martes, 20 de xaneiro de 2026

Eu som de fentos. E de passo , algo da imersão linguística.

 Fentos | Doeixo | Flickr

https://twitter.com/DiegoBernalRico/status/1799155556994916533

No padrom galego FENTOS! Em Portugal som FETOS e no Brasil SAMAMBAIAS

E vós como lle chamades aos "fuentos"? Fentos, fieitos, folgueiras... na Raia seca, en Calvos de Randín chamámoslle "fuentos" 

Na minha zona muita gente diz "fentos". Quando era criança era a única forma que eu conhecia.
 
    Assim desta maneira parolavam uns e outros arredor da palavra Fentos, que para mim sempre foi clara e única, desconhecedor que noutros lugares usavam outras palavras parecidas para identificar aquela planta tão comúm.   Pero bem se vê que não é asim o qual demostra a riqueza do galego e dos moitos sinónimos das nossas palavras espalhadas polo territorio galego e português.  
     No entanto, esta questão intrascendente e nada novidossa deu-me pê para recordar-me duma anedota que passou na minha infância escolar,  lá no meu povo co meu mestre na  altura  de Atapuerca.  
 

  Anedota: 

      Eu vivim uma época, a que me tocou, que me proporcionou uma inmersão lingüística natural  no galego que tal vez fosse a última da historia. Dende o 1956 a 1966 eu só ouvia falar em galego, e só falava em galego. O espanhol  tinha-mô-lo na escola, como idioma de aprendizajem , e como idioma oficial necessario para sermos uns cidadãos plenos. Co mestre tanto nas aulas  como fora delas a comunicação era quase sempre em  castelhano, ainda que ele era, normalmente,  falante galego coas persoas do povo. Na igreja  o cura falava-nos o castelhano, misturado na vida ordinária co galego.  Os funcionarios do concelho e os médicos também nos falavam em galego. Havía só uma ou duas familias,  a chamada do médico, o veterinario e alguma mestra que vinha de paso,que falassem entre eles em castelhano. Os Gardias falavam-nos todos em galego.  Era moi pouco, quase mínimo o uso de radio e  televisão, na que ouviamos o castelhano. Além da enciclopedia, o catecismo,  algúm livrinho ou jornal, alguns tebeos,  poucos mais livros tinhamos para lêr em castelhano, obviamente em galego não existiam ainda livros escritos para a gente comúm. As horas de galego eram o cabo do dia, moitas em todo o ano, com destaque no  inverno arredor da lareira coa narração das lendas, as conversas familiares e  a transmisão de conhecementos antigos e faladoiros varios: todo esto era em galego.    
      Pois bem o senhor mestre que nos tocou, pedagogo das silveiras,   era um sabio na utilização da retranca tanto  na sua vida ordinaria como cos alunos  nas aulas. Pero  olho, a sua retranca sempre estava adereçada ou mais bem estercada coa burla,  a mofa e misturada com um pouquinho de  humilhação e rebaixamento da dignidade daquelas pequenas alminhas. 
     Em certa ocasião prá ensinar-nos uma palavra castelhana, rara no sonido  prá nós ,  a qual  ninguém utiliçava, fixo uma performance do seu jeito. Assim pois para aprender-mos e não olvidar-nos numca da palavra "helechos" que parecia resistirse-nos no aprendizajem, escolheu a tres incautos da classe e dixo-lhes: 
   —Ides  o monte da fonte de  Miro, que fica detrás da escola,  e apanha-des  uns "helechos e traede-los ". 
   Os rapazes sairom coas caras asustadas, sem dizer palavra, pois o medo é o que tem, que não te deixa falar. Sairom pois como almas em pena e já fora da clase,  tentariam  gestionar da melhor forma que se lhes ocorriria a ordem recevida,  embora topariam-se, os coitados, coa  sua ignorância. Os que ficamos acochados entre aquelas paredes, os afortunados que  quedamos na aula, estávamos também olhando para o céu e dando vivas de não sermos  parte daquela vítimas que iam ser masacradas. Nós também eramos vítimas da nossa ignorância. 
     O senhor pedagogo das silveiras, em quanto sairom já fixo chacota  dos mandados, sabedor de que não iam encontrar "helechos" no monte de  Miro. Pero não porque não os houvesse, que de isso sobraba por alí, senão porque eles não sabiam que os tais helechos são os nossos fentos de toda a vida. Eis a questãó, tanto dizer sempre fentos não se nos ocorrira saber que longe de nós outra gente chamava-lhe a aquelas prantas que não tinham jeito nem valor: "helechos". 
      Chegarom dalí a um bom tempo, os nossos colegas. E asustadinhos, entrarom: 
     —Da usted su permiso. 
     —Que, traedes os helechos? —Ele sempre nos falava em castelhano, obviamente, ainda que prá fazer brincadeiras, mostrar-se  graçioso-chistoso,  e fazer escárnio, então utilizava o galego. 
      Eles só conseguirom mover a cabeça a vez que contestavam 
      — No señor.—Dito baixinho. 
 Sem atrever-se a dizeer que não sabiam o que eram os tais helechos.
       Daquela falou o boi e dixo muuuu:  
     — Pois mirai, lapadoiras, que sodes uns lapadoiras, os helechos são o mesmo que os fentos. Passai, e haver se assim vos queda aprendida  prá sempre a palavra. 

 Imersão lingüística: 

 
      Pois assim foi. São as cousas que tem a "imersão lingüística" que as vezes não sabes o que são os helechos. Uma eiva terrível na formação intelectual dum neno da aldeia. 
      Orgulho-me de haver sido filho de viver numa época na que a realidade era o que agora chamamos inmersão linguística que me facilitou ter e pensar no meu propio idioma e que não me privou de falar e lêr em castelhano em moitos casos bastante melhor que aqueles criados na cidade e só no idioma castelhano. Não  foi numca na minha vida um travão, viver isolado em galego os nove primeiros anos da minha vida,  prá fazer despois  um bacharelato fora de Galiza, falar um castelhano perfeito, ter duas carreiras universitarias. Sim foi  uma aprendizajem que me proporcionou uma vantagem que da o ter dous idiomas:  empenho na comparação dum e outro para corregir os posíveis erros no que o meu galego colisionava co castelhano; isso ajudou-me a falar bem o castelhano por evidentes motivos de interesse, magoa que daquela eu não sabia que a minha fala ou linguagem também era um idioma normativizado pola história e uso e a costume secular de gentes que o mantiverom e perfecionarom. Quando a mente trabalha em dous sistemas linguísticos diferentes está a favorecer o conhecemento de outros idiomas, abre a mente a curiosidade e o conhecemento e familiariza-nos coas palavras, ou seja uns amadores da filologia. 

luns, 19 de xaneiro de 2026

Johann Cruyff que estás en los cielos . ( Reciclaje blogueiro.)

 Este post, tiene nueve años. Fué escrito en homenaje a uno de los grandes del fútbol. Hoy viene al recuerdo. 

 Johann Cruyff que estás en los cielos

   
  Allá por el año 1973 apareció por aquí un larguirucho con media melena y cara chupada que venía del mejor equipo de Europa en aquel momento el Ajax de Ámsterdam. Vino para quedarse, pues  echó cinco temporadas como jugador en el Barça. Se iba y volvía pero siempre mantuvo en Barcelona su casa familiar y allí nacieron sus hijos. Puso a su hijo el catalán nombre de Jordi, aunque tuvo que inscribirlo en Holanda con ese nombre. En Barcelona  se casó su hija con un catalán  y aquí murió.

    Cuando él llegó en España todo era novedad. Recientemente  se había permitido fichar a jugadores extranjeros,  entre los que no se contaban a los hispanoamericanos que eran  oriundos de familia española, y solamente había dos extranjeros  por equipo. Su llegada fué toda una novedad revolucionaria. Yo que andaba en mis bachilleres y viviendo apasadionamente mi mundo futbolero, el personaje no me cayó bien al principio, tengo que decirlo. Supongo que influiría que en aquel momento  yo  era un fiel devoto madridista y un apasionado de mi ídolo, mi compatriota Amancio, que creo estaba ya jubilándose de los estadios.
     Mi pasión por él no cambió, seguía cayéndome mal. Seguía viendolo chulo y con todos los defectos del rival, en este caso barcelonista. Además de  mi adversión anterior, surgió un hecho que  influyó o más bien me soliviantó mucho contra él chulo holandés. Siempre fuí, y soy,  un apasionado celtista, de  una infantil  devoción. Pues bien por aquella época,  Manolo, nuestro central y el gran capitán, era el ídolo del Celta y el jugador con más proyección de futuro, como se dice ahora. Hete aquí que en un partido yo  y todos vimos,  como de forma  guarra y alevosa  Cruyf le dió una patada a nuestro Manolo. Le produjo una lesión muy grave.  Tal vez no fuese tanto la intencionalidad del caso pero visto con los ojos de forofo  para mi fue como una declaración de guerra. Manolo tenía en ese momento, decían, un precontrato firmado con el Real Madrid y por culpa de esa larga lesión no se llegó a culminar.  Si el chaval larguirucho, Cruyf, me caía mal, anda que  ahora la cosa pasaba a declaración de guerra. Esa pasión visceral hacia que mis  ojos no fuesen  objetivos  al juzgar su futbol . Mi  mirada era selectiva y obviaba sus muchas cualidades  trataba de buscar los defectos de quién había yo declarado enemigo.  O sea nada ayudaba para que le quisiera . Pero como apasionado del futbol. evolucioné de la pasión infantil y creo que en ese tema ya  nunca más  he sido sectario aficionado. Creo que  he sido más del futbol en si que de ningún equipo. Habrá quién me entienda. Mi admiración por cualquier gran jugador sobrepasaba el color de la camiseta. Tal que ya colocados en este plano de intelctuales futboleros el  jodido holandés me iba ganando poco a poco, en todo. Yo iba abriendo mis ojos a su fútbol y sin rubor tuve que reconocer a  todo  el mundo que el flaco holandés era  de lo mejor que habíamos visto. Era bueno, buenísimo  y diferente al resto.
     No obstante, pese a todo, mi cariño no era total. Era objetivo en lo futbolístico pero seguía sin gustarme su personalidad. Fuera del campo era negociante, pesetero, y en aquella época de ingenuidad de una cierta ética aprendida del franquismo eso lo hacía despreciable a nuestra arrogancia ética. Aquí estabamos por lo patrio y el desprecio europeo, así como en contra del mercantilismo obsceno que representaba toda la iniquiedad europea. Por ese camino este colega iba a entrar mal.  Aquí aún no entendíamos eso de mezclar pasión, e ideales, con dinero. Y el fútbol era una pasión.  Vivíamos en la utopía de la furia española y este tío parecía un moderno que encajaría mejor como un miembro del los Beatles que jugando al fútbol al lado de la rudeza y la sobriedad hispana. Por otro lado no   me gustaba su forma de ser  en  el campo, aparte de ser  un  liante,  era mandón, protestón y eso era un ingrediente para  que los equipos   contrarios al Barça, especialmene el Madrid encresparan sus ánimos. Le gustaba el lío y así es bueo  recordar como anécdota que tanto picó en un partido a Villar hoy presidente de la Federación Española y de aquella jugador del Atlétic de Bilbao,  que en medio del campo el desquiciado  Villar  le remangó un puñetazo, o una hostia de aquellas de toda la vida,  en toda la mandíbula  a Cruyf que lo  lanzó al suelo. Seguidamente  Villar se fue del campo sin  decir nada ni mirar al árbitro.Todo el mundo contrario a Cruyf  decía que claro, aparte de ser de Bilbao que te da un plus de animal reconocido, era normal que Villar  saltase, pues el tío era un guarro y un picón. La historia después demostraría  lo  equivocados que  estabamos, pues Villar demostró ser un engreido y arrogante corrupto  dignatario deportivo  y Cruyf un maravillos jugador, una gran persona, un gran entrrenador y  eterno " hombre de fútbol".
      Tengo que reconocer que he visto jugar a Pelé un poco. Tuve la  suerte de ver en blanco y negro  aquél  mundial  apoteósico de México, con la mejor selección brasileña de la historia. Pelé  era elegante, atlético,  rápido. Gustava y era indiscutible, una   maravilla. Era  la época  del fútbol más vistoso, menos físico, con mucho regate corto, centro al área y disposición más estática de los jugadores en el campo. Aparte de eso el  jugador que me ha parecido el mejor del mundo, y que me perdonen, fue Maradona. No he visto a nadie hacer cosas tan precisas y bonitas como Maradona. No sabría explicarlo y no es bueno comparar pero Mesi no es lo mismo. Supongo que en eso influye la edad y el momento vital en el que se está para valorar a cada jugador. Cruyf aunque está entre los cuatro mejores de la  historia, creo que estaría un poco más abajo. Lo que nadie discutirá es que nadie trajo tanto aire nuevo al fútbol  como él. En el campo era jugador y entrenador. Poco a poco iba cambiando las sagradas escrituras del fútbol, disfrutaba siendo transgresor y a mi eso me encanta.  Con él descubrimos una cosa nueva que era el fútbol total. No había posiciones o al menos tan rígidas y estáticas como las que se regían  los  cánones  de la época. Este fútbol total necesitaba algo que lo hacía muy vistoso precisaba de  técnica, velocidad y aceleración. Los cambios de ritmo de Cruyf eran  bestiales, era su arma principal. Todo eso requiere preparación física y buena técnica, imprescindibles en el fútbol del hoy.
       Su manera  psicológica de plantearse en el partido era toda una innovación. No mostraba miedo escénico nunca.  La mirada alta, paseaba y se movía por cualquier parte del campo. Recibía aveces en el centro y organizaba el ataque. Estaba en la banda izquierda muchas veces y daba magníficos pases de gol. Aparecía por la derecha. Con la mano estaba dirigiendo y colocando compañeros en todo momento. Era un magnífico rematador de pie y de cabeza, lo que le hacía goleador también. Era muy bueno en balón parado. Era un director de orquesta que tocaba todos los instrumentos. Pero sobre todo era líder del equipo, mandaba, organizaba, imponía quién jugaba, era su carácter y era el number one, y ese carácter lo mantuvo siempre. El hacia el equipo a su manera, se trajo a   su compañero Neeskens, un trotón técnico y luchador que le ayudaba en el campo un montón. Quería que jugase Clares de delantero centro aunque  no tuviese la calidad necesaria. Siempre fue así.
      Con el tiempo me gustó. Me gustó con aquella selección holandesa increíble de todo, con aquel futbol total y de toque que arrasaba y que fue una revolución en el futbol. Me gustó como se movía, su regate, su manera de posicionarse, aunque veníamos de otra mentalidad futbolística estábamos viendo la novedad y la revolución en el fútbol. Hay personas que nacen para  ser especiales y el lo fue como jugador, no sólo por  como jugaba sino por lo que significó de diferente manera de jugar e iniciar una nueva etapa en el fútbol. Al final nadie se atrevió a discutir su valía.
      Dejó el Barcelona y anduvo entre jugador y entrenador entre España y Holanda. En el año 1985 entrenó al Ajax, pero sin carné. Nunca sacaría el carné de entrenador el que será tal vez el mejor entrenador del mundo, pues en el año 1988, sin carné, inicio su etapa de entrenador en el Barça.
      Si  hablamos del Cruyf futbolista, como uno de los grandes, en esta etapa de entrenador, es para pasmarse y hablar de él tiempo. Su etapa desde el año 1988 hasta el 1995, fue la más grande del Barcelona, no sé si en títulos, ganó la primera copa de Europa de la historia del Club, pero si en nombre, imagen de la entidad, proyección mediática y equipo puntero en una nueva imagen del futbol. Creó el Dream Team y fue la revolución del fútbol moderno. Ya no estaba en el campo pero el genio estaba en el banquillo y ahora proyectaba el chorro de ideas, personalidad y maneras de jugar que cambiaba mentalidades totalmente. Sus dos primeros años fueron de  sequía ganadora, de montaje de la estructura del club y crear una nueva forma de jugar. El Barcelona le aguantó dos años en blanco y con  contestación en la afición porque no veían salida y futuro. Después pudimos disfrutar de un genio dirigiendo un equipo de fútbol. Todo salía de su cabeza, inventaba, hacía lo que quería, fichaba lo que necesitaba, e inventó una nueva forma de comportarse como equipo que dura hasta hoy. Todo lo que vemos hoy lo creó el, que se transportó a través de la escuela de fútbol del Barça  y de  su discípulo Guardiola. Gracias a él aparecieron unos  jóvenes con una manera de jugar que no hubieran triunfado con otro estilo. Recordemos a Guardiola, Ferrer, Amor, Celades, Ivan de la Peña. Recordemos la innovación de  tener un portero jugón, que participara en la salida del balón como un jugador más, algo que hoy parece normal.
      Uno de su grandes capítulo para el Dream Team fue el fichaje de Laudrup, jugador fundamental en su forma de entender el  fútbol de  toque, técnica, velocidad y en la que participaban todo el equipo. La innovación de Bakero como frontón en el medio del campo para apoyo de salida de balón. La importancia que  adquirió el medio centro organizador con la figura de Guardiola. Todas y otras más fueron innovaciones que  han copiado todos los equipo y  que el inventó. El Barça de hoy en su estilo de juego es una copia de aquella forma de jugar que el inventó. Sus entrenamientos fueron innovadores dando más prioridad al balón  por encima de todo. Los famosos rondos de toques de balón era la mayor parte de tiempo de entrenamiento para llegar a tener un equipo que caminase y corriese con el balón. Su filosofía de que si tu tienes el balón el contrario no te crea peligro llega a plasmarse en el estilo de juego, que hoy imitan la mayoría de equipo.
     Como entrenador, no he visto a nadie con la valentía que el ponía en el planteamiento de los partidos. Inventaba y era capaz de hacer debutar de defensa central en el Bernabéu a un chaval de 19 años  y jugando con una defensa de tres. Perdió el partido, pero podía haberlo ganado. La defensa de tres y los dos laterales auténticos extremos fue creación suya. Un sistema impensable antes y que hoy  muy pocos son capaces de organizar.
      El futbol es hoy lo que Johan en gran parte creó y difundió y principalmente como catalán  que se sintió todo lo que dio al Barça desde que el llegó. Sin duda hay personas que marcan  pauta en el mundo y Cruyff   fue uno de ellos.



Nota: Este post fue escrito en 2016 con motivo de la muerte de Johan Cruyf, por  error al revisarlo se ha publicado con fecha de 2019.    


 

xoves, 15 de xaneiro de 2026

1957, uma viagem o Couto Mixto. IV. O regresso.

 

Em julho do 1957, o capitam Folgoso, recem graduado de Tenente,  remata a sua  reunião perto do Couto Mixto, e inicia o caminho de volta  dende Meáus.  



De manhã, co clarejar  diste  sol veranego, acordamos. Despois dum almoço de leite recem fervido, pão centeio, manteiga e umas lascas de  pernil, preparamo-nos para iniciar a marcha de volta para Calvos. Não havia pressa nos preparativos, ninguém falava da marcha, havia uma preguiça no ambente. Eu gostaria de quedar, polo menos um día mais, precissava arrumar um pouco mais as ideias. Pouco a pouco  já estava todo preparado e já estavamos a media manhã  e tinhamos que sair para chegarmos a  jantar em Calvos.

André já estava abaixo coas cavalerias preparadas e o senhor Miguel pronto na porta para despedir-nos.

Acerquei-me a ele, e abraçei-no, num abraço longo e sem palavras. Ele tinha a olhada húmida e triste e eu também. O André não olhava para nós, ficava de costas viradas e  cabeça gacha a vez que sujeitava as correias das cavalerias amarradas a sua mão. Havia um entranhado silenço no ar,  que ninguem se atrevia a rachar.

Então Miguel falou e como home lido dixo,

-Como dizia Pessoa: “É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios”.  

A cita  calhava  bem na situação. Sem decir nada os dous sabíamos que seguramente pronto nos voltaríamos a vêr. Ele intuia que o meu desejo  era recolher os manuscritos do me pai e percorrer bem todos os caminhos que  andou. Ele pressentía em mim desejos de conhecer mais do me pai e da minha mãe

 Coa mesma eu subim o cavalo, André detrás na besta, e dando os adeus ao Miguel fomos saindo da aldeia paseninho ainda coa modorra do amencer e co corpo meio a tremer por tanto sentimento recibido.

A aldeia  já espertigara, estava viva e  em movimento. Rua adiante iamos sentindo as olhadas curiosas e intrigantes das gentes do lugar. Já havia uma actividade total, a gente madrugara, sem dúvida. Ouviam-se ladrar os cães, os silbos do pastor que estava a reunir o fato de ovelhas de todos os vecinhos para sair o monte. Jogadas de vacas junguidas e turrando dum  carro, outras ainda a junguir e a prepararando-se. Pola calçada cruzase-nos  um rapaz  tanguendo um rebanho de ouvelhas acompanhado cum cão pastor de palheiro branco e  cuma estrela no focinho. Uns porcos chafurdam mais alá na lama dum pequeno regato.  Passam umas  mulheres, todas levam  pano negro  na cabeça, uma saia negra e umas alparagatas moi singelas, algunas levam o colo crianças, outras turram da mão dalgúns  pequeninos descalços e mal vestidos. Os homes todos levam gorra negra na cabeça e chaqueta de pana gris, uns vão com botas velhas de becerro e outros, a pesar de ser verão, levam chancas. Dum portal desembocam cuatro vacas que inundam a rua co seu passo tranquilo e  detenhem-se diante  dum pequeno muro varado por uma cancela manhosa. Uma mulhercinha  parece andar a escavancar numa pequena horta de verduras e hortaliças marcada por uma pequena parede de pedras e atapetada na entrada  de mato e folhas. Andam no ar cheiros de fermentações, mugidos de becerrinhos, cocorocós de pitas e galos, choros de crianças.

Nós seguimos o nosso caminho de volta até Calvos de Randim, alí espera-nos o taxista, senhor Berceiro, que  me há de levar de volta a Celanova. A caminhada ia devagar. O sôl, ainda morno,  da-nos de costas. Iamo-nos deijando levar pelas cavalerias que tampouco pareciam ter pressa em avançar. Eu seguía cos mes pensamentos, ainda sem clarificar de todo. Un mundo novo se me abria diante, moi contraposto a todas as minhas ensinhanzas recevidas, na casa, no colexio e  na Academia Militar. O mundo dos republicanos e os comunistas era-me moi  desconhecido para mim. 

sábado, 3 de xaneiro de 2026

Terra de foris. ( Reciclaje blogueiro.)

 Post já publicado no 2023 no blog.       

 

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Esta-se a falar estes días, ( estou a falar no 2023) nas redes e entre uns poucos, não vaiam a pensar em mais, em quanto a que o  Bierzo, a Seabra e territorios asturianos do occidente possam ser incorporados a Galiza. Engade-se, num exercicio de fantâsia pondo o carro diante dos bois,  que  previamente deveríam fazer para isto um referendum

  Direi antes de nada que isto atopeino por acaso nas redes sociais, melhor dito no twiter, X,  que é a única na que ando a ouviar,  a asubiar, ou a  pesquisar,  à solta, um pouco de todo. Andar ando e  moito   mais ainda do que deveria. Esta  quimera,  evidente, ainda que saudosa prá qualquer galego, são criadas por dous ou tres twiteiros neste caso,  que fornecidos com moitos seguidores, ganhados no dia a dia com manhas de todo tipo.E como se tivessem um bom altifalante,  sabem fazer barulho momentâneo e parecem uma  multitude participante. Uma vez deitada  a  informação no twiter ( agora no X)   já os algoritmos se encargarão de flassehar a torto e a direito a mesma  para chegarem a todos aqueles que  por alguma curiosidade anterior tenham escoitado uma música parecida.  Do mesmo jeito, dende aquí, estos mesmos  entre a sorpresa e a  ledicia vão espargir, difundir e divulgar o grão, e assim dão por feita a sementeira.  Cousa na que me loubo, neste caso, em participar a espalhar.   

 

     

  O caso é que,  o chegar-me esta informação, também com sorpresa e ledicia, deseguido  veu-me o recordo o conceito de   "Terra de foris". Um  princípio ou regra não escrita que   para entenderem-se os galegos daquela ,  usava-se no Reino medieval  da Galiza.  O falarem de que tal terra ou lugar era " Terra de foris" , estavam-se a referir a  toda aquela terra considerada dentro dos senhorios da coroa do reino de Leão ainda que não era considerada terra propria do Reino nuclear galego, eles considera-na por tradição histórica e  cultural como galega. Não sei seguro se  a Seabra era "Terra de foris", eu acharia que sim o era.  Astorga e as suas terras não eram "terra de foris". No obstante... ( Ainda que no documento que mostramos o final o bispo de Astorga firma como pertecente o Reino de Galiza, não sei se porque ele era galego de nazón, ou a diócese de Astorga era sufragánea de Compostela e neste senso se considerava galega).  Parte do occidente asturiano não era considerado "terra de foris" outra parte a mais próxima sim. O Bierzo, claramente,   era "Terra de foris" pois bem sabemos que foi sempre terra galega do reino nuclear galego e  deixou de ser considerada como  terras do Reino depois das guerras de  dominação dos Reis Católicos que derom esta terra, do Bierzo,  a dependência do Conde de Benavente e desposeirom dela os Castros nessa altura  os mais altos representantes da nobreza galega. É bem evidente que nas fronteiras citadas que antes eram consideradas parte da Galiza nuclear e  que hoje já não pertencem a Galiza administrativa actual,  ficam pegadas culturais, sociais, costumes e formas   idiomáticas  evidentes que  demostram que perante moitos séculos forom territorios dos senhorios galegos e  que se sentiam dentro duma unidade política, cultural, idiomática, económica e histórica que se concretizava no chamdado  Reino da Galiza. Este reino que é herdeiro dos galegos dende a antigua Gallaecia  que foi minguando o seu terrritorio até a Galiza já Sueva e posteriormente  Reino Galego medieval con Rei en Leão até 1230.

        Despois desta data,  1230 coa união num só reino em Castela, seguiu  sempre Galiza considerada  Reino ou entidade cultural e política com personalidade propria  como tal até a configuración administrativa das provincias de  Javier de  Burgos no  1833.

      E se não me credes, uma olhada este documento ajuda, tal vez, na sustenção do dito. Este é um documento no que firmam os bispos da orbe católica,  lá pelos 1545 , uma petição pra convocar um concilio, neste caso, nem mais nem menos,  o de Trento. Pois bem os bispos Galegos neste caso o de Astorga (duvido se era Terra de foris) e o de Ourense identificam-se como espanhol do Reino de Galiza e em troques o de Zaragoza  como espanhol do reino de Espanha.  

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  Ainda que há quem defende hoje, com bom criterio, que o Reino como tal numca foi abolido  e,  defende,   ou gostaria de que Galiza fosse denominada na actualidade Reino de Galiza. Tal como assim,  estou a falar,  este senhor tão ilustrado: 

           Eduardo José Pardo de Guevara y Valdés.

          Es un historiador y      genealogista español, especializado en el estudio de la nobleza bajomedieval gallega y profesor de investigación del Consejo Superior de Investigaciones Científicas.

Ainda que o não constar como tal na Constitução espanhola não seja fácil defender esta postura.

       Ainda que  isto  último seja outra histoira.

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Feliz 2026.

 

Pertence à época, mas balanços não faço, para trás prefiro não olhar, contas não deito, e planos também não é comigo. O que tiver de vir vem, da experiência aprendi que de nada adiantam muros ou cautelas. Empurrões e pontapés doseiam-nos os outros, por vezes até sem maldade, apenas porque só a si próprios se vêem no caminho por onde vamos todos.

Incerto do meu estoicismo e da justeza do que penso, olho o mau tempo que nesta manhã  quase transforma o dia em noite.

Fonte: https://tempocontado.blogspot.com/ 

 

xoves, 11 de decembro de 2025

O aspirina b cumpre vinte anos.

 

  

  Faz vinte anos, eu enfoscado como um tal   "reis" descobri um blog português para comentar, ler, partilhar impresões,toda a vez para também aprender um pouco de português. Pois, milagre do tempo,  a cousa chega até hoje despois de vinte anos. 

Faz dez anos o aspirina b cumpría dez anos, daquela tivemos un agarimoso intercambio de mensajes de felicitação e recordações dificéis de olvidar. Aquí neste link está  o post da celebração dos dez anos. 

https://arompidadodia.blogspot.com/2015/11/o-aspirina-b-cumpre-dez-anos.html . 

     Já passarom dez anos. Era o desejo que daquela tinhamos todos e o mesmo valupi (patrão da barca). Cousa bem difícil de conseguir. Daquela o post titulou-se : 

10 anitos de iniciação à aprendizagem. Moi estilo simples e sarcástico de Valupi. Hoje o título é 20 anos de pardieiro, que leva também esa sencillez e socarronería valupiana. Sabendo que pardieiro, tanto para o galego como o português, vem a ser algo assim como casa pobre triste, em ruinas ou envelhecido. 

 

Neste vinte cumprimento de anos, 20, voltamos os parabéns e os agarimosos saudos. 

https://aspirinab.com/valupi/20-anos-de-pardieiro/ 

  1. “Algo se muere en el alma cuando un amigo se va…. no te vayas todavía no te vayas por favor, que hasta la guitarra mía llora de melancolía cuando dice adios”. ( sevillana popular). Parabens pelos vinte anos. Já andei mais por cá do que ando nos últimos tempos, embora ainda ando. Sempre foi e segue sendo um prazer ler os post. Eu moito tenho aprendido aquí, de uns e outros, especialmente do patrão da barca. Adiante meu, isto ojalá não morra, já temos moita esterqueira à solta por ahí, assim que isto tinha que ser Bem de Interês Cultural a conservar BIC), e que veham então os enveloppes.XD. Seja o que for, obrigado sempre pelos vinte anos.

     

  2. Muito obrigado, reis, pelas tuas generosas e graciosas palavras.

    Fazes muito bem em não gastar o teu precioso tempo por aqui. Felicidades nessa terra de encantos, a Galiza irmã.


     


 

mércores, 3 de decembro de 2025

À Rompida do dia, já cumpriu dez anos.

       

              Já cumprimos dez anos. E aquí estamos. 

Foto: Romero. Arquivo Jano Lamas. 


Aquí há uma mistura  que não permite  dar uma sinal clarificadora do que é o que há. É uma loja, humilde,  que tem um pouco de  todo o quase todo; é bazar, é mercearia, é tasca e taberna. É uma mistura de cores, de sons. É uma caldeirada de informações variadas e expostas à vontade do  patrão da barca, eu. Mais parece que estiver feito para o consumo proprio que para, o que é normal, o  consumo do público que por acaso aquí chegue e goste.  

 Nestes dez anos passarom moitas cousas na vida de um, coma na de quase todos.Só felicidade, nada que lamentar,  moito que agradeçer a vida, de forma especial  a chegada, nos últimos seis anos,  de  cinco adoraveis  seres,  chaman-se: 

 XIAN, MARTIÑO, ROI, XELA E GAIA. 

Porque  seja como for, quer se queira quer  não,    navegar é preciso .

 

          À Rompida do dia. Esta pequena nau, un dezassete de setembro de 2015,  saiu a navegar sem dizer a ninguém a onde ia e que ia fazer, saiu, só saiu e seguiu, vagando pelo mar, sem mais.  O patrão da barca, aquele día, não soube que dizer e hoje depois de dez anos , segue a divagar e a falar e a dar voltas arredor de si, mas não diz realmente  o porquê  anda a navegar esta  nau . Ele sabe o porquê, mas gosta de criar mistério, gosta de que sejam os outros os que digam o que quiserem, os que opinem. Assim pois,  não está muito preocupado pelo o que se diga. Sempre teve a ideia de  berrar para  os outros e dizer , olhai  ando neste mar para isto ou aquilo,  mas nunca  este  bateleiro encontrou o momento para dar esa explicação.       E se tal vez não houver um porquê?. Ou melhor dito um porquê formal como podia ser algo assim como exprimir que este  blogue vai falar da história dos reis godos, ou vai falar todos os días de química cuántica, ou vai a fazer comentarios da situação política e social etc. É difícil dar un conteúdo formal ou dar uma finalidade clara, quando é tão pessoal. No meu pensamento, o lugar deste blogue, é uma cousa  lá na rede no que vale tudo  em quanto a conteudos a expor. É um incentivo cultural , un lugar de trabalho, um cofre pra gardar recordos, uma forma de recreo particular. Não está feito para alumiar a ninguém, nem têm pretensões de fazer adeptos-seguidores, está feito para mim, ainda que pareça tudo surrealista. Aquí há uma mistura de coisas que não permitem  dar uma sinal clarificadora do que é o que há. É uma loja, humilde,  que tem um pouco de  tudo o quase tudo; é bazar, é mercearia, é tasca e taberna. É uma mistura de cores, de sons. É uma caldeirada de informações variadas e expostas à vontade do  patrão da barca, eu. Mais parece que estiver feito para o consumo proprio que para, o que é normal, o  consumo do público que por acaso aquí chegue e goste. 
      Aquí há relato literario pessoal, muita música do youtube, crítica política e social, retalhos da  historia, curiosidades apanhadas na rede ou nas media. Resumo de livros ou capítulos de livros que  são considerados interesantes, em fim de tudo. Uma mistura entre um falso diario e um caderno de papel no que  se anotam coisas variadas, que um quissera recordar. 
      
      E de fondo um vídeo que adoro e que me acompanhou, não sei se os dez anos, pero cerca andaria. Este sonho meu, que numca nos deve faltar. 
   

 
https://www.youtube.com/watch?v=0f9PBsnFmmc&list=RDCwppKJjYReA&index=2

sábado, 29 de novembro de 2025

Lendas da minha aldeia: De quando fum sacristám, lá polos meados dos anos 60, e falava em latím.

 Imaxe

.....A missa ainda era em latim pelo o que só se ouvia falar o presbítero celebrante e mais o seu sacristám. Este posto de ajuda nos oficios divinos no altar era para um rapaz ou moçote, com preparação em escritura e leitura o qual não era o mais comúm, já que tinha de aprender a contestar de memoria os rezos em latim. Isto era assim porque o sacristám oficial era um homem adulto que tocava as campás, fechava e abria a igrexa etc.  e não dava aprendido o latim, salvo excepções. A escolha e a preparação do rapaz ou rapazes no seu caso, era feita  pelo mestre da escola que era o que melhor conhecia as faculdades e sobre todo o tempo que tinha o mocinho para mergulhar-se naquela aventura do latim. Se os pais, como era o mais comúm, eram labradores o neno à saida da escola tinha o tempo ocupado para ir coas vacas os prados ou o monte, então o candidato tinha que ser por força filho dum cabaneiro que tinha as tardes livres pra folgar e andar à solta de tunante rua arriba rua abaixo. O eleito latinista adicava días a estudar e a repetir coma um papagaio aquelas preces num  palavreiro que não entendia. Assim cumprindo, eu filho de cabaneiro,  cos requisitos enunciados o mestre decidiu prepar-me para o posto de sacristam imitador de Cicerón e Tito Livio. Quando a visita chegou eu andava já  de recem sacristám-ajudante do culto e tivera que aprender aquele librinho numa linguagem bem diferente do castelhano, que se lia na escola, mas imprecindível para falar com  Deus na celebração da missa.  Dende o "Intro altare Dei", o  "confiteor", o "Dominus vobiscum", o  "pater noster qui est in celis",o "credo in unum Dei", até  chegarmos o  desejado ite missa est, pra rematar e sair. Esta geringonça, com perdão, acabou  tendo para mim um som familiar que  mais tarde passaria a ser, no seminario ,posteriormente , companhia de viagem  da minha vida. Ainda que o passo do tempo e o desuso do latím, incluso dentro da Igreja, faça parecer que tudo aquel estudio quedou em fumo e que ficou no olvido. Não obstante,  nada é o que parece pois iste  posso cultural fica no profundo do homem de hoje e jovem de então. Enfim,  quer se queira quer não,  tudo , seja bom seja mau, contribue na propria formacão e toda  experiência sempre deixa uma pegadaNo meu caso pode ser o  gosto pelas   palavras,  as etimologías das mesmas e o  respeito e curiosidade pelas diferentes falas ou formas de falar. Seja como for calha bem o dito popular cando diz  que o saber não ocupa lugar, ou seja que não me fixo mal nenhum o aprender aquela  missa em latim. No obstante, o meu caso co latím não tem mérito nenhum  se o comparades co caso do "Pepe do paxarinho". Era iste naquela altura um moçote que gostava de contar anedotas, brincadeiras e historias picantes que ele ouvia e gostava de expor a grupos de adeptos que arredor dele escutavam o que ele dizia. Mais ou menos  como se de um cómico do " club da comedia" se tratasse", o Pepe repetia os responsos dos enterros completos,  a sua maneira, numa especie de idioma inventado que era o latim que ele percevia daqueles coros de curas cantando-lhe o defunto dende a casa até o templo. Quanto  mais rico fosse o  defunto, mais responsos tinha. A mais dinheiro por responso mais longo era o cántico latino. Ou seja a oferta e demanda de toda a vida. Assim pois, eu escoitei o Pepe,  por vezes, naquelas assembleias espontáneas  recitar, a peticião daquela clã, um concerto completo responsorial. 

- Pepe mandalhe   um responso de cem pesetas, despois um  de duascentas e incluso algum de quinientas. Eu ficava abraiado ou anonadado (que bem sendo o mesmo diga-se como se diga), co canto  gregoriano do Pepe . Nos meus miolos quedaron sempre fixos aqueles responsos inventados e ainda hoje podia recitar parte deles. Quando já supem latím e comprobei o que queríam dizer aqueles preces auténticas e o que eu aprendera do  Pepe, não podia conter a gargalhada. O que aquel homem fabricou na sua mente era uma obra de arte da linguagem. Algo assim tivemos nós que fazer coas canções em inglês para cantâ-las, nem em Inglês nem espanhol senão numa lingua nova inventada.

     Tudo isto do latím litúrxico  estava ainda no seu apogeu, embora a este zénit de popularidade quedavam-lhe catro días, ainda que nós nada sabíamos nem intuíamos. Estava pronto a chegarem os resultados do Concilio Vaticano II.  Estava-se a prepar-se uma grande mudança na Igrexa, especialmente,  e não só,  na liturgia. O  latím sería um daqueles cambios. Diziam que havia que falar-lhe a Deus na lingua vernácula ( iste palabrão sonava-me mais a erótico que outra cousa), que os curas traduzirom por castelhano.  Assim pois, o  Vaticano II andava já no seu  remate,  ainda que nós pouco disso sabíamos. Pouco ou quase nada  nos falarom nem na catequese nem na  escola nem na predicação dominical  diste assunto  do Concilio, no entanto sim foi moi comentada a morte do papa  João XXIII  que foi em pleno Concilio.  Recordo a foto do papa no jornal fumando um charuto, coisa que pra figura que eu tinha dum papa já me fazia destaque, hoxe seria inimaginável. Todos choramos a morte daquel papa e sentiama-nos orfos e desamparados, ou iso era o que a minha virginal empatía  sentia. 

      Fazia pouco mataram a Kennedy, agora isto do Concilio, Franco celebra 25 anos de paz, os americanos andam artelhando uma guerra em Vietnam. O mundo está revolucionado, onde chegaremos.