Letras Galegas — que é sempre no dia 17 de Maio. Todos os anos é escolhido um escritor ou figura galega que sirva de tema para as comemorações oficiais. Durante o ano, a Televisão da Galiza, o Governo Galego e as várias instituições da região organizam exposições, documentários, programas e tudo o que for possível para divulgar a figura escolhida. Previsivelmente, as figuras escolhidas não costumam estar enquadradas no campo reintegracionista.

Até há quatro anos. A Real Academia Galega, instituição que regula a norma oficial da língua — norma que não é reintegracionista — escolheu precisamente Ricardo Carvalho Calero como figura de 2020. Aquele pareceu ser um passo, entre outros, de aproximação dos dois campos. Todos reconhecem que o galego precisa de protecção especial. Ora, saber que, em galego, é possível comunicar com os muitos milhões de falantes de português ajuda a dar prestígio social à língua.

Em Portugal, pouco ou nada ouvimos falar destas questões galegas. E, no entanto, o galego — em qualquer uma das suas variantes — está muito, muito próximo do português (em especial do português popular do Norte). Ou bem que é a mesma língua ou a língua mais próxima da nossa.

A nossa língua ou a nossa língua-irmã está a desaparecer aqui bem perto, a norte da fronteira. O galego de hoje em dia descende da língua que falavam os primeiros portugueses — e os galegos de então, claro. Faz parte da nossa história. Encontramos por lá palavras tão portuguesas e tão esquecidas como «asinha» (que os galegos escrevem, muitas vezes, «axiña»). Os galegos usam os nossos artigos, muitos dos nossos verbos, têm uma sintaxe arrepiantemente próxima da nossa. Até têm, vejam bem, a «saudade», assim mesmo, escrita desta maneira (também têm a «morriña», porque nisto das palavras há sempre lugar para mais uma).

O que podemos fazer? Nada de especial: afinal, o galego só pode ser salvo pelos galegos. Mas podemos ouvi-los com mais atenção, usar a nossa língua quando conversamos com galegos, começar a conhecer um pouco melhor os nossos vizinhos do Norte, vizinhos que — quando não estão a falar castelhano — falam qualquer coisa que se não é a nossa língua é o diabo por ela.

(Artigo publicado previamente em 2020. Fiz pequenas revisões.)

 

martes, 28 de abril de 2026

Sachando nos eidos alheios.

 No aspirina b, o reis, andou sachando nos eidos alheios. 

Orgulho ibérico

Pedro Sánchez vai propor fim do acordo UE-Israel por “violações de direitos humanos” 

Muito orgulho. Muito que comentar a tanta trapalhada indocumentada e fanática, fica adiado. Não imaginava eu que a propaganda, a desumanização e a crispação criada na Espanha e o conceito criado de “sanchismo” ia ser comprado também pela esterqueira portuguesa. A direita desde o primeiro dia deste governo chamou-lhe de : ilegítimo, ditadura, corrupção…. Sánchez foi posto como o culpável de todos os maus inventados. E que roubou o poder. Nada, tudo falso, que mais da, o poder e nosso e agora tínhamos que governar nós, a direita, o poder económico acochado trás do palerma dum galego desleixado líder do partido da oposição. Onde a corrupção?: sim descobriu-se um caso grave que foi controlado e expulsos do partido automaticamente os dois malandros correspondentes. A mulher investigada dois anos, não há nada, só tonteiras de merda, mas a a tensão mediática mantêm aceso o lume duma certa corrupção.

Lawfare: Sobre um autêntico golpe de estado por forças da judicatura, além das absurdas causas abertas a mulher e o irmão. Condenou-se o Fiscal Geral do Estado, contra todos os princípios da presunção de inocência etc. A oposição e agentes da extrema direita apresentam continuamente causas absurdas e juízes que abrem diligências absurdas. No caso de deixar o poder e governar a direita vai o cárcere, seguro. O motivo já aparecerá, não preocupar-se, há cutelos afiados preparados para a matança do porco.
Economia: Vai melhor que nunca. Também se não fosse assim este governo não aguentava. O Ministro de Economia só foi perguntado duas vezes em quatro anos no parlamento. Isso diz moitas coisas juntas. “É a economia estúpido”, resumindo.
Catalunha: Ganhou as eleições na Catalunha, pacificou o ambiente independentista e os grupos catalães apoiam o Governo. Deu uma lei de amnistia, os condenados no procés, necessária para a vida política. Sofreu uma campanha feroz na rua e nos médios e mais gente em contra da lei da Amnistia ( por certo numa de essas manifestações em Madrid falou o senhor Rangel no que fez um papel patético).

Vá lá, pois: aqui o melhor presidente da história democrática de Espanha. Digam lá o que queiram, será exagero, mas o tempo porá a cada um no seu lugar, que caralho. Sofreu e sofre uma campanha animal “ad hominem”. Já vejo que também aqui alguns compraram o relato da desumanização da pessoa, e que nele estão preenchidos todas as maldades do mundo. Incluso há quem diz que Espanha é uma ditadura, e da prá risso. Eu compreendo a gente, porque as campanhas de mentiras e patranhas diárias duma oposição política lamentável dirigida por dois patifeiros ( perdão pelo localismo), patifes, biltres e canalhas, quem só têm o objectivo de desprestigiar as pessoas com boatos de manhã, de tarde e de noite. Todo é boato na informação espanhola excepto a rtve e a cadeia SER. Tudo esterqueira, merdalhada baseada na pilhéria que nos farta alguma gente. O pais esta estável, a uma direção e mando, tem boa equipa e apoio do partido. Gestionou como ninguêm as calamidaes, moitas, que teve no seu mandato: Covid, Dana Valencia, incêndios, Volcão de Canarias, accidente de combio, crise da guerra de Ucrânia etc. Que mais se quer.

É Valente, inteligente, fala inglês ( para vocês em Portugal não tem importância, mas isso num político espanhol é tão raro como encontrar o monstro de duas cabeças). Tem presença internacional. Representa como ninguém a um país como Espanha. Conseguiu formar um governo com gentes mói variadas a sua esquerda e cos nacionalistas vascões e catalães. Que é senão a política? Em que consiste governar?. E agora cos ventos demoníacos vêem do Averno, quem é o primeiro que pus pé em parede, quem deu fôlegos a muitos para dizer, não sejamos cômplices desta armadilha na que está o mundo. Guerra com legalidade internacional, não os crimes de Gaza.
Olho. Fica aqui dito. Vai ganhar as próximas eleições de 2027, ou estar em condições de artilhar uma maioria para governar: Pois tem as ferramentas económicas para por em caminho reformas profundas no tecido industrial, ainda seja sem pressupostos. Tem conteúdo internacional, ele é agora uma peça fundamental no tabuleiro internacional e não só para esquerda. Além de que para qualquer democrata que tenha fé nos direitos humanos, na paz e na legalidade internacional. Faz ainda pouco Scholz na Alemanha recebeu o aplauso de convocar eleições por não conseguir presentar pressupostos, foi honrado e suicida. Muita gente aplaudiu a sua valentía e coragem e responsabílidade. Em tempo normais também eu elogiaría. Mas no mundo de hoje diante da ola reaccional mundial e a gravidade que supôe Trump, o mais coerente e respon´savel e resistir dentro do marco democrático. Não rendir-se. Hoje Em alemanhã haveeria uma coaligração de esquerdas e não um conservador ameaçado pola extrema direita, Merz, que esta a poner em risco a toda Europa pela sua teima de agradar a Trump e não ajudar a liderar os países europeus ante a ameaça atual. Hoje Merz está a ser questionado no seu próprio país pelo seu apoio. Sánchez tem demostrado que é valioso resistir. Por qué importa que a Espanha não seja outro país europeu governado pela direita extrema e a extrema direita, mais lá de que tenha ou não tenha pressupostos.

Sei que digo isto em Espanha e além de pedradas receberei risos de moita gente. Por isso na rua e nas conversas, só nas amizades, podes dizer isto. Conseguiram um ambiente tão negativo “ad hominem”, querem fazer-nos ver que vivemos numa ditadura que a corrupção é insuportável etc. Que para não entrar em confrontação alguns vivemos caladinhos como esses apolíticos-cidadãos que nunca dizem nada.

Quem queira ouvir que ouça, quem queira comprar o relato do PP, corrupto e condenado por corrupção, que mantém o poder na maioria dos governos autonómicos e utilizao para confrontar co governo de coalição, amém. Quem seja de extrema direita e amigo de Vox e o Chega, não tenho nada a dizer, só se for possível respeito democrático, mas isso é a antítese de Vox. Seja como for, a lição que oxalá aprendêssemos seria o respeito as regras democráticas e respeitar a constituição. Fora disse campo agora não há onde ir, só o Averno.


martes, 7 de abril de 2026

Faladoiro (lugar no que se murmura) Hackear a Coroa .. Manuel Gago em Galiciae.

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Fonte: https://www.galiciae.com/blog/manuel-gago/hackear-a-coroa/20260113184026105712.html 

 

253. No filme La tierra prometida (Nicolaj Arcel, 2023, Filmin) Ludvig Kahlen, un capitán retirado do exército dinamarqués (Mads Nikkelsen), accede ao chamado do rei para colonizar agrariamente o infértil páramo de Xutlandia. Estamos no século XVIII e os ilustrados danlle moitas voltas á terra e en como multiplicar o seu rendemento. Kahlen garda unha carta segreda que non quere desvelar e confía en que o rei lle conceda en contrapartida un título nobiliario. O filme representa moi ben esa esperanza case indestructible que tiña a xente do pasado na figura do rei, e que hoxe nos resulta tan difícil de comprender. Como vai ser o rei un valedor da xente do común fronte os poderosos, pensaremos, se el mesmo é a fonte da que dimana —cos seus nomeamentos de duques, condes e marqueses— toda a estrutura que oprime aos humildes? Iso é o que pensamos hoxe, se cadra porque aínda contamos coa división de poderes de Montesquieu. Nas súas esforzadas xornadas de Xutlandia, a pesar de todas as zoupadas que lle infrinxe o cacique local, el segue a crer no amparo do rei. É unha crenza abstracta, case como unha fe. É o rei pero é algo máis que o rei. A fonte que xustifica revoltas territoriais, o nome que se invoca nos patíbulos, a excusa mentireira dos procesos de independencia, a última esperanza.

254. En Galicia este fenómeno foi polo libro. O rei invocouse nas Guerras Irmandiñas, e non se tirou nin unha soa fortaleza sen o seu permiso, e foi esa salvagarda a que evitou que a nobreza acometera unha salvaxe campaña de represión cando volveu. Cando a influencia castelá se fixo escandalosa a principios do século XVI e os funcionarios foráneos fixéronse con todos os postos de poder do reino, os reis desenvolveron en paralelo a Real Audiencia do Reino de Galicia, o instrumento de xustiza que primeiro estivo localizado en Santiago e despois na Coruña. A institución exerceu de contrapeso independente fronte aos abusos da aristocracia galega. Os labregos valorárona moitísimo e chamabanlle a "fonte de auga limpa". Como sería a cousa para que uns paisanos falaran ben dunha institución e mesmo xente con poucos recursos se atrevera a pleitear contra un mosteiro ou un conde na confianza de que había posibilidade de vitoria. Ás veces nos pleitos as testemuñas aludían os reis do pasado, pero non se acordaban do seu nome cando lles preguntaban: eran como entes abstractos. A partir do século XVI, os reis pouco máis fixeron polo reino occidental, e iso tamén se aprecia na pedra. O derradeiro rei representado con certa frecuencia na arte galega —tampouco moito, non se entusiasme ninguén— foi Filipe II. Os concellos galegos encargaban os prescritivos retratos do Austria ou do Borbón do momento para os salóns, pero ninguén tivo moito interese en conservalos. Cando entendemos a escasa aversión actual dos galegos polo rei —inseparable da nosa evidente indiferencia, da que somos conscientes cando observamos como se adora á monarquía noutras latitudes ibéricas—, conectámonos cunha historia de moitos séculos nos que os reis non adoitaron ser vistos coma inimigos. Eu penso que os galegos comezaron a esquecerse do nome dos reis cando estes deixaron de se chamar Afonso. Un día cóntolles por que. 

255. Os reis sempre o souberon ou intuíron. O vicepresidente da Xunta Carlos Mella criticou en público en 1983, de acordo con Xerardo Fernández Albor, que Xoán Carlos I delegara a ofrenda do Apóstolo no delegado do Goberno, Domingo García Sabell, no canto do presidente da Xunta. A polémica provocou que o rei acurtara unha viaxe a Venezuela para vir el en persoa a presentarlle os respectos ao Apóstolo. Esa disputa interna de patacón nunha autonomía que fora votada en precario e bombardeada por uns e por outros, chegara a preocupar ao monarca. Sempre me preguntei por que. É certo que a confusión da Transición, con todas as cartas abertas, beneficiou á nosa feble autonomía galega. Lembremos que algúns prestidixitadores conseguiran a xenialidade de enganar ás persoas axeitadas, facéndolles crer que a autonomía de Galicia estaba máis respaldada do que estaba. A rápida reacción do rei, acudindo presto a apagar o incendio, debeu responder ao medo a que se abrira unha fronte nova nun sitio perigoso. Estivo astuto, vaia.

256. Pensaba nisto ao ler Reconciliación (Planeta, 2025), o innecesario libro de Xoán Carlos I. Xa saben que eu teño afección ás, polo xeral mediocres, biografías dos políticos, porque en todas se escapan tres ou catro detalles valiosos. Lembro un verán no que lin á par sobre a toalla as memorias dos chantadinos Víctor M. Vázquez Portomeñe, antigo conselleiro de Cultura e outros, e as do xornalista Afonso Eiré. Tíñaas as dúas sobre a toalla e alternaba capítulos. Poucas veces teño gozado tanto de confrontar por escrito dúas visións do país que, postas en paralelo, permiten entender éxitos e fracasos. En Reconciliación, o rei colócanos aos galegos no noso sitio. Así narra o retorno dos Emiratos Árabes en 2022: "partín cheo de esperanza cara a Vigo. De alí partira e alí volvía. Era coma se o meu verdadeiro fogar fose un pequeno porto de Galicia e non un pazo de Madrid, como se a miña relación con España tivera máis que ver coas súas periferias e a autenticidade das súas paisaxes e as súas xentes que coa súa capital e as súas enredadas políticas". Estou convencido de que nesta visión indixenista Xoán Carlos de Borbón puxo todo o amor do seu corazón. A ver quen lle corta o rollo explicando que aquí tamén hai unha capital, enredos políticos e os que os propios galegos tamén establecen escalas de paisaxes auténticas e menos auténticas dentro do noso país. E iso que podía ter entrado no affaire Mella e darnos o seu punto de vista.

257. Na aldea de Sarandós (Abegondo) consérvase unha casa na que a tradición sinala que durmiu Filipe II no seu camiño cara á Coruña, onde ía embarcar para casar en Inglaterra con María Tudor en 1554. A casa conta cun valioso escudo real no que unha inscrición lembra o real descanso. Pero o máis notable do escudo é que está hackeado. Un caliz destaca a maior tamaño que os leóns e torres do escudo de Castela e León. Eis o escudo da coroa de Galicia, Castela e León, e expertos como Eduardo Pardo de Guevara consideran que é o primeiro no que os galegos introducen o seu propio símbolo na coroa real. Foi labrado posiblemente a principios do século XVII, nun momento no que Galicia estaba reinventándose: a Xunta do Reino encargaba crónicas da súa historia, a aristocracia financiaba mapas do reino impresos en Amberes, os eruditos indagaban en arquivos e na súa imaxinación para elaborar un pasado, A Coruña e Santiago loitaban por seren cabezas (capitais) do reino. Como digo, a partir de aí, en lugares moi significados, os galegos fixeron a súa propia versión do escudo real. Ese cáliz raramente se incluiu fóra de Galicia ou nas obras promovidas pola propia Coroa. Estou pensando, por exemplo, no escudo do Pazo Real de Madrid, onde aparecen as flores de Lis da casa borbónica no mesmo lugar no que os galegos colocamos o noso Grial, ou no propio escudo oficial do reino de España que levamos no pasaporte. Só hai un caso distinto: o cáliz galego coas cruces no centro do escudo español no Pazo das Comunicacións de Madrid, deseñado polo noso Antonio Palacios. Seica foi Valentín Paz Andrade quen visitando o obradoiro do arquitecto, viu o rascuño do escudo real, e lle dixo: "Prántalle aí no medio o de Galicia". Ese prantar en sentido figurado, pero quen sabe se tamén nun sentido case real.

256. Os sucesivos El-rei deberon dar un consentemento tácito a estes escudos galeguizados do Antigo Réxime que atopamos na Coruña, en Santiago —no Panteón Real ou na Universidade— ou mesmo no santuario da Escravitude (Padrón). "Total, estes pasan o día inventando pero non pasan de aí", seguro que dixo algún ministro no seu despacho diario ao sacar de pasada o tema. Quizas non se decataban de que no fondo, os galegos estaban propoñendo outra lectura, máis inclusiva, da historia de España. Os sucesivos El-rei, prudentes ou timoratos, calaron. É bo que os reis deixen que falen outros por eles, mesmo que imaxinen por eles. Dar explicacións é un asunto que require moita práctica.

 

 

venres, 3 de abril de 2026

LUA, LUA. Lingua, lingua.



MARCO NEVES. 

 

 Há 6500 anos, na língua que veio a dar origem ao português, LUA dizia-se de duas maneiras diferentes… A primeira, mais comum, era *mḗh₁n̥s, que derivava do verbo que significava «medir». A Lua servia para medir o tempo… Foi essa raiz que nos deu a palavra MÊS. Foi também a origem da palavra inglesa «moon». A segunda palavra, usada em discursos mais poéticos, era *lówksneh₂, derivada de *lewk-, que significava «brilhar». Foi dessa raiz que veio LUA, mas também LUZ. No caminho entre *lówksneh₂, do proto-indo-europeu, e LUA tivemos a palavra latina «luna», que deu origem a às várias palavras das línguas latinas: a «lună» romena, a «luna» italiana, a «lune» francesa, a «lluna» catalã, a «luna» castelhana e mais umas quantas... No caso do galego e do português, ficámos sem o N no meio da palavra. Os falantes que transformaram o latim na nossa língua deixaram cair muitos sons [n] e [l] entre vogais e, por isso, a palavra LUA tem uma cicatriz antiga, típica do galego e do português. (Conto o resto da história no livro AS RAÍZES DA LÍNGUA, que sai este mês.)

 

 

 

martes, 24 de marzo de 2026

Primeiro texto em galego?

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 e se queres poder ir ainda mais atrás no tempo com o pacto de irmãos entre gomes pais e ramiro pais que é de 1175 em arnoso, lá perto do minho.

 

 


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martes, 10 de marzo de 2026

Sachando nos eidos alheios

 Imagen Numa escapada polo https://aspirinab.com/, blog amigo, coa máscara de "reis", andei um pouco por alí.  O Valupi fixo uma pergunta e da resposta quis por amizade  tirar  um post. Agradeçido deixo aquí o recordo. 

 

Bons e xenerosos

«Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.»

Agradeço a pergunta. Cingindo-me só a Galiza : Gostaria muito que assim fosse. Pois uma direita organizada e moral para o conceito de nação política galega é imprescindível. Houve e há uma grande tradição de nomes que cumprem esse requisito, mas estão já na história. No caso de valorizar a uma pessoa política pela sua moral, acho que não sou sectário, pois ainda que pareça virar, e vire, para a esquerda, não tenho, ataduras nem reparos em admirar, seja quem for, o bom fazer e estou co olho posto nos personagens da direita ou do centro. No caso de desejar o melhor para Galiza no desenvolvimento de nação política e cultural qualquer que ararar com esses bois, é prá mim, um dos “bons e xenerosos”, conceito moi usado no nacionalismo e galeguismo histórico para definir as pessoas com “moral”.

Postos assim, ainda a risco de ser um pouco maçado no relato, citarei :
Afonso Daniel Rodriguez Castelao: pai do nacionalismo moderno. Médico, artista pintor, saltou a areia política como necessidade de mudar as condições de Galiza e os seus cidadãos. Na procura dum mundo próprio para os galegos, dentro de Espanha, era um homem de centro e mais tarde de centro esquerda que liderou o ressurgimento galego nos tempo da República e que ninguém discute hoje, desde a direita a extrema esquerda, a sua liderança, luta e moral pelos ideais de todos os galegos. Ministro da vencida República, era pragmático, possibilista e homem de paz. Morreu no exílio em Argentina depois duma vida cheia de moral, laica, social, respeito os direitos mais fundamentais das nações e das pessoas.

Ramón Otero Pedraio: católico, fidalgo, intelectual, professor. Companheiro de Castelao no partido galeguista da época republicana, respeitado como figura emblemática, honesta, com uma moral católica e profundo sonhador e activista duma Galiza dono de se mesma. Ninguém hoje duvidaria do seu magistério, liderança para o nosso país e respeitado por todas as camadas sociais.

Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível, e tal vez acho que apropriado, no entanto, seria mui injusto receber o apelativo de sectário. Este homem ( para dar contexto) foi ministro com Franco. Mente privilegiada, catedrático, homem de acção, visceral nas formas, era todo o contrario do estereotipo que os espanhóis têm de nós os galegos ( estereótipos nada positivos, mas essa é outra história). Foi o grande líder da direita espanhola depois da morte de Franco, ainda que o Rei não contou com ele para dirigir a transição, mais tarde fundaria o actual partido da direita o PP, actualmente na oposição. De família humilde, emigrante durante a sua infância na Cuba, foi um avançado e reformador na ditadura ( do pouco que se podia). Depois de dois intentos para atingir o poder para Presidente do Governo de Espanha, desistiu da liderança da direita espanhola e apresentou-se na Galiza para ser presidente da Xunta de Galiza. Foi Presidente quatro legislaturas. Tinha, política mente, essa dupla personalidade de ser para uns o grande líder espanhol e para outros, os galegos, um homem que representou a Galiza dentro de Espanha com personalidade e valentia que nos entendia, que sintonizava co país, que era um dos nossos. Tal vez fosse populismo e tactismo, no entanto o coração não engana. Nos seus governos havia nacionalistas ou galeguistas de direita e dentro deste jogo fez políticas avançadas e manifestou-se ele, de forma supressiva, como um líder da ideia da Galiza, da língua, do ser, e da gestão dos nossos recursos. Essa é a parte positiva além de que no plano moral, e de honestidade pessoal e política ninguém duvidava. Nunca tive, nos muitos anos de actividade política, suspeita de corrupção. Conseguiu boas relações com a esquerda nacionalista, coas elites económicas e culturais, e pode-se dizer que atingiu ser respeitado moralmente pela sociedade em geral. A sua figura era moi respeitada tanto na Galiza como em Espanha e isso dava sempre um plus de categoría a Galiza.

Depois a parte negativa, dizer que gostava do culto a sua personalidade o que fazia que misturada a sua grande vocação política e o seu narcisismo, fizera políticas populistas e mentíreis por vezes. Que não fiz reformas profundas e que o seu lado cresceu o clientelismo e o caciquismo secular. Que havia um partido nacionalista de direitas galego que ele conseguiu atrair para si e pouco a pouco ficarão mergulhados no seu grande partido. Foi isto uma grande mágoa para a política galega, pois um partido nacionalista como têm bascos e catalães e necessaario. Embora o seu poder atraente ganhou e os parvos perderam, eis a questão da vida. Depois, perdeu uma legislatura e deixou Galiza. Os seus voltaram a ganhar com Nuñez Feijoo a Xunta e até de agora. Neste caso calha a perfeição, o dito popular de quem melhor era o mão conhecido pelo bom por conhecer. Deixou um baleeiro grande na política galega e chegou a vacuidade, a indigência intelectual e a pilhéria de quem hoje pretende, desde a oposição ser presidente do governo de Espanha.

Todos mortinhos, mágoa. Hoje ando a buscar em Galiza, e não encontro. Depois de Fraga os medíocres e ordinários ocuparam e ocupam o poder “daquela maneira” que não seja prioridade nenhuma Galiza como ente política e a defensa da língua, a economía e a cultura galegas. São mandados, gestores de alguém, e obedintes as consignas do seu partido em Madrid. Priorizam políticas populistas para a sua clientela e o mantenham-se no poder controlando como seja os meios de comunicação, públicos e privados. Pouca moral. Eles não têm toda a culpa.
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Oferta do nosso amigo reis. Para entender o contexto, ler este seu primeiro comentário.

thoughts on “Bons e xenerosos”

  1. o primeiro que me veio á mente , quando lhe perguntaram sobre figuras “morais” galegas foi exactamente Castelao , depois um cura obrero velhinho , velhinho , anónimo, e a seguir Fraga. curioso.

  2. Quixen saber quen fora o vampiro no mundo dos homes e fun ler o seu nome de
    bronce no rico mármore da campa. O nome só abondoume: fora un canalla que
    roubaba para dar regalía ao seu bandullo de porco; dono da xustiza, roubaba
    dende a súa confortábel casa. Para que dicir máis? Era… era un cacique !

  3. Yo: todos estamos cheios de contradições, assim pula e avança o mundo. A tua curiosidade acho ter resposta já no escrito.
    Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível

  4. Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas vidas.
    Por desgraça não poso opinar do Agostinho da Silva, mas tanto de Torga como de Aquilino Ribeiro, também gosto da sua moral como módelo para qualquer grupo de cidadãos. São os dois moi grandes.

  • reis, nenhum desses três está vivo. Não sabemos o que diriam e fariam se estivessem. Logo, a questão remete para os vivos.

    Como é aí na Galiza, ou que seja a Espanha, identificas alguém como autoridade moral?

  • outro que sucumbe às modas ou ao l air du temps… esses senhores são como o tailleur chanel , intemporal. e fica bem a toda a gente.

  • mas não existe uma figura que tenha reconhecimento comunitário nessa dimensão por palavras e actos.
    Eis a questão para mim sim há algúm referente moral da vida pública, mas concordo moito co post e ressalto esa frase tua da falta de reconhecimento comunitario, pois a sociedade está tão quebrada ideológicamente que o meu candidato seria esterco para outra gente. Em Espanha hoje é imposível conseguir um consenso sob um personaje, incluido o rei, pola informação e pulheria da direita nacional de converter todo em terra queimada até conseguir o poder.
    No entanto a minha opinião na Galiza: José Manuel Beiras, Camilo Nogueira, Gonzalez Laxe, já retirados da vida pública, podiam concitar uma certa unanimidade de homes públicos, honestos e com moral. Na Espanha, eu eligiria, sem dúvida, o ex presidente Zapatero, que pode dar moi bons serviços a cidadania.
    Embora os meus candidatos seriam motivo de chacota ou de enfadamento por moita gente. Eles são todos de esquerda dialogante e os tempos não estão para reconhecementos de valoração cidadana.

  • este excerto é delicioso para ilustrar a tartufice do valupi , um ser amoral , tal e qual o seu ídolo e mentor nestas questões de moral:
    “. É precisamente por ele saber disso, e apesar do óbvio dano à sua imagem pública ter assumido fruir desse imóvel, que a sua atitude é brilhantemente amoral. Está para além do que os outros lhe querem impor como suposta correcção ou dever social. É uma escolha de quem sabe que a liberdade não tem de pedir licença à moral para ser essencial e existencialmente boa.” autor ? o valupi , claro,

  • «Grave? Não. Grave é ir à rua, perguntar a quem passa o que seja a moral, e descobrir que quase ninguém elaboraria uma resposta acima da indigência intelectual.

    Segundo Bernard Williams ainda hoje o melhor pensamento ético é o dos gregos antigos que não inclui Deus nem precisa dele. Não usa de nenhum imperativo categórico vazio dado que, num sistema de ideias não existe qualquer ‘moralidade’ no sentido de uma classe de razões ou exigências fundamentalmente diferentes de outros tipos de razões ou exigências. Assim não há um abismo entre a esfera das ‘regras morais’ públicas e as dos ideais pessoais privados.
    Williams considera um erro identificar, completa ou tendencialmente, o conhecimento ético como conhecimento científico e conceber a ética filosófica como uma ciência exacta (lógico-matemática ou da natureza). Daí recusar a teoria Kantiana de atribuir a moral a um ‘dever’ que o poder, utilitariamente, transforma em ‘lei’.
    A “moral” é um conceito do pensamento abstrato, metafíco aplicado ao nosso comportamento diretamente relacionado com cada vida e experiência pessoal; assim o conceito de moral varia de acordo com a evolução do conhecimento e costumes de cada época histórica; é um conceito com aparência de uma crença que depende do conhecimento e das circunstâncias de cada idade histórica.

  • jose neves, tens de rever os apontamentos acerca do que é a ética nos gregos antigos. Deixo-te só uma pista: quem é que não quis morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?

  • Poderia citar vários nomes de quem já cá não está, mas actualmente só existem duas pessoas: o Sr.º Dr.º Alberto João jardim e o Sr.º Dr.º Rui Rio.

  • Hahaha o melhor pensamento etico é o dos gregos antigos que tinham a instituição da escravatura. Genial

  • bla bla bla ,
    moralidade é a coerência entre os valores proclamados , entre as palavras e os actos , entre o que se diz e o que se faz. um bandido confesso é moral , não trai a confiança de ninguém.
    a definição de moralidade como coerência toca num principio transversal a todas as épocas e culturas s: a repulsa pela duplicidade. a hipocrisia é detestada em quase todo o lado — porque destrói confiança, e sem confiança não há sociedade.

    1.  

     

    “… quem é que não quis morrer sem antes pagar o galo a Asclépio?”

    Há autores que defendem que Sócrates o que disse foi “Críton, deves um galo a Asclépio”. Por via da duvida que Sócrates colocou anos antes quando, ao passarem em frente ao altar das oferendas a Asclépio, este declarou que as oferendas ao deus para ter uma vida melhor não serviam para nada. Ao que que Críton lhe contrapôs “veremos se manténs o mesmo no dia da tua morte”. Faz toda a diferença e dá bem nota da certeza que Socrates tinha na consciência de cada um como a ultima instância moral.

    E valupi, o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro estão vivos. muito mais vivos que uma grande parte dos ungidos públicos contemporâneos. E quando equiparados com escroques infames como Zapatero, como faz o Reis, é a prova cabal de que já estão, no mínimo, moribundos muitos espíritos cujos dedos martelam teclados. O que não falta em Torga, e só nos Novos Contos da Montanha, não é preciso procurar muito, é uma mão cheia de exemplos de autoridade moral que já não se evocam, por desconhecimento e, nos casos piores, por taticismo.

     

  • Miguel M. Elias,, por alusões. Ninguém comparou.O jogo estava em nomear referentes vivos, niste caso concordamos nos mortos, aleluia. Tal vez as suas informações, além do seu proprio estudo e conhecemento, sejam apanhadas de certos opinadores espanhois, amorais a mais não poder, para referir a Zapatero como: escroque infame. Tampouco, nem quem assim pensamos temos o espíritu moribundo, sinto comunicar-lhe que é todo o contrario. Tal vez não chegaremos a acercar posiciões, seja como for nem eu ,nem Zapatero , estou seguro, defineremô-lo a você, como escroque infame.

  • reis, não conhecia José Manuel Beiras, Camilo Nogueira e Gonzalez Laxe. Mas fiquei a saber que são os três da esquerda galega. Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.

    Quanto a esse pobre diabo que veio aqui despejar fel para cima de Zapatero, o seu castigo é não conseguir compreender o que lhe disseste. Nem que ficasse a pensar nisso até o Inferno congelar.

  •  

     

    luns, 2 de febreiro de 2026

    GROENLÂNDIA. Vexa isto: BORGEN . Serie danesa sobre a política danesa que pode ser a política de cualquer país. (reciclaje blogueiro)

     Este post está escrito no 2020. 

    Vem agora aquí a conto do problema criado com GROENLÂNDIA. A última temporada  de BORGEN está adicada já ao problema de GROENLÂNDIA.

     É curioso voltar atrás e vermos como o problema já existia e  ainda que não fala de TRUMP, o contexto e tal qual o de hoje. .  Não  fixem nenhuma modificação na escrita, os "papiros", com os seus erros,  não  devem  ser manipulados. 

    Até na escrita se nota o passo do tempo, escrito en galego normativo. 

     

    Netflix resucita ‘Borgen’, una de las mejores series de todos los tiempos

     

     No ASPIRINAB, meu blog histórico, xa  de culto, encontrei-me con esta recomendación que  por fortuna repon  a Netflix. As razons que Valupi me suxire, expostas no texto que segue, seduzenme para adicarlle un tempo. É iste um xénero que me fai disfrutar alén de mellores e piores logros. Non vin "The west wigins" que fica como asignatura  pendente , si vin House of Cards e fiquei maravillado da serie. As recomendacions de Valupi son ordes, e a pesquisa por miña parte  das cousas interesantes que el lanza a blogosfera sempre enriquecen a nosa vidiña. Esta noticia chega en regular momento, pois ando lento últimamente para as series,  sentado diante do ecrá. E ainda pior, porque ando con traballos atrasados no tema, pois  ando os poucos a lidiar  con Versalles; un documental sobre Trump que está no momento quente de velo; a ponto de rematar Outlander, que parece que nunca acaba nunca, como acostuma a pasar con algunhas series. Por acima estou recen comenzado a ver  Knigtfall, unha de templarios, santo grial e loitas medievais, tema que tamén me apaixona. Pois bem, ainda tudo iso, acho que e bon momento para recomenzar e mergullarme nas profundidades dunha boa história política,  que, tal como dice Valupi, é moi real.

          Seguiremos informando.

    E há muitas razões mais para ver esta excelente série pela primeira vez. Pese a semelhança temática, não será justo comparar Borgen com The West Wing, esse diamante de Aaron Sorkin que pertence ao panteão da TV. Nesta, a escrita intrincada e na esgalha, sempre a correr o risco de cair numa exibição vaidosa, espalha uma sofisticação e densidade que não têm qualquer paralelo com a escrita de Adam Price e sua equipa de argumentistas. A opção dinamarquesa é pelo registo não só realista, o que é duvidoso que seja o caso americano dado o seu artifício idealista, como pedagógico (a resvalar para o ingénuo?). Se fosse preciso concluir uma formação universitária em Direito, Ciência Política, História ou Filosofia para entrar a fundo no universo de Josiah Bartlet e Toby Ziegler, em ordem a nos sentirmos à-vontade no universo de Birgitte Nyborg e Kasper Juul basta estar em vias de concluir o secundário. Ao mesmo tempo, Borgen retrata fielmente as lógicas, dinâmicas, rituais e acidentes que ligam políticos e jornalistas num frenesim imparável de aproximações e separações, alianças e batalhas. E tudo isto, notavelmente, sem cair no melodrama nem procurar fazer humor.

    Para mim, e não estarei só nessa experiência, o mais admirável na visão de Adam Price é ter conseguido mostrar a democracia a funcionar na perfeição sem ter cedido meio milímetro ao cinismo e ao tribalismo. As personagens são profundas quanto baste, o elenco é credível e envolvente, e há um arco narrativo que faz da decência o valor mais importante para o estadista. Um estadista que se vê a falhar como os outros, pois é humano, mas que é salvo pelo afecto e pelo idealismo de terceiros – da comunidade, portanto. Esse estadista modelo germinou na cabeça do autor da série e conheceu a luz no corpo e arte de uma actriz fabulosa, Sidse Babett Knudsen. Ela consegue o feito de vencer o estigma que penaliza as mulheres na política ao criar uma personagem cuja autoridade de líder é verosímil e inspiradora. Ficamos a sonhar com o milagre de vermos a Birgitte a saltar do ecrã e a meter-se a caminho do parlamento mais próximo. Afinal, a sua (e nossa) segunda casa.

     

       Mais información o respecto, niste caso de La Vanguardia.

    Netflix resucita ‘Borgen’, una de las mejores series de todos los tiempos

     

    domingo, 1 de febreiro de 2026

    Notas de historia. Porqué caiu a Galiza?

    Rapinhado nas redes. 

     PORQUE CAIU A GALIZA | Valín Libros

    Antes de continuar coa cronoloxía dos Reis de Galicia, gustaríame escribir algo sobre as estupendas reflexions e enseñanzas que no libro Porqué caiu a Galiza? de Jose Manuel Barbosa,da editorial Através, se fan sobre a problemática da herdanza do trono a morte do rei Afonso VIII O Galego, e o importante papel que xa naquelos tempos, xogaban a nobreza, o clero e, como non, os Papas, que tanto dano e coas peores intencions, dende sempre nos fixeron, e nas que, con unha man che bendecian, e coa outra, che clavaban o puñal.
    Como era de esperar, a disputa polo trono entre “Fernando III de Galicia” (e xa naqueles intres I de Castela, lembrémolo) e Sancha e Dulce (fillas de Afonso VIII) dexenerou en enfrontamento aberto e guerras entre eles. A “política internacional” de Roma pra con Galicia, era a de presionar os bispos pra que apoiaran os intereses da coroa de Castela, que eran os de Roma, malia a lexitimidade feita por Afonso VIII no seu testamento. Na “Chronica Latina Regum Castellae” (“escrita” por Juan de Soria) dinos que ao entrar Fernando I de Castela na cidade de León, e aclamado pola poboación como rei, e que Sancha e Dulce non foran recibidas como raiñas, como deixara seu pai notificado no testamento (bastantes historiadores ven neste documento unha clara tendencia castelanista, e non lle dan moito valor pola falta de imparcialidade documental). Nesta “pelexa de tronos”, salta outra vez o nome de unha persoa e de unha familia, tamén ligada a nosa historia: Rui Gomes de TRASTÁMARA, fiel e leal defensor do difunto rei Afonso VIII e que, por respetar os desexos de él, negoulle a fidelidade a “Fernando I de Castela” durante moito tempo. No chamado “Pacto das Nais” feito en Coiança (Coyanza, Valencia de San Juan, León?) entre as raiñas irmans mentras Fernando permanecia en León, púsose fin as disputas e acordouse que Fernando seria tamén rei galego-leonés. Acordados os puntos, reuníronse en decembro Sancha, Dulce e Fernando I de Castela, en Benavente, onde se asinou o acordo de coroar a Fernando como rei de Galicia e recibiren elas unha indemnización e unha importante renda anual, ingresando nun convento. Estes cartos recibidos, voltarian a coroa no caso de que casaran ou faleceran. Do que se trataba na realidade, era de que as irmáns renunciaran a calquer reivindicación ou reclamación da coroa. Pra que isto non acontecera, naquel entón, mandáronse destruir importantes documentos ligados de unha forma o outra co Tratado de Benavente ou con outros calesquera que poideran poñer en perigo a Coroa de Fernando en Galiza (en Castela xa a tiña). Houbo que “reescribir” a historia, e como non, engrandecéuse o protagonismo de Castela e Galicia quedou relegada a unha terra sin importancia, malia a seguir sendo recoñecida en todo tipo de documentación árabe e europea, como reino e centro de peregrinación e de intercambio relixioso, mercantil e cultural, sendo como foi, dende sempre e pra sempre, o MOTOR ECONÓMICO E SOCIAL daquela época de toda a zoa do NW peninsular, onde a sua área de influencia chegaba mais aló dos Pirineos. Tanto é asi, que toda a documentación peninsular que chegou ata nós despois de Afonso VII, é castelán e de tendencia claramente castelanista. Ainda que houbo alguns documentos que se salvaron da destrución, como o “Chronicon Mundi” de Lucas de Tui (escrito en 1.238), a “Chronica Latina Regum Castellae” de Juan de Soria, ou “De miracules Sancti Isidori”, que nos relatan as rebelions acontecidas na cidade de León e en Galicia, onde se asaltaron o palacio do rei, a eigresa de San Isidoro e as Torres de Carnota, que demostran O POUCO APOIO POPULAR que este rei tivo no reino Galaico-Leonés, e que nunca foi aceptado. Quizais por isto, “Fernando III de Galicia” e I de Castela, nunca quiso coroarse nin en León nin en Santiago.
    Un apunte fundamental e moi importante e a ter en conta historiográficamente, é o que nos fai o noso querido Don Jose Manuel Barbosa neste libro (así como outros importantes historiadores, noutros) : tanto Lucas de Tui, como Juan de Soria, como Ximenes de Rada escriben as suas obras e relatos da historia baixo o mando de Berenguela de Castela, nai de Fernando. A manipulación documental da historia, queda sobradamente demostrada, cando estes escritores identifican a Afonso VI e Afonso VII como reis de Castela, cando estes monarcas galegos nunca usaron en vida estos títulos. No caso de Ximenes de Rada (que pasou a historia como un gran manipulador de documentos a favor da causa castelán) e no seu “De Rebus Hispaniae” bótalle a culpa da división da Coroa a familia dos Trava, sabendo ben que dita división favorecia mais a Castela.
    O realmente triste de toda esta falsedade documental, e que os “historiadores” inmediatamente posteriores a Lucas de Tui, Juan de Soria e Ximenes de Rada, baseáronse nos relatos históricos manipulados deles pra seguir escribindo a historia : Afonso IX, O Sabio, cando escribeu a General Estoria (1.270), a Estoria de Espanna (1.270-1.274), outra Estoria de Espanna (1.280-1.284), a Cronica de los Veinte Reyes (1.282-1.284), e a póstuma de Crónica de Castilla (1.300)... Merecen ser nomeados tamén De Praeconiis Civitates Numantine e De Praeconiis Hispanie, cuia obra desapareceu e quedou dispersa ata o século XIX, e ainda hoxe non están publicados moitos dos seus escritos, e no que si entendin ben a lectura do libro, pertencen a Joao Gil, que fora asesor e secretario do rei Afonso IX o Sabio (e que tamén estivo involucrado na recolleita de textos pra a creación das famosísimas Cantigas de Santa Maria).
    Si ben a poboación galega rechazaba o reinado de Fernando I de Castela en Galicia, co apoio que sí contou este rei (que lembremos, xa era rei de Castela cando acedeu o trono galaico) foi co de, como non, o Papa Gregorio IX, que queria por enrriba de todo a unión das coroas e a supremacía de Castela sobre Galicia, pra quitarlle todo o poder e influenza a nosa terra e a Compostela, que tanto desagradaba e odiaba Roma ao sairlle un forte competidor como era o centro de peregrinación a Santiago. Dito de unha maneira moi sinsela, pra que todo o mundo o entenda : dende Roma e dende facia moitos anos, foron os Papas os que dirixiron e planearon a destrución e desaparición do Reino Galaico-Leonés. Mais claro, auga nun vaso.
    Seguiremos outro dia...

    martes, 20 de xaneiro de 2026

    Eu som de fentos. E de passo , algo da imersão linguística.

     Fentos | Doeixo | Flickr

    https://twitter.com/DiegoBernalRico/status/1799155556994916533

    No padrom galego FENTOS! Em Portugal som FETOS e no Brasil SAMAMBAIAS

    E vós como lle chamades aos "fuentos"? Fentos, fieitos, folgueiras... na Raia seca, en Calvos de Randín chamámoslle "fuentos" 

    Na minha zona muita gente diz "fentos". Quando era criança era a única forma que eu conhecia.
     
        Assim desta maneira parolavam uns e outros arredor da palavra Fentos, que para mim sempre foi clara e única, desconhecedor que noutros lugares usavam outras palavras parecidas para identificar aquela planta tão comúm.   Pero bem se vê que não é asim o qual demostra a riqueza do galego e dos moitos sinónimos das nossas palavras espalhadas polo territorio galego e português.  
         No entanto, esta questão intrascendente e nada novidossa deu-me pê para recordar-me duma anedota que passou na minha infância escolar,  lá no meu povo co meu mestre na  altura  de Atapuerca.  
     

      Anedota: 

          Eu vivim uma época, a que me tocou, que me proporcionou uma inmersão lingüística natural  no galego que tal vez fosse a última da historia. Dende o 1956 a 1966 eu só ouvia falar em galego, e só falava em galego. O espanhol  tinha-mô-lo na escola, como idioma de aprendizajem , e como idioma oficial necessario para sermos uns cidadãos plenos. Co mestre tanto nas aulas  como fora delas a comunicação era quase sempre em  castelhano, ainda que ele era, normalmente,  falante galego coas persoas do povo. Na igreja  o cura falava-nos o castelhano, misturado na vida ordinária co galego.  Os funcionarios do concelho e os médicos também nos falavam em galego. Havía só uma ou duas familias,  a chamada do médico, o veterinario e alguma mestra que vinha de paso,que falassem entre eles em castelhano. Os Gardias falavam-nos todos em galego.  Era moi pouco, quase mínimo o uso de radio e  televisão, na que ouviamos o castelhano. Além da enciclopedia, o catecismo,  algúm livrinho ou jornal, alguns tebeos,  poucos mais livros tinhamos para lêr em castelhano, obviamente em galego não existiam ainda livros escritos para a gente comúm. As horas de galego eram o cabo do dia, moitas em todo o ano, com destaque no  inverno arredor da lareira coa narração das lendas, as conversas familiares e  a transmisão de conhecementos antigos e faladoiros varios: todo esto era em galego.    
          Pois bem o senhor mestre que nos tocou, pedagogo das silveiras,   era um sabio na utilização da retranca tanto  na sua vida ordinaria como cos alunos  nas aulas. Pero  olho, a sua retranca sempre estava adereçada ou mais bem estercada coa burla,  a mofa e misturada com um pouquinho de  humilhação e rebaixamento da dignidade daquelas pequenas alminhas. 
         Em certa ocasião prá ensinar-nos uma palavra castelhana, rara no sonido  prá nós ,  a qual  ninguém utiliçava, fixo uma performance do seu jeito. Assim pois para aprender-mos e não olvidar-nos numca da palavra "helechos" que parecia resistirse-nos no aprendizajem, escolheu a tres incautos da classe e dixo-lhes: 
       —Ides  o monte da fonte de  Miro, que fica detrás da escola,  e apanha-des  uns "helechos e traede-los ". 
       Os rapazes sairom coas caras asustadas, sem dizer palavra, pois o medo é o que tem, que não te deixa falar. Sairom pois como almas em pena e já fora da clase,  tentariam  gestionar da melhor forma que se lhes ocorriria a ordem recevida,  embora topariam-se, os coitados, coa  sua ignorância. Os que ficamos acochados entre aquelas paredes, os afortunados que  quedamos na aula, estávamos também olhando para o céu e dando vivas de não sermos  parte daquela vítimas que iam ser masacradas. Nós também eramos vítimas da nossa ignorância. 
         O senhor pedagogo das silveiras, em quanto sairom já fixo chacota  dos mandados, sabedor de que não iam encontrar "helechos" no monte de  Miro. Pero não porque não os houvesse, que de isso sobraba por alí, senão porque eles não sabiam que os tais helechos são os nossos fentos de toda a vida. Eis a questãó, tanto dizer sempre fentos não se nos ocorrira saber que longe de nós outra gente chamava-lhe a aquelas prantas que não tinham jeito nem valor: "helechos". 
          Chegarom dalí a um bom tempo, os nossos colegas. E asustadinhos, entrarom: 
         —Da usted su permiso. 
         —Que, traedes os helechos? —Ele sempre nos falava em castelhano, obviamente, ainda que prá fazer brincadeiras, mostrar-se  graçioso-chistoso,  e fazer escárnio, então utilizava o galego. 
          Eles só conseguirom mover a cabeça a vez que contestavam 
          — No señor.—Dito baixinho. 
     Sem atrever-se a dizeer que não sabiam o que eram os tais helechos.
           Daquela falou o boi e dixo muuuu:  
         — Pois mirai, lapadoiras, que sodes uns lapadoiras, os helechos são o mesmo que os fentos. Passai, e haver se assim vos queda aprendida  prá sempre a palavra. 

     Imersão lingüística: 

     
          Pois assim foi. São as cousas que tem a "imersão lingüística" que as vezes não sabes o que são os helechos. Uma eiva terrível na formação intelectual dum neno da aldeia. 
          Orgulho-me de haver sido filho de viver numa época na que a realidade era o que agora chamamos inmersão linguística que me facilitou ter e pensar no meu propio idioma e que não me privou de falar e lêr em castelhano em moitos casos bastante melhor que aqueles criados na cidade e só no idioma castelhano. Não  foi numca na minha vida um travão, viver isolado em galego os nove primeiros anos da minha vida,  prá fazer despois  um bacharelato fora de Galiza, falar um castelhano perfeito, ter duas carreiras universitarias. Sim foi  uma aprendizajem que me proporcionou uma vantagem que da o ter dous idiomas:  empenho na comparação dum e outro para corregir os posíveis erros no que o meu galego colisionava co castelhano; isso ajudou-me a falar bem o castelhano por evidentes motivos de interesse, magoa que daquela eu não sabia que a minha fala ou linguagem também era um idioma normativizado pola história e uso e a costume secular de gentes que o mantiverom e perfecionarom. Quando a mente trabalha em dous sistemas linguísticos diferentes está a favorecer o conhecemento de outros idiomas, abre a mente a curiosidade e o conhecemento e familiariza-nos coas palavras, ou seja uns amadores da filologia.