.....Nestes días Madrid é um forno, fai um calor abafante. Eu acostumo a madrugar para aproveitar um pouco o fresco do amencer porque no resto do día fai-se o trabalho com lentidão, e tudo parece mais maçado. Este sol meseteiro invita a sestear. Tenho ganhas de ir a Celanova coa familia e dar umas voltas por Ourense. Tenho saudades galegas, preciso respirar a humidade térrea, e desfrutar os amenceres frescos e a alentidão do solpor nestes dias longos do ano. Sim, a patria é a ianfància.
Pressinto, que mais pronto que tarde, vou ir dar uma volta por alá. Motivos profesionais.
Os días aquí passam, de repente, de aborrecidos a trepidantes. No Servizo de Informaçao numca podes dizer o que vas fazer amanhã. Os días estão agendados, embora os aconteceres não. Agora tudo parece andar tranquilo. Rutina. Nos últimos meses houve que dar muitos “Informes” sobre os movementos na Universidade das organizações comunistas, concretamente a chamada UJCE, “Unión de juventudes comunistas de España”. Ainda que os jornais nada dizem o respeito, na rua andam a fazer moito barulho e isso preocupa as altas esferas do poder e então os jefes pedem resultados e explicações. De momento andam a levedar coas suas asambleas clandestinas e co reparto de propaganda. Pararom cos peches de aulas e sentadas nos campus. É evidente que estão a medrar em organização e em militantes, tal como manifestam os informes da gente que temos inflitrada. Eu já alertei de que são sem dúvida um problema futuro, por varias razões, uma delas e que moitos dos futuros quadros dirigentes do país estão a recever formação e informação moi contraria os ideais do “Movimiento”, e iso presenta um futuro cambio político que ainda que não parece vislumbrar-se, algúm dia chegará. A universidade em Madrid está moi revoltada, aquí esta-se a dar a batalha contra o Regime. É uma mecha que está inzando de candeias outras universidades. É um campo moi perigoso para o Regime. Entre os dirigentes do Movimento há moita asneira dirixente e não vem, e ainda pior é que não há gente com preparação suficinte para encarar estes problemas inteligentemente, eles creem nos paus, malheiras e detenciões. Despois da expulsão de Aranguren, Tierno e Garcia Calvo como profesores, por exigirem o dereito de manifestação, mais bem parece que se perdeu o medo. O nosos axentes tenhem moito trabalho em quanto a informação que eu despois tenho de clasificar e sintetizar e remitir os meus jefes. Eu, bem acompanho os meus informes com sugerencias que podem valer para aminorar a influencia marxista, no entanto ninguém sabe como atalhar um assunto que pula e avança e que só terá como remate um cambio político num futuro não moi lonxano. Agora coas férias as asambleias e os disturbios pararom, eu aproveito para sintetizar todos os informes e com calma.
Também, ainda que não é do me campo de trabalho, estou a ouvir que está emergendo moito o movemento sindical clandestino. Estes andam de mãos dadas cos estudantes e são os mesmos activistas os que trabalham tanto num camo como outro. Nos dous casos são gente joven e moi activa. Sempre está detrás o Partido Comunista que move gente dum lado para o outro. São duros, tabalhadores e arriscados. Eu vejo que são gente que se cresce na clandestinidade e manexam moi bem as técnicas do controlo das masas em geral.
Em quanto o movemento sindical já vi que há informes do noso servizo de Informação que recomenda que se debe modernizar a lei sindical do “Movimiento”, que tal vez esteja já obsoleta para fazer frente o sindicalismo clandestino.
O futuro do Régime e de Espanha pasa por o controlo que as camadas dos chamados tecnócratas, do Opus, tenham do governo. A outra posibilidade é o meu paisano Fraga Iribarne. Fraga é listo e ambicioso. Tem ideias modernas além dum grande ego político. Ele sería um verdadeiro renovador ou actualizador do Regime para os novos tempos. Franco sabe-o e confía nele, porém os falangistas, descerebrados e apresebrados em geral, exercem a vixilancia e pureza das ideias e não permitem evoluir. Franco, a través de Carrero, confia moito no Opus e especialmente en Lopez Rodó. Estes são os que podem conducir a Espanha a modernidade política e económica. Franco tem que andar a fazer equilibrios na procura da harmonia e o contrapesso para evitar os falangistas tolos saltarem a ciscar discursos morais de autenticidade de ideias ancladas na victoria da guerra. Eles não dam deixa-do este discurso. Por sorote a economía está já em maus do Opus, dende o Banco de Espanha até todos os quadros económicos. A falange vive no populismo e na pura asneira. Quando tiverom responsabilidades económicas subiron os salarios sem mais um oito por cento criando uma inflação que por pouco funde e deixa a rasca a nação. Os tecnócratas falarom com Franco e derom-lhe conta da situação. Esta gente tem que estar só para decorar o sistema e fazer discursos delirantes para conmemorar historias mitológicas que os mais fieis precisam de vez em quando. Sem dúvida se não fosse a figura de Franco que é respeitado e temido, por todos os bandos, acho que o equilibrio sería moi difícil e tudo isto saltaría polo ar.
Ontem chegou um mensagem da Pide portuguesa por vía confidencial. O operador pasou-lho directamente o Coronel quem me chamou e me dixo que tinhamos tema cos portugueses. Primeiro a creação do movemento Ibérico de libertaçao o chamado DRIL; despois o secuestro do barco Santa Maria, cheio de ciidadão americanos, por parte deste movemento. Recentemente o assassinato do general Humberto Delgado em Badajoz por parte da mesma PIDE. Esta gente anda moi alporiçada, querem que nos movamos mais. E aqui a gente está por calar e que não se sepa nada. Para isso se fixo o Pacto Ibérico, recentemente, entre Franco e Salazar.
Em resumo, por cousas da vida, receve a encomenda do análise e controlo das informações correspondentes a estes asuntos. Como según o meu jefe o trabalho relacionado coa juventude e universidade apenas tinha carga de trabalho e importancia podía adicar-me bem estes outros asuntos dos portugueses que o fim e o cabo tenhem uma importancia relativa. Assim desta maneira, entre outros, chegarom até mim os nomes de José Velo, um tipo de Celanova, Sotomayor, um militar da Armada da república, também galego. E os portugueses maior Galvão, e por suposto o general Humberto Delgado.
Seja como for, estamos em maus de indocumentados, até que esta geração de políticos e militares deixem a dirigencia, pouco podemos esperar. Estes alféreces provisionais que pelo simples feito de ser uns entusiastas loitadores numa guerra que ganharom, e que empurrados polos seus colegas da camisa azul medrarom no poder e na liderança dos principais orgãos de decisão, não dam mais de si, esto já fora do mundo real e a sua preparação para actualidade é moi duvidosa. Nem estão preparados para comandar qualquer posto de dirigencia que exija certa preparação.Estão desfasados da realidade, sobra-lhes entusiasmo e berro mitineiro e estão faltos de modernidade e adaptação o mundo que está a chegar.
O mensagem por telex codificado em criptografía ainda não fora descifrado, mas o meu Coronel sabia que poucas vezes os portugueses se punham em contacto, pois são moi reservados na colaboração e nós também com eles. Ainda que pareça que temos governos amigos, a verdade e que não é assim. Receiam moito de nós, tal vez a nossa arrogancia e o mito do medo secular a invasão lhes leve a afastar-se de nós. A verdade é que e um tema interesante para contar. Como galego e da zona de fronteira tenho moito curiosidade por Portugal sobre todo despois de istes anos de colaboração policial que me permeteu viaxar a Lisboa, Porto e outros lugares de Portugal e ter contacto aquí em Madrid com alguns agentes portugueses. Estes contactos ajudarom-me a com um pouco de esforzó e aproveitando o meu galego desenvolver-me na lingua portuguesa tanto na fala como na escrita. A verdade e que os nossos mundos estão moi afastados, vivemos de costas viradas e coas fronteiras pechadas dum e do outro lado. Assim que fica pendente quando houver tempo e calma uma escrita reflexiva sobre a minha experiencia portuguesa. Portugal está no tempo dos mitos viventes, o Sebastianismo, a etapa das descobertas, Aljubarrota. Espanha está no Imperio e nos tempos da grandeza e nesse imperio entra a asimilação de Portugal como apéndice pobre e limítrofe que engrandaría a Península baixo o cerne castelhano.
Sim a partires de 1961 co secuestro do barco Santa Marina pelo Chamado Directorio Ibérico de Liberação, formou-se uma célula de colaboração entre os servizos secretos espanhois e os portugueses. O nosso servizo da Garda Civil foi o responsável do seguimento deste asuntos coa colaboração da PIDE portuguesa. Estava eu recem chegado o Serviço quando criamos a colaboração. Além do DRIL e do secuestro do barco Santa Marina, as aguas moverom-se quando en Fevreiro foi assassinado na comarca de Olivença o general e político portugués Humberto Da Silva Delgado. O general “sem medo” estava oposto a ditadura de Salazar, fugiu para Espanha e foi morto pela PIDE na mesma fronteira.
Humberto Delgado no ano 1933 foi participe no golpe de Estado que criou en Portugal o chamado Estado Novo baixo a ditadura do profesor Oliveira de Salazar. Humberto foi simpatizante do nazismo e admirador de Hitler em contra de Oliveira de Salazar. Mais tarde fez uma notável carreira militar apoiado pelos británicos cos que travou confiança como representante de Portugal na negociações secretas para instalarem as bases militares nas Açores. A pesares de ser um homem da parte ultra do Estado Novo a partires de 1950, chocou moito com Salazar e este relegou-no no que a cargos oficiais. Mais tarde compensou-no para se deslocar a embaixada em Estados Unidos e alí travou contato cos americanos e converteu-se em fervente demócrata. Não sabemos se realmente mudou no seu pensamento, que acho que sim, ou simplesmente era uma forma de ir comtra do seu enemigo persoal Salazar. Seja qual for a causa da sua mudança ideológica o caso é que o futuro general se convertiu num home popular com liderança e alternativa o Goberno de Salazar. Presentou-se as eleições para Presidente da República em competencia co almirante Américo Thomas que foi o ganador oficial pois denunciou-se pelo país que houvera uma frande eleitoral e que o ganador fora o general Humberto Delgado. Delgado incitou os militares a revelarem-se contra a ditadura de Salazar e ante a perseguição política fugiu para o exílio no ano 1959. No ano 1964 foi enganhado pela PIDE, a través dum suposto militante portugués contra a ditadura, para ir a frontera en Badajoz. Alí foi primeiro sequestrado e despois assassinado por um agente da PIDE. A policía espanhola fijo uma investigação esclarecedora dos feitos sem acochar a realidade, ainda que deixava em mal lugar o governo amigo da ditadura portuguesa.
Despois da derrota electoral, voltamos o ano 1959, Delgado fundou o DRIL. Convencido de que a ditadura não se deixaria vencer por medios pacíficos formou o “Directorio Revolucionario Ibérico de Liberação”, cuja finalidade era usar a violencia terorista. No Directorio estavam integrados militares antisalazarista e antifranquistas de Portugal e Galiza. No ano 1961 apoiado pelo DRIL e liderado pelo general Botelho Moniz intentou-se um golpe de Estado que fracasaria....
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