mércores, 7 de abril de 2021

Notas Soltas. Semana Santa a posteriori.

 

     

Hoje chove, é Venres Santo. Quando chegam estas datas, ainda que podemos passar por repetitivos, voltamos a reflexão cíclica do como éramos e como somos, que cousas fazíamos antes e que cousas fazemos agora. Ò falarmos de como éramos, sempre recordo, metendo-lhe retranca, o Alcalde do pequeno municipio rural dos Blancos, (  Alcalde mais tarde condeado por corrupção) . Este homem lá na  primeira era Baltariana, era conhecido por gastar uns bons dinheiros municipais para trazer artistas importantes no día da festa do povo,  para  cantarem na praza para todo o público  que acudia o evento tanto do proprio  povo como das  bisbarras. Este "líder" numa das ocasiões trouxe a Manolo Escobar, estrela no top musical na altura dos anos oitenta. Ele  antes da actuação  o ver a grande massa de gente congregada no seu povo, emocionado,  subiu o palco, tomou o microfone e dirixiuse os seus vecinhos  com esta mensagem:  "  povo dos Blancos o que nós éramos e o que hoje somos". Sempre gardei na minha retina aquel momento esperpéntico, brincalhão cheio  de populismo  burricalho.

      Mas não era este personagem  de quem eu me queria  recordar agora, foi um acaso, só passava por aquí, para ele os melhores desejos. Eu quería recordar-me do que nós eramos e do que hoje somos, em quanto o que respeita a como se vive e se viveu a Semana Santa. Aquel nacional-catoliscismo real e vivente facia-nos viver uma fé, sincera para algúns nos que  me conto, além de uma atmósfera de relixiosidade, silenzo, austeridade para vivirmos a morte,  narrada nos evanxeos,  de Cristo. Todo era uma grande mostra de teatro no que todos actuava-mos como doentes constrangidos polo sofrimento que nos redimeu. Fizera chuva, fizera sol, havia uma dor e um recolhemento fingido que  inundava todo. Hojé, o que somos, nada tem que ver com todo aquilo. Quanto melhor, por ventura. 

      As novas gerações não imaxinam aquel grande teatro do adoctrinamento. Os que tanto vivimos aquilo, temos pra contar. 

      Não tenham medo, nem tenham medo o medo, e desconfiem dos que lhes queiram falar do temor de Deus como  cerne e alicerce da sua fé. Sejam livres, desfrutem da carne e o pecado, sempre respeitando a liberdade, a vida dos outros, o bem comúm e a segurança pública. E desfrutem da Semana Santa,  ainda que terá que ser já para o  dois mil vintedous. Já será sem Covid e voltarão a estar cheias as estradas, as praias, o turismo de Adegas, os restaurantes e os lugares de lecer. E se gostam das procesões, noraboa, desfrutem também, mas não intentem que todos tenhamos que caminhar o son do tambor. Seja como for,  Cristo estará contente de ver os seus salvados, felizes no lecer, melhor que turrando  dum pau de cruceiro fingindo a dor  alhea.

 

 

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