O valupi, no asprina b. fez um posto concludente e clarinho sobre a desumanização do outro na política. Em Espanha é cousa do dia a dia. Então senão em que consiste a campanha de sete anos contra uma pessoa Sánchez e assim construir a um tempo teoria fantasiosa a eliminar chamada Sanchismo?.
Tudo desumanizado para terem argumentos para irem contra um demo causante de todos os maus.Uma vez desumanizado todo vale contra um algo a eliminar.
Pois mesmo assim parece, não sim?
Para que serve a desumanização? Para o
mesmo efeito que pode ter o álcool ou outra droga com efeitos
semelhantes: inibe a actividade do córtex pré-frontal, desligando a
empatia e a avaliação moral. Tal é necessário para exercer a violência, a
qual pode ser extrema e horrenda consoante o contexto. E para que serve
a violência? Para defender ou conquistar recursos, materiais e/ou
simbólicos. Assim, na política o mais comum é a desumanização do
adversário quando só com o assassinato de carácter não se conseguiu a
vitória.
A história da desumanização na política
portuguesa, no pós-25 de Abril (também há desumanização à esquerda, é
universal), teve um momento de mudança de fase a partir de 2007 por
confluência de abalos tectónicos e ameaças existenciais no tecido
oligárquico causados pela crise económica internacional, a implosão do
BCP, BPN e BPP, a ameaça de o BES também cair, e pela presença de um
Sócrates que parecia imbatível e implacável. Essa conjuntura teve partes
folclóricas, como o ensaio marreta de agitar alguns militares fora de
prazo à volta de Cavaco para uma tomada do poder executivo, mas teve
também partes gravemente subversivas que deram origem ao Face Oculta e à
Operação Marquês, verdadeiras operações de judicialização da política
que nunca antes (que se saiba) tinham sido tentadas cá no burgo. A
principal figura charneira deste período foi o então ocupante de Belém.
Ele no mínimo foi conivente, no máximo poderá ter sido o mandante. A
Inventona de Belém dá peso à segunda hipótese.
Em 2009, na campanha de Ferreira Leite
em que o Pacheco Pereira aparecia esbaforido nas vestes de Torquemada
dos diabólicos socráticos, e na campanha de Passos em 2011, a
desumanização correu solta. Figuras gradas do PSD na altura compararam
Sócrates a Saddam, ao Drácula e a Hitler. Toda a estratégia do PSD e de
Cavaco passava por tratar o PS como uma organização criminosa. Dessa
forma, conseguiram montar uma aparelho que juntou procuradores, agentes
da Judiciária, juízes e jornalistas, gastando os recursos do Estado,
para meter nos tribunais os seus adversários. Conseguiram com pleno
sucesso.
Mas a desumanização política em
Portugal, embalada pelos triunfos recentes da direita, viria a conhecer
um salto quântico em 2017. Este foi o ano em que um partido fundador da
democracia portuguesa quis ter sob a sua chancela um discurso racista e
xenófobo. Passos, mesmo que não tivesse estado na origem dessa travessia
do Rubicão, podia ter cortado a cabeça à serpente com a sua autoridade,
a sua palavra. Não o quis fazer, pelo contrário, foi para o palco com
ela. E essa dupla de calhordas não tem parado de chocar ovos desde aí.
Com um sucesso histórico, assombroso, fulminante.
Redes sociais? Não, mano. Exemplos de quem manda, e de quem quer mandar, que normalizam a abjecção.
o primeiro que me veio á mente , quando lhe perguntaram sobre figuras “morais” galegas foi exactamente Castelao , depois um cura obrero velhinho , velhinho , anónimo, e a seguir Fraga. curioso.
Quixen saber quen fora o vampiro no mundo dos homes e fun ler o seu nome de
bronce no rico mármore da campa. O nome só abondoume: fora un canalla que
roubaba para dar regalía ao seu bandullo de porco; dono da xustiza, roubaba
dende a súa confortábel casa. Para que dicir máis? Era… era un cacique !
Yo: todos estamos cheios de contradições, assim pula e avança o mundo. A tua curiosidade acho ter resposta já no escrito.
Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível
Obrigado Valupi pela publicação.
A cousa andava como assim. Antecedentes.
Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas vidas.
Por desgraça não poso opinar do Agostinho da Silva, mas tanto de Torga como de Aquilino Ribeiro, também gosto da sua moral como módelo para qualquer grupo de cidadãos. São os dois moi grandes.